Descoberta do Brasil


A nau capitânia integrava um total de cerca de 190 tripulantes: para além do próprio capitão-mor, Pedro Álvares Cabral, cerca de 80 marinheiros e 70 soldados, para além de uma trintena de outros membros, desde serviçais, degredados, oito frades franciscanos e intérpretes, assim como os futuros funcionários da feitoria de Calecute, liderados pelo feitor-mor Aires Correia, e nos quais se incluía Pêro Vaz de Caminha, que seria o futuro escrivão da feitoria.

A sota-capitânia (denominada El-Rei), comandada pelo nobre castelhano Sancho (Pêro) de Tovar (vice-comandante da expedição), refugiado em Portugal, transportava cerca de 160 pessoas.

As restantes cinco naus (que o historiador Francisco Varnhagen defendeu, em 1854, terem os nomes de Espírito Santo, Santa Cruz, Flor de la Mar, Vitória e Espera), cada uma delas com uma tripulação de aproximadamente 150 homens, eram capitaneadas por Simão de Miranda de Azevedo (membro da nobreza), Aires Gomes da Silva, Simão de Pina (também de origem nobre), Vasco de Ataíde (“cavalheiro”) e Nicolau Coelho, um dos maiores navegadores de sempre, que integrara a expedição de Vasco da Gama, como capitão da nau Bérrio.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
- “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000

Na mesma carta, o monarca português dava «muitos louvores ao Senhor Deus neste feito e por nos ser dito haver nessas partes gentes cristãs, que será o principal nosso desejo para convosco havermos de conversar».

Por seu lado a bula Cum sicut, do Papa Alexandre VI, de 26 de Março de 1500, viria conceder ao rei de Portugal o direito de nomear um comissário apostólico para superintender nos domínios portugueses do Cabo da Boa Esperança até à Índia.

Para além destes documentos, destacam-se ainda as instruções redigidas por Vasco da Gama – com indicações náuticas, de rota a seguir (com referência à que se tornaria famosa «volta do mar»), e sobre locais de reabastecimento de água, para além de orientações sobre a própria organização da esquadra –, assim como o regimento real, com instruções sobre o comportamento a adoptar na Índia, em particular o objectivo de impressionar o rei de Calecute, manifestando-lhe todo o interesse em estabelecer com ele paz e «boa vontade», «amizade e concórdia», a par da necessária atitude de prudência ou cautela, vistas as vicissitudes sofridas pela expedição de Vasco da Gama, para além de ordens no sentido da urgência na viagem de regresso e no cuidado na preservação da carga.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
- “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000

Integravam a esquadra capitaneada por Pedro Álvares Cabral – indigitado por carta régia em Fevereiro de 1500, assumindo efectivamente o papel de chefe militar da missão, com a condução técnica a ser assegurada por navegadores experientes, como Pêro Escobar e Nicolau Coelho, beneficiando também da experiência de Bartolomeu Dias e Diogo Dias –, num total estimado entre 1200 e 1500 tripulantes, membros de todos os estratos sociais, desde a nobreza, com destaque para os capitães das restantes 12 embarcações, até aos degredados, passando pelos imediatos, contramestres, guardas, marinheiros, grumetes e artesãos (carpinteiros, tanoeiros, sapateiros e alfaiates), para além de religiosos (com destaque para o frei D. Henrique Soares de Coimbra) e físicos ou médicos (incluindo o cirurgião Mestre João).

De acordo com carta de D. Manuel, datada de 1 de Março de 1500, de que foi portador Pedro Álvares Cabral, a entregar ao Samorim de Calecute, o rei tivera nomeadamente o cuidado de juntar com os marinheiros e soldados, «pessoas religiosas e doutrinadas na fé e religião cristã, e também ornamentos eclesiásticos para celebrarem os ofícios divinos e sacramentos», de forma a apresentar a religião praticada pelos portugueses.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
- “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000

Os preparativos para a partida haviam sido iniciados na manhã de Domingo, dia 8 de Março, reunindo-se em Belém, junto à capela da Ermida de São Jerónimo, o cortejo real, com os capitães da armada e banqueiros que financiavam a expedição, sendo a cerimónia religiosa presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz, também eminente matemático e cosmógrafo, tendo nela sido benzida a bandeira da Ordem de Cristo que o Rei D. Manuel I entregaria a Pedro Álvares Cabral.

Nas palavras do cronista João de Barros (nas “Décadas da Ásia”), «A maior parte do povo de Lisboa, por ser dia de festa e mais tão celebrada por el-Rei, cobria aquelas praias e campos de Belém», assim reforçando a narrativa do ambiente festivo: «E o que mais levantava o espírito destas cousas, eram as trombetas, atabaques, cestros, tambores, flautas, pandeiros e até gaitas […]».

A frota era composta por duas divisões: a primeira, integrando, para além da nau capitânia e da sota-capitânia, cinco naus, duas caravelas, uma nau mercante e uma naveta de mantimentos, dirigia-se a Calecute, na Índia; a segunda, incluindo apenas uma nau e uma caravela redonda, tinha por destino a cidade de Sofala (no actual Moçambique).

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
- “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000

«E assim seguimos nosso caminho por este mar e longo, até terça-feira d’oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas, os quais eram muita quantidade d’ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d’asno..

E à quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz – carta de Pêro Vaz de Caminha.

Pouco mais de 6 meses depois do regresso a Lisboa (no final de Agosto de 1499) de Vasco da Gama, após a sua épica expedição de descoberta do caminho marítimo para a Índia, e aproveitando o período favorável à navegação, a 9 de Março de 1500, Pedro Álvares Cabral – comandando uma frota formada provavelmente por 13 embarcações (possivelmente dez naus, para além de três “navios redondos”, de porte mais reduzido – caravelas com velame quadrangular) – iniciava a segunda expedição marítima à Índia, tendo por missão principal a de instalar um entreposto português em Calecute que possibilitasse assegurar o monopólio do comércio de especiarias, ao mesmo tempo que visava impressionar o Samorim com o poderio e aparato da armada lusa.

Bibliografia consultada

- “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
- “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
- “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000

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