Enquadramento


Ainda no ano de 1498, Duarte Pacheco Pereira chefiara uma expedição secreta para além da linha de Tordesilhas, possivelmente até ao Brasil, que viria a ser oficialmente descoberto por Pedro Álvares Cabral, em 1500 (sendo então chamado de Ilha de Vera Cruz), num desvio para ocidente da segunda expedição à Índia.

Portugal, pioneiro na expansão marítima europeia – co-protagonista do “maior acontecimento desde a criação do mundo” (de acordo com Francisco López de Gomara, na sua “História Geral das Índias” ao imperador Carlos V, escrita em 1552), tal como sublinhado cerca de dois séculos depois por Adam Smith –, potenciando as suas inovações técnicas, científicas, estratégicas e até jurídicas, conseguia assim tirar partido da oportunidade única que se lhe deparara, para se impor como líder no contexto mundial:

- por um lado, o recuo da China no seu projecto de expansão marítima;

- por outro, o facto de as Repúblicas Italianas (nomeadamente a hegemónica Veneza) e a Catalunha não adoptarem a estratégia de ir para além do seu espaço tradicional de acção, no Mediterrâneo;

- finalmente, as potências regionais que controlavam as rotas comerciais em África, no Médio Oriente e no Índico não dispunham de poder naval para defrontar as superiormente armadas frotas portuguesas.

Um pequeno país, com uma localização periférica no contexto europeu, assumia então um singular papel precursor no desenvolvimento do sistema mundial de globalização, colocando pela primeira vez em contacto civilizações e culturas de diferentes continentes, à escala planetária!

Nomes como os do Infante D. Henrique, D. João II, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral corporizariam – enquanto intérpretes supremos de um empreendimento de labor colectivo – a recomendação de um filósofo latino: “já que não nos é dado viver por longo tempo, façamos algo que fique a atestar termos vivido”.

Ou, como escreveria Pedro Nunes na “História Universal” (em 1537): “descobriram novas ilhas, novas terras, novos mares, novos povos, e o que mais é: novo céu e novas estrelas”.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Contudo, o rumo seria então invertido, para leste; já depois de ter fundeado na denominada Baía de Santa Helena (a 4 de Novembro), a 18 desse mesmo mês de Novembro, era novamente dobrado o Cabo da Boa Esperança, para, a 25 de Dezembro, atingir a Terra do Natal.

Já em 1498, a 14 de Março, chegavam a Sofala, na costa de Moçambique, ponto limiar que os navegadores árabes e hindus (provenientes de Nordeste) haviam atingido.

Quer em Sofala, quer em Mombaça (no actual Quénia, onde chegara a 7 de Abril) a expedição portuguesa seria mal recebida. Apenas em Melinde (ainda no Quénia), já em meados de Abril de 1498, Vasco da Gama conseguiria angariar um piloto árabe, que se viria a revelar a chave para a descoberta da etapa final do percurso.

A épica expedição pioneira culminaria com a chegada a Calecute, a 20 de Maio de 1498, local onde os portugueses permaneceriam por três meses, em conflito com os mercadores árabes, tendo entretanto o Samorim de Calecute rejeitado os presentes oferecidos por Vasco da Gama, inviabilizando o desejado Tratado de Paz e Comércio – apenas em 1502, na sequência da terceira expedição à Índia (igualmente chefiada por Vasco da Gama), se daria a conquista de Calecute, com o estabelecimento de uma feitoria em Cochim, na costa do Malabar.

A viagem de regresso a Portugal da expedição precursora teria início em Agosto de 1498, aportando em Lisboa um ano depois, com apenas dois navios e não mais de 55 tripulantes, onde seria recebida em apoteose pelo rei D. Manuel.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

D. Manuel começaria por encarregar também, novamente, Bartolomeu Dias, para a expedição visando a chegada à Índia, o qual praticamente inventaria as naus, combinando velas latinas e redondas.

Todavia, já com as naus prontas, o rei acabaria por entregar o comando da expedição a Vasco da Gama, incumbindo-o também de um papel diplomático e militar; a navegação era confiada nas mãos de pilotos experimentados, como eram Pêro de Alenquer e Nicolau Coelho.

A frota portuguesa partiria de Lisboa a 8 de Julho de 1497, compreendendo quatro embarcações (a nau capitânia, S. Rafael; a S. Gabriel, capitaneada por Paulo da Gama; a Bérrio, cujo capitão era Nicolau Coelho; sendo a quarta uma embarcação de mantimentos) e cerca de 170 homens.

Pouco depois, em Agosto, chegaria a Cabo Verde, a partir de onde rumou a sudoeste, para o mar alto, tal como recomendado por Bartolomeu Dias, que até aí seguira com a frota, dela se separando então, em direcção a Elmina.

A 22 de Agosto de 1497, já relativamente próxima da costa do Brasil, a expedição de Vasco da Gama chegaria mesmo a avistar aves que pareciam dirigir-se para terra.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

A D. João II, suceder-lhe-ia o seu primo e cunhado D. Manuel I, o “Venturoso”, que – mesmo contra a opinião dos seus conselheiros – culminaria, no seu reinado de 26 anos (de 1495 a 1521), a expansão portuguesa iniciada pelo seu antecessor, com a criação de um Império no Oriente (estabelecido de 1505 a 1518), apoiado em figuras como Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque, assim se estabelecendo Portugal como principal potência marítima mundial, dominando, durante cerca de um século, a navegação entre a Europa e o Oriente.

Expulsos de Castela em 1492, os judeus haviam deslocalizado as suas casas financeiras e mercantis para Portugal, vindo entre eles também o cientista Abraão Zacuto.

Quatro anos depois, por pressão de Castela e de parte da Corte portuguesa, era também decretada a expulsão dos judeus e mouros de Portugal. Alguns deles acabariam por se converter como “cristãos-novos” e “mouriscos”.

Ainda em 1496, eram impressas em latim as tábuas astronómicas de Abraão Zacuto.

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- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

O interregno de cerca de nove anos, decorrido entre o regresso de Bartolomeu Dias (em Dezembro de 1488) e a partida de Vasco da Gama (em Julho de 1497) não tem, ainda hoje, uma clara justificação.

Poderá possivelmente ter sido devido a uma série de factores, como as viagens de Colombo; a morte do herdeiro de D. João II, em 1491; a doença e falecimento do rei em 1495; as opiniões contrárias ao prosseguimento do projecto de descoberta do caminho marítimo para a Índia, dados os seus elevados custos e a escassez de recursos económicos de Portugal…

Porventura, devido a algumas viagens secretas no Atlântico Sul – abrangidas pela política de sigilo implementada pelo rei – que teriam permitido uma mais adequada familiarização com as condições de navegação nesta região e a definição da mais apropriada rota para dobrar o cabo (a rota seguida por Vasco da Gama, cruzando o equador no meridiano de Cabo Verde, fazendo a “volta do mar” – quase tocando o Brasil – e apanhando os ventos de oeste, depois de flectir para sudeste na zona dos ventos variáveis de Capricórnio, era diversa da seguida por Bartolomeu Dias).

Comprovadas são as explorações na América do Norte por Pêro de Barcelos e João Fernandes Labrador, de 1491 a 1494, com a chegada à Groenlândia (em 1495, por João Labrador).

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- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

D. João II conseguiria forçar as negociações do Tratado de Tordesilhas, concluídas a 7 de Junho de 1494 – o qual vigoraria oficialmente até 1777! (não obstante ter deixado de ser efectivo com a ascensão holandesa e inglesa no século XVII) –, afastando a referida linha divisória para 370 léguas a ocidente de Cabo Verde (sem contudo definir qual a ilha a partir da qual deveria ser considerada a contagem da distância…), conseguindo, com esse alargamento da zona de domínio português, garantir a soberania do Brasil, cujo achamento oficial se concretizaria 6 anos depois… no desvio da segunda expedição à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral.

Isto, para além, de assegurar também o “espaço de manobra” necessário para a realização da “volta do mar”, que se viria a revelar crucial para dobrar o Cabo da Boa Esperança.

D. João II viria a falecer no ano seguinte, em 1495, com 40 anos, sem descendência legítima.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Regressado a Espanha, Colombo conseguiria finalmente convencer os reis católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão) a financiar o seu projecto.

Rumando a oeste, chegaria às Antilhas, descobrindo (sem o saber) a América em 1492.

Na viagem de regresso, ver-se-ia obrigado a aportar em Lisboa – a 4 de Março de 1493 – para reparar as duas caravelas, Pinta e Niña, sendo então recebido novamente por D. João II, afirmando ter descoberto o caminho para as “Índias”.

O rei português reclamaria, de imediato, que – ao abrigo do Tratado de Alcáçovas – as novas terras descobertas pertenceriam a Portugal, dado situarem-se a sul das Canárias, chegando mesmo a preparar uma armada, chefiada por Francisco de Almeida, para tomar posse desses territórios, a qual, contudo, não se viria a materializar.

Visando defender os seus interesses, os reis de Castela logo encarregariam Colombo de uma segunda viagem, com partida ainda em 1493, com regresso em 1496.

Ainda no mesmo ano de 1493, o Papa Alexandre VI (espanhol) emitiria quatro bulas, numa das quais era estabelecida uma linha divisória vertical, localizada 100 léguas a ocidente das Ilhas dos Açores ou de Cabo Verde, para além da qual o domínio seria conferido aos castelhanos.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Já em 1488, rumaria então a Norte, navegando cerca de 800 km… sem o saber, acabara de contornar a extremidade do continente africano!

Bartolomeu Dias conseguira finalmente dobrar o Cabo das Tormentas, logo rebaptizado de Cabo da Boa Esperança, na mais notável navegação até então realizada, quatro anos antes de Colombo chegar às Antilhas.

Viria a desembarcar na actual Mossel Bay, a cerca de 370 km da Cidade do Cabo, a 3 de Fevereiro de 1488.

Depois de navegar ainda mais 500 km para nordeste, penetrando no Oceano Índico – cerca do actual Great Fish River - a tripulação amotinar-se-ia, obrigando-o a inverter o rumo e regressar a Portugal, onde chegaria em Dezembro de 1488.

Aqui se cruzaria então com Cristóvão Colombo (que D. João II havia chamado ao reino, desconhecendo-se se – receando o fracasso da expedição de Bartolomeu Dias – encarava a possibilidade de apostar no plano de Colombo…).

Na sequência da chegada da frota portuguesa, D. João II viria a dispensar novamente Colombo.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Paralelamente – e já depois de cinco anos de infrutíferas tentativas de exploração do curso dos rios africanos, à procura do Nilo, e do “lendário Preste João” – o rei português preparava nova expedição para dobrar finalmente a extremidade sul de África, missão de que encarregou Bartolomeu Dias (acompanhado do experiente piloto Pêro de Alenquer), que – em Agosto de 1487 – viria a partir de Lisboa, com duas caravelas de 50 toneladas e uma nau de mantimentos.

…Ao mesmo tempo que enviava, por terra, dois emissários, Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã (o qual, conhecedor do idioma árabe, atingiria a costa ocidental da Índia em 1488; na viagem de regresso a Portugal, acabaria por se ver obrigado a radicar na Abissínia, não tendo autorização para abandonar o território).

Em Outubro de 1487, a frota de Bartolomeu Dias transpunha o ponto limiar antes atingido por Diogo Cão, entrando na zona costeira da actual Namíbia.

No final do ano, os seus navios, enfrentando grandes tempestades, seriam afastados da costa, empurrados para sul. Passada a tormenta, Bartolomeu Dias decidiu navegar novamente para leste, procurando aproximar-se da costa, mas sem contudo avistar terra…

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

A continuação da expansão para sul foi confiada a Diogo Cão que, partindo em Agosto de 1482, chegaria (já em 1483) à foz do rio Zaire (Congo), aí erguendo o primeiro “padrão”, na actualmente designada “Ponta do Padrão” (6º sul de latitude).

Prosseguiria ainda para sul, chegando até ao Cabo Lobo, a 13º 6’ de latitude sul (já na costa sul de Angola), concluindo erroneamente ter chegado à extremidade do continente africano, erro que D. João II não perdoaria.

Entretanto, em 1484, a requerimento de Cristóvão Colombo, D. João II conceder-lhe-ia uma audiência, na qual o navegador solicitaria financiamento para concretizar a sua ideia de expedição à Índia navegando para ocidente (rota sugerida por Toscanelli).

Porém, com base no parecer da Junta de Cosmógrafos, o projecto de Colombo seria reprovado.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Em 1481, já como rei, D. João II mandaria construir a Fortaleza de São Jorge da Mina (Elmina), na Costa do Ouro, próximo de Acra, no actual Gana (cuja construção foi concluída em 1482), que seria dirigida por Diogo de Azambuja, no que viria a converter-se no primeiro grande entreposto de escravos, ao mesmo tempo que garantia uma base naval de defesa do monopólio do comércio africano.

Esta iniciativa integrava-se num plano mais vasto, compreendendo: (i) a dinamização das viagens oceânicas de reconhecimento; (ii) a criação da Junta dos Matemáticos ou Junta dos Cosmógrafos; (iii) a disseminação de uma rede de espiões, por várias cortes europeias e na região muçulmana; a par de (iv) uma política de sigilo.

A incessante e quase obsessiva procura do “Preste João” intensificava-se então, com sucessivas expedições de reconhecimento, por terra e por mar, surgindo então fortemente associada à busca das especiarias asiáticas (destacando-se, de entre todas, a pimenta, artigo de fundamental importância nos séculos XV e XVI, imprescindível para condimentar o sabor alimentar do gado abatido e conservado em sal e que – principalmente na época do seu comércio terrestre, via mercadores de Veneza – atingia preços elevadíssimos na Europa).

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

D. João II, o “Príncipe Perfeito” – cujo reinado atravessaria o período de 1481 a 1495 – daria o decisivo impulso final para os Descobrimentos.

Ainda como príncipe – e enquanto regente, durante as ausências de D. Afonso V, nas campanhas de Marrocos e no conflito de sucessão do trono de Castela –, já desde 1475 (expirado o contrato com Fernão Gomes), contando então 20 anos, lhe fora atribuída a responsabilidade pela direcção e desenvolvimento deste grandioso empreendimento, que se assumiria então, definitivamente, como a ambição de contornar a extremidade sul de África e chegar à Índia.

Fora já D. João, um entusiástico imperialista, a negociar as pazes com Isabel I (na sequência do conflito de 1474-1479), dando origem ao Tratado de Alcáçovas (1479) – ratificado em Toledo em 1480 – pelo qual era instituída uma primeira linha divisória, horizontal, definindo a zona de expansão portuguesa, a sul do Cabo Bojador e das Canárias, ilhas cuja posse era, definitivamente, conferida a Castela.

De imediato, o regente instituiria, por carta régia de Abril de 1480 – reconhecida pelo Papa –, um novo regime marítimo, o “Mare Clausum”, que vigoraria durante cerca de 150 anos.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
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- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Em 1470, Soeiro da Costa exploraria a zona de costa entre o Cabo Mensurado (na actual Libéria) e o Cabo das Três Pontas (no actual Gana).

Seguiu-se, em 1472, a descoberta do arquipélago de São Tomé e Príncipe; e, no ano seguinte, da ilha de Fernando Pó (descoberta pelo navegador que lhe daria o nome). Viriam a constituir as primeiras colónias na África Equatorial, no Golfo da Guiné, ao largo da costa do actual Gabão.

Seriam os navegadores de Fernão Gomes os primeiros a cruzar a linha do Equador, tendo chegado, em 1475, à ponta de Santa Catarina (localizada a 2º sul de latitude, correspondendo ao actual Porto Gentil, no Gabão)… não obstante tenham passado também pelo equívoco de, ao dobrar o Cabo das Palmas (na actual Libéria), terem pensado completar o contorno da extremidade sul africana.

Em 1476, Afonso V era derrotado pelos castelhanos em Toro, enquanto D. João repelia a invasão castelhana de Portugal.

Nessa altura, registam-se também expedições de Castela à costa da Guiné, mas que não seriam bem sucedidas, optando os reis católicos por se focalizarem na plataforma das Canárias, virando-se ainda para a costa marroquina, começando também a comerciar com a Mauritânia.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Com D. Afonso V, o “Africano” – não obstante nova bula papal, de 1455, concedendo a Portugal o monopólio de toda a navegação e comércio na costa africana a sul do Bojador – verifica-se uma inflexão de política, centrando-se as atenções na África Árabe, com nova insistência nas investidas marroquinas, com o ataque e conquista, em 1458, de Alcácer-Ceguer (cidade fortificada, em Marrocos), ainda com a participação do Infante D. Henrique; nova tentativa, mais uma vez fracassada, em 1464, de tomada de Tânger; e, ainda em 1471, outra expedição a Marrocos, liderada pelo próprio rei, com a conquista de Arzila, ocupação de Tânger e de Larache.

O desenvolvimento das explorações marítimas seria então assegurado – a partir de 1469 – pela concessão ao mercador Fernão Gomes, atribuindo-lhe o direito exclusivo a navegar e comerciar no litoral africano, em contrapartida da descoberta de 100 léguas por ano, num período de 6 anos, e do pagamento de uma taxa anual de 300 mil reais.

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- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
- “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

Em Maio de 1449, as intrigas da nobreza colocariam o sobrinho (D. Afonso V) contra o tio (infante D. Pedro), vindo os seus exércitos a enfrentar-se na batalha de Alfarrobeira, na qual D. Pedro perderia a vida. As perturbações políticas imporiam uma pausa nas explorações, apenas retomadas em 1455.

Nessa ocasião, seriam contratados três navegadores italianos, os genoveses Antonio Usodimare, Antonio de Noli e o veneziano Alvise de Cadamosto, que viria a ser um precursor nos relatos de viagens.

Entretanto, em 1454, Afonso V concedera à Ordem de Cristo e ao Infante D. Henrique a administração espiritual e jurisdicional de todas as terras conquistadas ou a conquistar na Guiné, Núbia e Etiópia.

Em 1456, eram descobertas as primeiras ilhas de Cabo Verde (descoberta que se prolongaria nos anos de 1460 a 1462).

Ao falecer, a 13 de Novembro de 1460, com 64 anos, o infante D. Henrique havia sido responsável pela descoberta de cerca de 1/3 da costa africana, até ao paralelo da Serra Leoa, pela colonização da Madeira e Açores, assim como pela introdução da produção de açúcar e pelo tráfico de escravos.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento - A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Descobrimentos - História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
- “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
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- “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
- “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007

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