Autores


Polígrafo (Évora, 1470 – Évora, 3 de Fevereiro de 1536). Natural de uma família de origem nobre, em 1490, era moço de câmara de D. João II, passando depois a secretário particular. Foi pessoa de grande confiança deste monarca, bem como de D. Manuel e de D. João III. Os três monarcas, por seu lado, souberam retribuir os préstimos de Garcia de Resende. Em 1498, acompanhou D. Manuel e D. Isabel a Toledo, onde foram jurados sucessores dos Reis Católicos. Foi escrivão da Fazenda do príncipe D. João (o futuro D. João III). Arquitecto, músico, poeta e historiador realizou o seu maior feito ao compilar o Cancioneiro Geral (1516), onde se incluíram obras destacadas situadas no período entre a época medieval e o início do clássico. Alguns dos nomes incluídos no Cancioneiro Geral são escritores como Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e Gil Vicente, que considerava Garcia de Resende um homem sabedor. No Prólogo do cancioneiro denota-se o significado que dava à exaltação dos feitos portugueses e à importância dos escritores aí encontrarem a sua inspiração: “Se os escritores se quisessem ocupar a verdadeiramente escrever nos feitos de Roma, Tróia e todas outras antigas crónicas e estórias, nam achariam mores façanhas nem mais notáveis feitos que os que dos nossos naturais se podiam escrever, assi dos tempos passados como d’agora: tantos reinos e senhorios, cidades, vilas, castelos, per mar e per terra tantas mil légoas, per força d’armas tomados, sendo tanta a multidão de gente dos contrairos e tam pouca a dos nossos, sostidos com tantos trabalhos, guerras, fomes e cercos”. Entre os seus escritos, conta-se Trovas à Morte de D. Inês de Castro, a primeira produção poética alusiva à morte da amada de D. Pedro I, Vida e Feitos de D. João II (1545) e Miscelânia a Variedade de Histórias (1554). De recordar ainda que em 1520 mandou edificar uma capela em honra de Nossa Senhora, na cerca do convento do Espinheiro. Viveu os seus últimos anos nas propriedades que tinha em Évora.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Humanista (Évora, 1500? – Évora, 9 de Dezembro de 1573), estudou no Convento de São Domingos e nas universidades de Alcalá de Henares e Salamanca. Viajou ainda para outros locais da Europa, entre os quais Lovaina, onde frequentou o círculo de amigos de Erasmo. Cerca de 1531, residiu com o embaixador português junto da corte de Carlos V, em Bruxelas. Encontrava-se já em Portugal, no Convento de São Domingos, em Évora, quando, em 1533, D. João III o convidou para ser professor dos infantes seus irmãos e, particularmente, de D. Duarte (de quem escreveu uma biografia em 1567), sob o título Vida do Infante D. Duarte. De 1534 a 1565, pregou nos sínodos de Évora. Tido como grande orador sacro, pronunciou diversos discursos, designadamente nas entradas em Évora da princesa D. Joana, em 1552, e de D. Sebastião em 1569. Foi considerado o iniciador da arqueologia em Portugal. Publicou diversos trabalhos literários, na maioria em latim, designadamente Carmen Eruditum et Elegans… (1531, mais tarde conhecido por Encomium Erasmi, onde pela primeira vez aparece a palavra lusíadas, como sinónimo de portugueses). Algumas obras, entre os seus mais de 100 títulos: De Verborum Conjugatione (1540), De Vita Aulica (1535), História da Antiguidade da Cidade de Évora (1553) e De Antiquitatibus (1593).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Piloto (séculos XVI e XVII). Alcançou o lugar de piloto-mor do Reino. Foi sota-piloto das naus São Tomé e São Filipe. Já como piloto, entre 1595 e 1596, pilotou a São Pantaleão, de Lisboa à Índia e no regresso. Rumou novamente ao Oriente em 1597 e, no regresso, pilotou a Santa Maria do Castelo, mas viajaria outras vezes ao Oriente. Deixou importantes escritos, como Roteiro da Navegação da Carreira da Índia e Tratado dos Grandes Trabalhos que Passarão os Portugueses que se Salvarão do Espantoso Naufrágio que Fez a Nau São Tomé.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Padre (Mesão Frio, ?-Lisboa, 7 de Maio de 1622). Professou na Companhia de Jesus em 1559 e tinha o dom da arte de escrever, pelo que foi mestre de D. Sebastião, tendo-o ensinado a “fazer caracteres na perfeição”. Conviveu com D. Sebastião desde tenra idade até à partida deste para Alcácer Quibir. Depois da morte do monarca, foi uma das pessoas que tratou do resgate dos cativos, tendo, para esse efeito, viajado até Argel. Escreveu o manuscrito Relação da Vida d’El-Rei D. Sebastião, editado em 1977. Foi ainda autor de Compendio de Algumas Cartas Que Este Anno de 1597 Vieram dos Padres da Companhia de Jesus, Que Residem na Índia e Costa do Grão-Mogor; e Reinos da China e Japão, e No Brasil, em Que Se Contem Varias Cousas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Historiador italiano (Veneza, 1485 – 1557). Desempenhou vários cargos públicos na terra natal, mas ficou conhecido pela obra Delle Navigationi et Viaggi, onde reuniu roteiros e relatos de viagens traduzidos para italiano. A colecção incluiu textos alusivos às navegações de Tomé Lopes, Cadamosto e de Pedro de Sintra, os diários das viagens de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral, entre outros.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Historiador e missionário (Amarante ou Canaveses, 1617 – Goa, 12 de Abril de 1688). Ingressou na Companhia de Jesus e tornou-se jesuíta. Viajou para a Índia em 1635. Desempenhou as funções de reitor dos colégios de Taná e Baçaim, foi deputado do Santo Ofício e provincial da companhia. Em 1670, foi escolhido por D. Pedro II para ser patriarca de Etiópia, mas não foi aceite por Roma. Com o livro Conquista Temporal e Espiritual de Ceilão, foi considerado o maior historiador do Ceilão actual Sri Lanka. Escreveu também História da Vida do Venerável Irmão Pedro de Basto.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Cosmógrafo e piloto (séculos XV e XVI). Ficou conhecido pela edição do Livro de Marinharia, onde permanecem registados os regimentos náuticos e roteiros de navegação oriental. Neste faz o testemunho do conhecimento dos pilotos portugueses sobre a náutica oriental. Apesar de pouco extensa, esta obra tornou-se bastante importante por apresentar fragmentos de tábuas da declinação do sol, referentes a quadriénios do século XV.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Viajante e escritor (Montemor-o-Velho, 1510? – Almada, 1583). Oriundo de uma família modesta, trabalhou em casas nobres e foi moço de câmara de D. Jorge, filho bastardo de D. João II. Em 1537, a vontade de adquirir fortuna levou-o a embarcar para a Índia, mantendo-se no Oriente quase duas décadas. Durante esses anos levou a cabo várias viagens e aventuras, alternando-as com o exercício de funções oficiais ao serviço de dirigentes do império oriental português. Foi soldado e marinheiro, comerciante e pirata, feitor e diplomata, tendo sido “treze vezes cativo e dezassete vendido”, como ele próprio afirmava. Foi um dos primeiros portugueses a chegar ao Japão, onde terá desembarcado com São Francisco Xavier e outros jesuítas, que também acompanhou à China. Sabe-se, aliás, que em 1554, passou, como leigo, a pertencer à Companhia de Jesus, à qual esteve ligado durante um largo período. Regressado a Portugal em 1558 com alguma riqueza, tentou ser recompensado pelas missões no Oriente, mas só pouco antes de falecer é que lhe seria concedida uma pequena tença, por ordem de Filipe I. Foi já depois do regresso ao reino que se dedicou à redacção da Peregrinação, uma obra extraordinária onde conjuga o relato das suas experiências pessoais com descrições dos lugares e gentes que conheceu. Considerada uma obra-prima no campo da literatura de viagens, a Peregrinação só foi publicada em 1614, muito depois da morte de Fernão Mendes Pinto, e, ao que parece, com diversas alterações, algumas delas efectuadas por jesuítas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Cronista (Guarda, 1440? – Lisboa, 1522?). Foi considerado o herdeiro da obra de Fernão Lopes, por ter sido incumbido de continuar a escrever a Crónica Geral do Reino. Como enviado de D. João II partiu em missões oficiais ao estrangeiro, a partir de 1482, e o monarca viria a torná-lo seu testamenteiro. Após a descoberta da América foi enviado para Barcelona, como embaixador, com o propósito de levar a cabo as negociações que culminaram com a assinatura do Tratado de Tordesilhas. Foi nomeado cronista-mor do reino, por D. Manuel, em 1497, e ainda guarda-mor da Torre do Tombo e da Livraria Régia. Concluiu as crónicas de D. Duarte, D. Afonso V e de D. João II, deixando incompleta a de D. Manuel. Foi considerado o cronista que mais reflectiu a tendência que se vivia, na época, para a centralização do poder que se processava em Portugal, identificando o poder real com o divino.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Cosmógrafo (Lisboa, 1650 – Lisboa, 1719). Filho de Luís Serrão Pimentel, sucedeu ao pai no cargo de cosmógrafo-mor do reino, no ano de 1687. Aquando da delimitação das fronteiras da colónia do Sacramento, foi um dos geógrafos escolhidos para o referido trabalho. Foi ainda professor do futuro rei D. José. À semelhança do seu pai, também deixou obra publicada, nomeadamente a que o tornou célebre: Arte de Navegar e Roteiro das Viagens e Costas Marítimas do Brasil, Guiné, Angola e Ilhas Orientais e Ocidentais (1699).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Cosmógrafo (Lisboa, 4 de Fevereiro de 1613 – Lisboa, 1679). Após um período com os jesuítas, optou enveredar pela carreira militar. Embarcou então numa nau que se dirigia à Índia, em 1631, mas quando aportou no Brasil, a mesma teve de regressar ao reino, onde se dedicou ao estudo da matemática. Em 1641 passou a ser cosmógrafo-mor e professor da Aula da Fortificação e Arquitectura Militar, criada por D. João IV. A partir de 1663 acumulou o cargo de engenheiro-mor. No decorrer das campanhas da Restauração deu um importante contributo na qualidade de engenheiro-mor do reino e tenente-general de artilharia. Deixou alguns trabalhos publicados, como Roteiro do Mar Mediterrâneo (1675).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Roteirista e cartógrafo (século XVI). Residente na Índia desde o ano de 1547, quando regressava ao reino, sete anos depois, sofreu um naufrágio perto do cabo da Boa Esperança. O acontecimento, que vitimou 473 pessoas e gerou as aventuras das 25 que sobreviveram, encontra-se referido na sua obra História Trágico-Marítima (1735). Redigiu ainda o Roteiro do Cabo da Boa Esperança ao das Correntes, na sequência de ter sido encarregado de proceder ao reconhecimento da costa africana, uma obra que, durante mais de dois séculos, foi fundamental à navegação.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Militar e cosmógrafo (1460? – 1530?). Embora existam dúvidas, é provável que tenha nascido em Lisboa e que fosse descendente de Diogo Lopes Pacheco, um dos executores de D. Inês de Castro. Ao contrário do que se pensou, Duarte Pacheco Pereira não participou na conquista de Arzila (1471) nem em Alcácer Ceguer (1458), tanto mais que nesta última ainda não teria nascido. Sabe-se que depois de 1480 navegou pela costa da Guiné, o que lhe valeu ser feito cavaleiro pelo rei, e que em 1488 se encontrava na ilha do Príncipe, de onde regressou ao reino com Bartolomeu Dias. Participou na delegação portuguesa que negociou o Tratado de Tordesilhas, em 1494, e quatro anos mais tarde D. Manuel tê-lo-á encarregado de uma secreta expedição relacionada com as demarcações do referido tratado. Partiu para a Índia com Afonso de Albuquerque, em 1503 e, um ano mais tarde, pela sua lendária defesa de Cochim, mereceu por parte de Camões, o epíteto de Aquiles Lusitano. Regressado ao reino em 1505, foi recebido por D. Manuel com grandes honras, enquanto os seus feitos eram exaltados pelo povo. Terá sido nessa altura que passou a dedicar-se à redacção do Esmeraldo de Situ Orbis, que lhe valeu ser considerado um dos expoentes da escola náutica portuguesa e um dos primeiros cientistas portugueses. Voltou a destacar-se em 1509, quando na defesa da costa portuguesa venceu o pirata francês Mondragon, apreendendo-lhe parte da frota. Em 1511 comandou uma esquadra de socorro a Tânger, regressando então a Lisboa, onde casou com a filha de um secretário de D. Manuel. Foi ainda capitão e governador de São Jorge da Mina, entre 1519 e 1522, sendo então preso e enviado para Lisboa. Não se sabe ao certo a razão deste castigo, embora alguns relatos apontem para o facto de se ter envolvido em actividades ilícitas de tráfico de ouro. Posteriormente, foi reabilitado por D. João III.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Viajante. Foi um dos viajantes que ligou, por terra, Portugal à Índia, tendo publicado a obra Caminho que Fez da Índia para Portugal.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Médico e naturalista (Castelo de Vide, 1500? – Goa, 1568). Estudou em Salamanca e em Alcalá, onde se formou em Artes, Filosofia Natural e Medicina. Em 1523 regressou à terra natal, onde começou a exercer medicina, partindo para Lisboa em 1525, onde foi médico de D. João III. Em 1534 embarcou para a Índia, para desempenhar a sua profissão. Os seus estudos botânicos tornaram-no célebre. O livro Colóquio dos Simples e Drogas Medicinais da Índia, datado de 1563, tornou-se um marco milenário da história da medicina e da botânica, já que neste consta a primeira descrição da cólera e de doenças exóticas com métodos terapêuticos e faz a descrição de várias plantas asiáticas e drogas dos reinos vegetal e animal.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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