Qua 26 Set 2007
DESCRIÇÃO GERAL DA VIAGEM (I)
Publicado por Leonel Vicente em Diário navegação Nau São Martinho - Gaspar Reimão[2] Comentários
“A partida do Tejo teve lugar às nove horas da manhã de 5 de Abril de 1597. Já no mar alto, a acção conjunta dos ventos e mar não foi de molde a propiciar um rumo mais directo à Madeira – precisamente ao sudoeste – do que os que foram (ou puderam ser) levados a efeito. Assim, em lugar desse rumo, que naturalmente traduzia menor caminho, a nau derivou algo para rumos mais chegados ao sul, em virtude de esta derivar nessa direcção, mesmo desaparelhada de quase todo o velame.
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Reimão sabia perfeitamente que, depois de dar o dito resguardo nas singraduras precedentes, avistaria a Madeira, Porto Santo ou Desertas rumando para oeste quando em latitudes de 33 a 32 graus, facto que comprovámos quer nesta viagem quer na anterior, de 1595, que fora realizada pela nau São Pantaleão.
Seis dias após a partida do Tejo, a 11 de Abril, a nau tinha percorrido 159 léguas de caminho e encontrava-se a 8 léguas de distância da Deserta Grande.
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Durante os dias 12 e 13 de Abril, a nau rumou ao sudoeste, talvez com o objectivo de se dirigir à Ilha da Palma como acontecera na viagem precedente. Contudo, a presença de ventos contrários do sul e sussudoeste teria malogrado tal tentativa, levando a nau, em rumos do quadrante sueste, a passar à vista das Selvagens na manhã de 16 de Abril.
Com a mudança dos ventos para oesnoroeste e nornordeste, verificada nas duas singraduras imediatas, a nau pôde rumar direita à ponta do nordeste da Ilha de Tenerife para depois embalar pelo meio do canal (por «meia boroa», diz o diário) que a separa da Grã-Canária.
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Seguidamente, até 25 de Abril, a nau foi levada a descrever uma trajectória quase paralela à linha da costa africana, primeiro ao sussudoeste, depois a rumos progressivamente mais chegados ao sul, navegando a boa velocidade (a cerca de 29 léguas por dia, em média) por acção de ventos frescos ou ventantes predominantemente do nornordeste e do norte. Desta forma, a 20 e 21, a nau situava-se a 35 léguas da costa de África; em 22, a 32 léguas do Cabo Branco; e a 25 de Abril, a nau encontrava-se a 55 léguas da costa, a leste-oeste com a Ilha de Santo Antão (Cabo Verde).
Desde Lisboa a nau tinha percorrido quatrocentas e cinquenta e quatro léguas.”
in “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, pp. 4 e 5