Março 2009
Monthly Archive
Ter 31 Mar 2009
Em mais uma gentil oferta do historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto, tenho o prazer de iniciar - a partir de amanhã, no Carreira da Índia – a divulgação de uma série de textos que serviram de base a um conjunto de programas de rádio, emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, numa rubrica intitulada “Era uma vez… Portugal”.
Visando preservar a fidelidade face aos textos originais, optei pela sua publicação tal como me foram disponibilizados pelo autor, mantendo marcas de oralidade e não obstante se encontrarem em alguns casos “datados” (nomeadamente na referência a efemérides históricas).
Nesta oportunidade, os artigos seleccionados para publicação são os que, versando temáticas dos descobrimentos e expansão ultramarina, se enquadram no âmbito deste blogue.
Paulo Jorge de Sousa Pinto é actualmente Doutorando na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, sendo também Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. A sua área de actividade científica e domínio de especialização é a História da Expansão Portuguesa, História da Ásia do Sueste.
Aqui reitero publicamente o meu agradecimento ao autor pela disponibilidade e cortesia manifestadas, ao facultar a publicação neste blogue dos referidos textos.
Ter 31 Mar 2009
Governador ultramarino (1744-1819), foi segundo conde de Resende. Governador-geral do Brasil, entre 1790 e 1801, concedeu especial protecção à agricultura brasileira e fiscalizou os navios de guerra estrangeiros, sobretudo os de origem inglesa e francesa.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Seg 30 Mar 2009
Governador ultramarino (1752-1817). Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, foi governador da Baía e, posteriormente, vice-rei do Brasil (1804-1806). Conhecedor das questões daquela província, assumiu a pasta do Reino no governo formado depois da chegada da família real ao Rio de Janeiro. Mais tarde, recebeu o título de segundo conde de Aguiar.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 27 Mar 2009
Militar (? – 1718), foi vice-rei da Índia. Filho de António de Melo e Castro, vice-rei da Índia, depois de uma viagem ao Oriente, em 1683 foi nomeado capitão-general de Sena, Sofala e Moçambique (ilha). Já em Portugal, em 1693 recebeu o governo de Pernambuco, para onde partiu três anos depois. No exercício do cargo, reprimiu eficazmente a conhecida revolta dos escravos de Palmares, vindo a ser nomeado vice-rei da Índia, como reconhecimento pelos serviços prestados à Coroa portuguesa. Regressado a Portugal, em 1707, foi agraciado com a comenda de Santa Maria de Oliveira de Azeméis.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qui 26 Mar 2009
Governador ultramarino (1668-1753). Quarto conde das Galveias, foi embaixador em Espanha, governador da província de Minas Gerais, vindo a notabilizar-se como quinto vice-rei do Brasil (1735-1749). Durante a sua governação, face a uma investida espanhola (1736), foi em auxílio da colónia do Sacramento, que assim conseguiu resistir ao inimigo. Dotado de um carácter enérgico, remodelou o sistema militar, através da criação de corpos de tropas na Baía e em Itaparica, tendo ainda restaurado e fundado vários mosteiros, em Salvador. Igualmente preocupado com o povoamento do território, contribuiu para a criação de muitas localidades, particularmente no Paraná, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em Goiás.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 25 Mar 2009
Religioso (1754? – depois de 1821), ficou conhecido como o “pai da geografia brasileira”. Sabe-se que em 1769 estava fixado no Rio de Janeiro, onde era capelão da respectiva Misericórdia. É de sua autoria a Corografia Brasílica ou Relação Histórico-Geográfica do Reino do Brasil (2 vols., 1817), útil e criteriosa obra, realizada com base em relatórios de viagem, roteiros e documentos históricos e onde foi pela primeira vez publicada a Carta de Pêro Vaz de Caminha. Regressou a Portugal em 1821, desconhecendo-se a data da sua morte.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 24 Mar 2009
Explorador no Brasil. Em 1550, foi escolhido, pelo governador Martim Afonso de Sousa, para chefiar uma expedição encarregue de explorar o interior da região de Minas. Partindo da capitania de Porto Seguro, alcançou a serra dos Aimorés, tendo feito a primeira descoberta de ouro no Brasil.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Seg 23 Mar 2009
Governador ultramarino (Lisboa, 1655 – Luanda, 1725). Serviu por duas vezes no Brasil (1667-1671 e 1678-1701), onde ficou conhecido como o Herói do Amazonas, sendo nomeado governador do Maranhão-Grão-Pará. Mais tarde, combateu na Guerra de Sucessão de Espanha e foi governador de Olivença (1708). Nomeado governador do Rio de Janeiro (1708) e, em seguida, da recém-criada capitania de São Paulo e Minas Gerais, foi o fundador de Vila Rica de Ouro Preto e de outras povoações nas zonas da exploração aurífera. No continente desde 1713, assumiu ainda o governo de Angola (1721), exercendo o cargo até à data da sua morte.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 20 Mar 2009
Militar (1788-1841). Como tenente embarcou para o Brasil, tendo sido promovido a major em 1818. Neste ano seguiu para o Maranhão e foi eleito para fazer parte do governo provisório. De regresso ao reino foi promovido a tenente-general, tendo aderido às ideias liberais. Já como general, partiu para Inglaterra, militante da facção liberal. Esteve presente no Porto para combater os revoltosos, tendo feito parte do Estado-Maior de Palmela. Regressou depois a Inglaterra, onde redigiu Observações. Adverso à regência de D. Pedro, este expulsou-o do Exército, não tendo tomado parte na guerra civil. Após a vitória liberal voltou à pátria, mas foi preso. No entanto conseguiu ser eleito senador para o Parlamento, em 1838. Em 1839, D. Maria II incumbe-o de constituir novo governo em que sobraçou as pastas da Presidência, Guerra, Marinha e Negócios Estrangeiros.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 20 Mar 2009
Publicado por Leonel Vicente em
GeralComentários
Tendo por objectivos criar e consolidar hábitos de leitura, realiza-se amanhã (dia 21) em Goa uma “Maratona de Leitura“, tendo como público-alvo, primordialmente, os falantes e aprendentes de Português residentes em Goa, sendo também admitidas participações em Concani ou noutras línguas nacionais indianas.
Qui 19 Mar 2009
Cronista brasileiro (Rio de Janeiro, 1618? – Lisboa, 6 de Fevereiro de 1676). Com algumas obras publicadas, em 1658 foi nomeado, por D. Luísa de Gusmão, cronista geral do Brasil. Com a possibilidade de acesso a todos os livros e manuscritos que necessitasse, redigiu a sua Crónica, obra que não é certo que tenha terminado, pois os seus escritos viriam a perder-se.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 18 Mar 2009
Rainha de Portugal (Aranjuez, 1755 – Queluz, 1830). Filha de Carlos V de Espanha e de Maria Luísa de Parma, casou-se aos 10 anos com o futuro D. João VI, filho de D. Maria I. Em 1788, por morte de D. José, filho primogénito da rainha, D. Carlota Joaquina tornou-se a princesa herdeira. Possuidora de um feitio conflituoso, exuberante e voluntariosa, o próprio marido era vítima das suas agressões, sobretudo a partir de 1792, quando, por enlouquecimento de D. Maria I, D. João se tornou príncipe-regente. A partir de 1806, tornaram-se públicas as suas desavenças com o marido, a quem considerava excessivamente fraco e tolerante. Chegou mesmo a participar numa conjura para o afastar do governo, o que levou a que lhe fosse fixada residência em Queluz. Nunca mais viveriam juntos. Em 1808, na sequência da primeira invasão francesa, foi obrigada a exilar-se no Rio de Janeiro. Nessa altura, tendo Napoleão obrigado o seu pai e o seu irmão mais velho a abdicarem ao trono de Espanha, ambicionou poder vir a obter a coroa desse país e manter sob o seu poder as colónias espanholas da América do Sul. Para alcançar esse objectivo, contactou intensamente as autoridades locais daquelas possessões ultramarinas, mas os seus propósitos não chegariam a concretizar-se. Já em Lisboa, recusou-se terminantemente a jurar a Constituição de 1822, dedicando-se então a preparar a contra-revolução, que seria executada pelo seu filho D. Miguel; fixada na Quinta do Ramalhão, em Sintra, aí preparou a malograda sublevação de 27 de Maio de 1823, que ficou conhecida como Vila-Francada. No ano seguinte, levaria a cabo um novo golpe, a Abrilada. Tendo este falhado também, viu-se obrigada a regressar a Queluz, onde continuou a conspirar até à morte do monarca. Os seus objectivos triunfariam com regresso de D. Miguel a Portugal em 1828: auxiliado pela mãe, o infante executou um novo golpe de Estado que o elevou a rei absoluto. Até ao fim da vida, continuou a apoiar o filho, não chegando contudo a presenciar a futura derrota deste.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 17 Mar 2009
Missionário e escritor (Viana do Alentejo, 1540 – Baía, 27 de Janeiro de 1625). Membro da Companhia de Jesus, a partir de 1566, chegou ao Brasil em 1583, como secretário do visitador Cristóvão de Gouveia. Depois de exercer o cargo de reitor dos colégios do Rio e da Baía, foi nomeado procurador em Roma em entre 1604 e 1609, foi superior provincial. Esteve entretanto preso durante dois anos, depois de em 1601 ser sequestrado por piratas ingleses. Por esse facto, algumas das suas obras, apanhadas aquando da sua prisão, foram publicadas em inglês (1625). O seu Tratado da Terra e da Gente do Brasil (veio a lume só em 1925) faz deste padre um dos clássicos da antropologia cultural brasileira.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 17 Mar 2009
Em 1640, numa altura em que o Estado da Índia atravessava as maiores dificuldades e a V.O.C. (Companhia das Índias Orientais) holandesa vivia os seus dias de maior pujança, os holandeses julgaram ter chegado a hora de tentar uma nova investida contra Malaca. O comércio desta encontrava-se então reduzido ao trato de mercadorias de segunda categoria, mediante a exploração de rotas de curto e médio curso, com pequenos navios de remo, os únicos capazes de escapar às naus inimigas. O cerco demorou vários meses, saldando-se em pesadas baixas e na destruição de parte da cidade. Apesar da completa falta de reforços da Índia, do número reduzido de defensores e das próprias querelas internas, nomeadamente entre os capitães Diogo Coutinho Docem e Luís Martins Chichorro, a cidade resistiu até Janeiro de 1641.
Malaca nunca mais voltou a reaver o antigo fulgor. A conquista holandesa valeu sobretudo pelo prestígio de obter a antiga capital malaia e desferir o golpe de misericórdia aos rivais portugueses; a capital da V.O.C. permaneceu, contudo, em Batávia. A ocupação holandesa foi severa para com os vestígios da presença portuguesa: igrejas destruídas ou transformadas em dependências militares, A Famosa tornada armazém, proibição do culto católico. O centro de influência portuguesa na região transferiu-se para Macassar e, posteriormente, para Timor. Só nas primeiras décadas do século XVIII é que a ortodoxia calvinista permitiria a abertura de uma igreja católica em Malaca. O período de domínio britânico não foi menos ingrato: a demolição integral do impressionante complexo fortificado (de que só resta hoje uma porta, a de Santiago), a transferência da capital administrativa para a ilha de Penang e a fundação de Singapura consumaram o apagamento de Malaca. No que toca à presença portuguesa, resta hoje uma pequena comunidade de mestiços cristãos, que falam um dialecto eivado de arcaísmos, chamado “papiá cristão” e que reclamam, com visível orgulho, a descendência portuguesa.
Paulo Jorge de Sousa Pinto. “Malaca: Uma encruzilhada de rotas e culturas” In Os Espaços de um Império – Estudos. Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999.
Seg 16 Mar 2009
Governador e capitão-general de Mato Grosso (vila do Ladário, Penalva do Castelo, 1739 – 1797). Oriundo de uma conceituada família da Beira, abraçou a carreira das armas, aos 18 anos, ascendendo a capitão em 1764. Nomeado quarto governador e capitão-general de Mato Grosso e Cuibá (Brasil), em 1771, embarcou pouco depois, mas a viagem seria demorada, apenas chegando ao seu destino em finais do ano seguinte. Exerceu o cargo durante 17 anos, sendo substituído pelo seu irmão João de Albuquerque. Dotado de grande ambição e energia, durante o seu governo foi responsável pela fundação de um número significativo de povoados, entre estes Albuquerque (futura cidade de Corumbá), Vila Maria de Paraguai (actual cidade de Cárceres) – que baptizou em homenagem à rainha D. Maria I –, Casal Vasco, Salinas e Viseu. Empenhou-se igualmente na defesa do amplo território, construindo diversos fortes, nomeadamente o de Coimbra e o do Príncipe da Beira, cujo nome representa uma homenagem ao príncipe D. José, filho de D. Maria I. Apesar das dificuldades, causadas não só pelos castelhanos que dominavam as terras a ocidente, mas sobretudo pelas tribos hostis, consolidou a soberania da Coroa portuguesa e expandiu consideravelmente os limites do território brasileiro, definindo parte da actual fronteira do país. Regressado a Portugal, D. Maria nomeou-o conselheiro de Capa e Espada do Conselho Ultramarino e cavaleiro da Ordem de Cristo, fixando-se em Lisboa para desempenhar essas funções.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
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