Relação das Náos e Armadas da India


Dom João Pereira capitam-mór

Anno de 1533

Dom João Pereira capitam-moor. Capitães: L<o>urenço de Paiva, Diogo Brandão, Dom Gonçalo Coutinho, Simão da Veiga, Nuno Furtado de Mendoça, Dom Françisco de Noronha o qual desapareçeo na volta do Cabo de Boa Esperança.

<Dom Pedro de Castello Branco capitam-mór>.

Neste mesmo anno foi por capitão-moor Dom Pedro de Castel Branco que partio a tres de Outubro com dez caravellas. <h~ua nao, e hum navio redondo>. Capitães Andre Casco, Nicolao Zuzarte, Antonio Lobbo, Balthazar Gonçalves, Leonel de Lima, Heitor de Sousa, Francisco Ferreira, Gonçalo Fernandes de Sousa, Antonio de Sousa, Francisco Fernandes Leme, João de Sousa.  


O capitão-mór foi – na náo Salvador. Noculáo Zuzarte – na caravella S.to Espírito. Balthezar Gonçalves – na Conceição. – António Lobo – em S.ta Marta. Lionel de Lima – em S. Sebastião. Heitor de Sousa – na Espera – Francisco Ferreira - na Aguia – Gonçalo Fernandes de Sousa – em S. João – João de Sousa – na Rosa – Francisco Fernandes Leme – na Graça – António de Sousa – Andre Casco – em hum navio redondo. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Dom Estevão da Gama capitam-mór de 5 náos

Anno de 1532

Dom Estevão da Gama capitam-moor partio a dez de Abril. Capitão Pero Vaz do Amaral, Antonio Carvalho, Vicente Gil armador, Dom Paulo da Gama.

A nao do capitão-mor invernou em Moçambique, as mais forão e vierão a salvamento.


Dom Paulo da Gama era irmão do capitam-mór, Vicente Gil armador foi na náo Graça – Antonio Carvalho foi nos Reis Magos – Pero Vaz foi na náo S. Miguel. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Anno de 1531

Esta armada partio a 20 de Abril sem capitão-moor. Capitães: Achiles Godinho, Diogo Botelho, Janim, homem genovez, Manoel de Macedo, o corregedor Pero Vaz Amaral, que arribou ao Reino, e Manoel de Maçedo se perdeo detraz do Cabo do Comorim em h~ua ilha rasa defronte de Calicaré.

Neste anno se fundou a fortaleza de Galle a que se pos nome Sancta Maria do Castello, o primeiro capitão Diogo Pereira.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Anno de 1530

Neste anno não ouve capitão-moor. Capitães: de naos que partirão em differentes tempos sc. em quinze de Março, em tres e seis de Abril, em treze de Maio e tres de Junho. Capitães Fernão Camello, Manoel de Brito, Luis Alvarez de Paiva, Francisco de Sousa Tavares, e Pero Lopez de Sampaio.

Neste anno forão duas caravellas. Capitães Duarte da Fonseca, Diogo d’Afonsequa e partio Vicente Pegado, e Balthazar Gonçalves arribou ao Reino.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Diogo da Silveira capitam-mor de quatro náos

Anno de 1529

Diogo da Silveira capitão-moor partio a dous de Abril <com 4 naos>. Capitães: Rui Gomez da Grãa, Rui Mendez de Mesquita, e Henrrique Nunes.  


Outra relação diz que foram capitães Anrique Moniz na náo Conceiçam – Balthezar da Silveira em Flor de la Mar – Rui Mendes de Mesquita em S. Roque.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Nuno da Cunha governador da India

Anno de 1528

O governador Nuno da Cunha capitão-moor partio a dezoito de Abril. Capitães: Pero Vaz da Cunha, Antonio de Saldanha, Dom Fernando de Lima, Graçia de Saa, D. Fernando de Eça, Francisco de Mendoça, Simão da Cunha, D. Fernando de Lima, e Affonso Vaz Azambujo que se perdeo na Ilha de João da Nova, e João de Freitas se perdeo no Val das Egoas, Bernardim da Silva se perdeo no parsel de Sophala.

A nao do governador se perdeo na Ilha de São Lourenço, estando sobre ferro e elle passou à do seu irmão Pero Vaz da Cunha, e com ella e a de Dom Fernando de Lima foi invernar a Mombaça.

Neste anno tomou o governador Mombaça por guerra e invernou nela, e dahi foi a Ormus, e Manoel de Maçedo partio o primeiro de Setembro do mesmo anno e foi dereito a Ormus donde veio por terra a Portugal Antonio Tenrreiro, e foi o primeiro portuguez que fez esta viagem.

Nessas naos embarco preso por mandado d’ElRei o governador Loppo Vaz de Sampaio. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Manoel de Lacerda capitam-mór

Anno de 1527

Manoel de Lacerda capitão-moor. Capitães: Aleixo de Abreu, Balthazar da Silva, Gaspar de Paiva, Christovão de Mendoça. O capitão-moor, e Aleixo de Abreu se perderão na Ilha de São Lourenço.

Partio em vinte <e seis> de Março.


Aleixo de Abreu era capitam da náo Bastiana – perdido = Balthazar da Silva – da náo Flor de la Mar = Christovão de Mendoça – da náo Santiago = Gaspar de Paiva – da náo S. Roque =


O capitam-mor Manoel de Lacerda, e Aleixo de Abreu ambos se perderam na Ilha de S. Lourenço. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Francisco d’Anhaia capitam-mór

Anno de 1526

Francisco da Nhaia capitão-moor de sinco naos partio a oito de Abril. Capitães: Tristão Vaz da Veiga, Antonio Galvão <no Espimbro> Antonio de Abreu que tinha arribado o anno atraz na náo Conceição = Duarte Tristão em S. Miguel.


A náo Espimbro em que hia Antonio Galvão sahiu de Lisboa a 16 de Maio, deteve-se na costa da Guiné com calmarias 4 dias, entrou-lhe vento de servir em fim de Junho, dobrou o Cabo em Setembro, foi por fóra, entrou em Cochim em 15 de Novembro – Decada 4ª de João de Barros capº 9º -

Pedro Mascarenhas succedeu no governo da India em 23 de Fevereiro de 1526, e porque estava em Malaca por capitam havia hum anno, e nam podia ser avizado senão em Maio, tempo de monção, nam podia vir à India senão no anno seguinte, e a India estava de guerra, houve votos differentes sobre se se abriria outra via. Venceu-se que se abrisse, juramentados primeiro todos os fidalgos que obedeceriam a Pedro Mascarenhas tanto que viesse, e nam à pessoa que saisse na via, a qual se abriu, e sahio nella Lopo Vaz de Sampaio governador – Decada 4ª, 1º, 1º, Cpº 1º. -

Pedro Mascarenhas tomou posse do governo em Malaca, veio a Cochim, foi prezo, e veio para o Reino. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Dom Filippe de Castro capitam-mór

Anno de 1525

D. Felippe de Castro capitão-moor partio a vinte e cinco de Abril. Capitães: Diogo de Melo, D. Loppo de Almeida, Antonio de Abreu, Vicente Gil armador. <Francisco d’Anhaia - perdido>

No Cabo de Rosalgate se perdeo a nao do capitão-moor e a de Antonio de Abreu arribou ao Reino.

Neste anno derrubou o governador Dom Henrrique de Meneses a fortaleza de Calicut e foi capitão-moor do mar Dom Simão de Menezes seu primo.

Per morte do governador Dom Henrrique se abrio a segunda suçessão na qual se achou por governador da India Pero Mascarenhas que por estar servindo de capitão de Malaca donde não podia vir senão dali a h~u anno, se abrio a terçeira suçessão pera aver de governar quem nella se achasse ate elle vir, que foi Loppo Vaz de Sampaio nono governador.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Dom Vasco da Gama almirante e vizo-rei

Anno de 1524

O conde da Vidigueira almirante da India foi por vizo-rei, e capitão-moor; partio a nove de Abril. Capitães: Dom Henrrique de Meneses, Pero Mascarenhas, Loppo Vaz de Sampaio, Antonio da Silveira, Dom Fernando de Monroy, Dom Simão de Meneses, Francisco Sá vedor da fazenda do Porto para ir fazer fortaleza na Sunda, Afonso Mexia, Antonio Carvalho, Francisco de Brito. Em caravelas Christovão Rosado, Loppo Lobbo, Rui Gonçalves, Mossem Gaspar, Pero Velho. Dom Estevão da Gama filho do vizo-rei foi capitão-moor do mar feito por ElRei.

Christouão Rosado e Francisco de Brito se perderão indo de Moçambique pera a India, e Dom Fernando de Monrroy de que se salvou toda a gente.

Vindo o vizo-rei com toda a armada demandar a costa da India na paragem de Dabul antes de ver terra, hum dia antes, em amanheçendo sem vento tremeo o mar muitas vezes por espaço de h~ua hora, o que deu grande torvação em toda a armada, de sorte que cada hum pertendia salvar-se, cuidando serem perdidos, até que o almirante declarou o que era, dizendo: - Treme a terra e o mar de nós – e que por isso não areçeassem nada.

Na nao em que foi o conde vizo-rei embarcou preso por mandado d’ElRei o governador Dom Duarte de Meneses.

A náo em que vinha por capitão Dom Luis de Meneses irmão do governador despareçeo na viagem; por morte do conde vizo-rei sucçedeo no governo Dom Anrrique de Meneses.


Desta armada que levava tres mil homens muita parte dos quaes eram fidalgos, cavalleiros, e moradores da Caza d’ElRei, se perdeo de Moçambique para a India Francisco de Brito, e assim se perdeo o galeão de D. Fernando Monroy em os baixos de Melinde de que se salvou a gente. Das caravellas se perdeo Christovão Rozado seguindo o almirante a sua viagem com estas vellas menos. Huma quarta-feira vespera de Nossa Senhora de Setembro às outo horas da noute lhe tremeo o mar tam rijamente com tamanhos, e continuos movimentos, que cada huma das náos parecendo-lhe que ella só padecia este tremor, se houvesse por perdida sem entender a cauza, e cuidando serem agoagens sobre alguns baixos com as bombardas se faziam sinais humas às outras, e huns acudiam ao leme que não podiam ter, outros à bomba, à sonda, e muitos a barris, e taboas em que se pudessem salvar, sem huns aos outros se poderem valer, nem entender, athé que o almirante deu em conhecimento do que era, dizendo-lhes: – Amigos nam hajais medo, antes prazer, e alegria, que isto hé tremor de terra, e o mar treme de nós. E ficarão ganhando daqui – além do prazer de se verem fóra daquelle perigo – que o temor daquelle caso, que durou hum quarto de hora, fez levantar muitos enfermos, donde jaziam com sua febre, buscando modo de se salvar, e assim ficou a natureza tam sobresaltada que recolhendo-se a quentura das partes per que andava derramada, a seu proprio centro, e vazo, ficarão sãos sem a febre, que tinhão. Passado este tremor sobrevio outro cazo de nam menor admiração, e foi, que sem vento, nem outros sinais precedentes veio huma chuva de agoa tam grossa, que parecia algum diluvio. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Diogo da Silveira capitam-mór

Anno de 1523

Diogo da Silveira capitão-mor partio a nove de Abril. Capitães: Manoel de Maçedo, Dom Antonio de Almeida, Heitor da Silveira, Pero d’Afonsequa, Antonio d’Abreu, Simão Sodré da Cunha, que se perdeo entrando em Moçambique <Aires da Cunha>.

O capitão-moor invernou em Moçambique, Heitor da Silveira, e Antonio d’Abreu, passarão à India no mesmo anno, e Manoel de Macedo, D. Antonio d’Almeida, e Pero d’Afonseca invernarão em Chaul, e Simão Sodre em Ormus.

Nestas naos foi o segundo bispo d’annel por nome Dom Martinho.

Neste anno se largou a fortaleza de Pacem na Ilha de Samatra, sendo capitão dela Dom Andre Henrriques.


Destas naos passaram à India este anno Heitor da Silveira, e Antonio de Abreu que partirão de Lisboa a 3 de Maio; e das outras tres das quaes partiram a 9 de Abril D. Antonio de Almeida, Pero de Afonseca invernarão em Chaul; Manoel de Macedo tambem passou, e Simam Sodré foi ter a Ormus. Aires da Cunha se perdeu a través de Moçambique, e salvou-se a gente. Diogo da Silveira invernou em Moçambique.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Tres capitães em diversos tempos

Anno de 1522

Em quinze de Abril partirão tres naos e neste anno não ouve capitão-mor. Capitães: Dom Pedro de Castelbranco que só chegou neste anno à India. Dom Pedro de Castro e Diogo de Mello emvernarão em Moçambique, Dom Pedro de Castro se perdeo na barra de Goa, sobre a amarra e salvou-se a gente.

Nestas naos foi nova que a doze de Dezembro do anno passado faleçera ElRei Dom Manoel, e lhe soçedera no Reino o principe Dom João seu primogenito que foi o terçeiro deste nome.


Destas tres náos só D. Pedro de Castello Branco chegou à India aquelle anno, e as outras duas invernarão em Moçambique. D. Pedro de Castro estando ancorado na Barra de Goa por a sua náo ser mui velha, e das maiores que se fizeram neste Reino, com hum tempo forte se perdeu.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

D. Duarte de Menezes governador

Anno de 1521

O governador D. Duarte de Menezes filho erdeiro do conde prior capitão-mor partio a çinco de Abril. Capitães: Dom Luis de Meneses, João de Mello da Silva, Vicente Gil armador, Françisco Pereira Pestana, Antonio Rico, Martim Affonso de Mello, Vasco Fernandes Coutinho, Pedro Homem, Gonçalo Roiz Correa armador, Dom Diogo de Lima de Sapulveda.

Destas onze naos voltarão com carga para o Reino cinco e as outras ficarão na India. Foi por capitão-moor do mar Dom Luis de Meneses.

Na nao em que foi o governador se embarcou o governador Diogo Lopes de Siqueira.


Depois de partido o governador partiram duas vellas para fazerem fortaleza na Ilha de S. Lourenço em o porto de Matatana, e hia por capitam dellas Bastiam de Sousa d’Elvas, que havia de ficar capitam desta fortaleza que se havia de fazer, e na outra hião João de Faria e Enrique Pereira cavaleiros da Caza d’ElRei, hum para servir de alcaide-mór e outro de feitor.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Jorge de Brito capitam-mór

Anno de 1520

Jorge de Brito capitão-moor partio a seis de Abril. Capitães: Rui Vaz Pereira, Pedr’Alvares frances, Gaspar da Silva, Pero Lopez de Sampaio, Pero Lourenço de Melo, Antonio d’Azevedo, Pero Paulo, Belchior Marchane, Andre Dias, Dom Diogo de Lima cuja nao arribou ao Reino.


Rui Vaz Pereira, passado o Cabo de Boa Esperança, hindo huma noute com todas as vellas metidas, supitamente esteve o galeão quedo, como se encalhara em alguma cabeça de area e por encalhado o ouverão todos, segundo o rohio grande que fez, e acudindo logo à bomba por ver se abrira, e os prumos lançados de huma e de outra parte, acharam que o galeão nadava, e que hum monstro do mar os detinha, o qual jazia pegado na quilha do galeão por todo o comprimento delle, sendo o galeão de vinte e hum rumos, que sam cento, e cinco palmos. Com o rabo retinha o leme, e com as azas, ou perpetanas abraçava os dous costados da náo, de maneira que chegavão athé à meza de guarnição, a cabeça do qual, que foi a derradeira couza, que o peixe mostrou, seria do tamanho de huma pipa, e junto della humas trombas per que lançava maior espadana de agoa que huma balea, o que alguns ouvirão ser espirito máo. Outros querendo-lhe fazer remesso de lanças, fisgas e harpois, o capitam o nam consentiu, por que com a furia da dor ao expedir-se, nam soçobrasse o galeão. Finalmente o capelão da náo o esconjurou, e com alguns exorcismos elle a cabo d hum quarto de ora, que os teve espantados e temerozos, abaixou as perpetanas, e espediu-se por baixo, sem fazer mais que respirar grande quantidade de agoa pelas trombas.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Jorge de Albuquerque capitam-mór

Anno de 1519

Jorge d’Albuquerque capitão-moor partio a vinte e tres de Abril. Capitães: Francisco da Cunha, o doutor Pero Nunes, Raphael Perestrello, Raphael Catáneo, João Martins d’Almada, Diogo Fernandes de Beja, Christovão de Mendoça, Loppo de Brito, Pero da Silva. Destas nove naos voltarão quatro ao Reino com a carga e ficarão na India cinco pera andarem de armada.


Outra relação diz o seguinte =

Partiu Jorge de Albuquerque com 14 vellas a 23 de Abril e estes capitães = Loppo de Brito na Conceição = Pero da Silva em S.ta Catherina do Monte Sinai = João Roiz de Almada = Francisco da Cunha em S.to Antonio d’ElRei = Christovão de Mendoça = Raphael Perestrelo em Flor de Roza = Raphael Catanho na náo Belem para a China = Diogo Fernandes de Beja em S.ta Cruz = o doutor Pero Nunes que hia para vedor da fazenda = Manoel de Souza – perdido = Gonçalo Roiz Correa na náo S.ta Maria Guadalupe = D. Diogo de Lima = D. Luis de Gusmão castelhano, em S. Jeronimo.

Destas 14 náos as primeiras quatro somente passaram este anno para a India e as outras invernaram em Moçambique, salvo Manoel de Souza, que chegando a Moçambique sem Jorge de Albuquerque, cometteu, posto que já era tarde, passar à India, na qual viagem à fome, e à sede, e às mãos de inimigos, e por outros dezastres, que nestes cazos nunca faltam, morreu elle, e toda a gente, e a náo acabou em hum baixo, passando tantos e tam diversos trabalhos, que contá-los hé huma miseravelissima tragedia. Dom Luis de Gusmão castelhano arribando com o mastro quebrado ao Brasil, e dahi fazendo viagem para este Reino por manhas, e arteficios de que uzou se levantou com a náo, e com ella veio fazendo prezas em navios portuguezes, e sendo prezo em Sevilha, por se salvar da prizão, quebrou as pernas e com ellas quebradas se salvou com ajudas que para isso teve em hum mosteiro de frades, donde depois passado à Itália, acabou como suas obras mereciam.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

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