Janeiro 2009


Bandeirante (século XVIII). Em 1747, lançou-se na exploração de Arinos, até ao Amazonas e Belém, tendo fornecido a Francisco Pedro de Mendonça Gorjão informações sobre as suas descobertas relativas a minas de ouro. Veio a ser designado piloto-mor do Madeira. Foi-lhe concedida também a possibilidade de transportar o ouro que se produzia em Mato Grosso e que tinha como destino Lisboa.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Explorador espanhol (século XVI). Em 1537, fundou o posto da Candelária, após subida do rio Paraguai, numa missão que se integrava na ocupação espanhola da bacia do Prata.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Foi primeiro conde D. Luís de Almeida, nascido em data incerta e falecido em 1671. Foi mestre-de-campo de um terço de Infantaria na Guerra da Restauração e, mais tarde, embarcou para o Brasil, onde foi governador e capitão-general do Rio de Janeiro, entre 1652 e 1658. Foi também governador de Tânger, o derradeiro governador português, até esta praça ser cedida aos ingleses como dote de D. Catarina, filha de D. João IV e esposa do rei de Inglaterra Carlos II. Em 1664 foi nomeado governador do Algarve. Recebeu o título por carta de D. Afonso VI, datada de 17 de Fevereiro de 1664. […].

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Político (1700-1758). Foi décimo conde de Atouguia e também governador do Algarve. Por nomeação de D. João V, tornou-se vice-rei do Brasil (1749-1754), onde reorganizou o sistema militar e melhorou as condições de trabalho nas minas. Preocupou-se ainda em incrementar o comércio e foi “amigo” da Companhia de Jesus.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Neste ponto, Caminha suspendeu a pena e reflectiu que a ausência de ouro e prata seria, sem dúvida, uma triste notícia para o Rei Felicíssimo. Então, com uma ruga de preocupação a formar-se na testa, acrescentou depois de mais algumas considerações sobre a terra:

“Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecut, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.”

Parou de escrever e pensou como seria magnífica a obra de transformar aqueles gentios tão inocentes em cristãos! Notara que na graciosa fala dos homens da selva não havia os sons de três letras do A, B, C, que eram o F, o L e o R e quando disso falara ao Padre Henrique este lhe contestara com muita verdade: “Se não têm F, é porque não têm Fé em nenhuma cousa que adorem; se não têm L, é porque não têm Lei para se governarem e cada um faz a lei a seu modo; e se não têm R na sua pronunciação, é porque não têm Rei que os governe e a quem obedeçam”. Por isso, os portugueses e el-Rei D. Manuel poderiam preencher estas faltas e dar a este bom povo um mundo cristão, com rei e com polícia. Assim, Sua Alteza o desejasse, mesmo se naquela terra não houvesse ouro, prata e pedrarias! Suspirou, pondo de lado a missiva para el-Rei e tomando uma folha nova começou a escrever a Gonçalo. A pouco e pouco a ruga desfez-se e um sorriso divertido e terno assomou aos lábios do escrivão.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, pp. 118, 119

Fidalgo (Lisboa,?-16 de Agosto de 1665). Sexto conde de Atouguia, foi um dos conspiradores de 1640 e, após a aclamação de D. João IV, exerceu inúmeros cargos. Foi governador de Peniche, das armas de Trás-os-Montes, do Brasil e das armas do Alentejo, capitão-general da Armada Real, presidente da Junta do Comércio, conselheiro de Guerra e do Conselho de Estado e gentil-homem da Câmara do rei D. Afonso VI. Foi ainda comendador de Adaúfe e de Vila Velha de Ródão, na Ordem de Cristo. Como governador das armas de Trás-os-Montes repeliu uma incursão de tropas espanholas pela fronteira de Chaves. No Brasil, festejou a vitória final contra os holandeses. Durante esse período travou alguns actos de rebeldia dos índios. Deixou a obra Nobiliário das Famílias deste Reino, em quatro tomos.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Sentado à sua mesa retomou as folhas e releu o que tinha escrito, depois alisou num gesto maquinal a última, ainda incompleta, e molhando a pena no tinteiro começou a escrever:

“Creio, Senhor, que com estes dois degredados ficam mais dois grumetes, que esta noite se saíram desta nau no esquife, fugidos para terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão aqui, porque de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui partida.”

Não diria mais nada sobre os grumetes, seguindo a recomendação do Capitão-mor, esperando em Deus que se fizesse justiça e os moços ainda estivessem vivos quando tudo ficasse esclarecido e os verdadeiros criminosos justiçados. Com um suspiro, deu início à conclusão da sua carta:

“… até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem cousa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de mui bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.”

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 118

[…] O oitavo conde, D. Marcos de Noronha e Brito (1771-1828), foi o último vice-rei do Brasil. No regresso a Portugal foi preso sob a falsa acusação de ter contribuído para a independência do Brasil. Após rigoroso inquérito, foi ilibado e chegou mesmo a ser nomeado membro da regência que D. João VI instituiu por decreto de 7 de Março de 1826, sob a presidência da infanta D. Isabel Maria.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

O Capitão-mor decidira que na sexta-feira, dia primeiro de Maio, a Armada inteira desembarcaria para a cerimónia da Cruz e da despedida. Os batéis de todas as naus fizeram várias viagens até acabarem de despejar as suas gentes na praia e, por fim, Pedro Álvares Cabral embarcou no seu batel com os oficiais e a bandeira que lhe dera El-Rei D. Manuel.

– Será melhor chantar a Cruz ali, acima do rio e contra o sul, para melhor ser vista de quem venha do mar – ordenou aos seus homens, mal chegou a terra.

– E com a divisa e as armas d’El-Rei de Portugal, será um bom aviso para qualquer nação que aqui queira meter o dente – acrescentou Bartolomeu Dias.

Enquanto alguns grumetes faziam a cova, o Capitão-mor com todas as equipagens e os padres foram buscar a Cruz onde os carpinteiros a tinham deixado na terça-feira, abaixo do rio. Ali, os homens a tomaram sobre os ombros e logo se formou uma procissão, com os padres adiante a cantar cânticos de louvor a Jesus Cristo e à Virgem Maria. Muitos nativos se acercaram para ver o que faziam os estrangeiros e logo alguns se juntaram ao cortejo e, metendo-se por baixo da cruz, ajudaram a carregá-la até ao sítio onde seria cravada na terra. Armado um altar junto dela, Frei Henrique oficiou uma missa cantada, acolitada por todos os padres e observada por cerca de cinquenta indígenas que se ajoelhavam e erguiam as mãos ao céu, tal como viam fazer aos portugueses.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 115

Foi primeiro marquês (e também segundo conde de Vila Verde) D. Pedro António de Noronha de Albuquerque (1661-1731), senhor de vários lugares e vilas, alcaide-mor e comendador de Aljezur. O título foi-lhe atribuído por carta de D. João V datada de 21 de Janeiro de 1714. Brilhante militar foi o sexto marquês, D. João de Noronha Camões de Albuquerque Sousa Moniz (1788-1827), que se salientou nas batalhas do Buçaco e de Albuera e nas acções de Ciudad Rodrigo e Badajoz, todas na sequência das invasões francesas. Passou depois ao Brasil, onde foi governador da Baía (1814-1819). Quando voltou ao reino com a família real foi governador de armas do Minho (1826). Logo no início da revolta absolutista, tomou o partido dos liberais, tendo derrotado o inimigo na Ponte do Prado e em Ponte da Barca. […]

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Cabral queria partir para a Índia no Sábado, dia 2 de Maio, a fim de não perder a monção , mas precisava de mais informações da terra para enviar a El-Rei D. Manuel e Gonçalo recebera ordens de Diogo Dias para vir buscar o grupo e levá-lo de novo à aldeia dos seus amigos, a ver se desta vez os deixavam passar lá a noite como desejava e insistia o Capitão-mor. Foram novamente recebidos como hóspedes amigos e tudo se passou como no dia anterior, com Mateus cada vez mais confiante e cativado por Uapê e Arati que lhe pagavam na mesma moeda, servindo-lhe os melhores bocados do assado de tatu e as frutas mais saborosas. [...]

Na quarta-feira, Pedro Álvares Cabral passara quase todo o dia na naveta de Gaspar de Lemos, assistindo ao despejar dos mantimentos e sua distribuição pelos outros navios, por isso, com grande pena da marinhagem, só Sancho de Tovar foi a terra com um recado de Pêro Vaz de Caminha ao Assanhado para ir no dia seguinte pela manhã à nau capitânia, pois o escrivão queria registar na carta d’El-Rei as impressões dos últimos dias passados nas Terras da Vera Cruz e desejava ver os dois irmãos seus amigos, para melhor os descrever a Sua Alteza.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 99

Militar e político (Juromenha, 1685-Rio de Janeiro, 1 de Janeiro de 1763). Este homem, que ficou conhecido como conde da Bobadela, era sobrinho do general com o mesmo nome, foi moço-fidalgo do Conselho de D. João V e, posteriormente, de D. José I. Ocupou o cargo de sargento-mor de Cavalaria na corte e, a 25 de Abril de 1733, foi nomeado governador e capitão-general do Rio de Janeiro.

Durante os 29 anos que se seguiram, coube-lhe governar Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Cisplatina. A ele se ficaram a dever medidas fundamentais que levaram ao desenvolvimento destes territórios, nomeadamente nas áreas das obras públicas, culturais e de assistência. A seu mando, por exemplo, entrou em funcionamento a primeira tipografia no Rio de Janeiro, a qual, mais tarde, veio a ser encerrada por ordem da corte de Lisboa. Foi, também, por sua iniciativa que se ergueram diversas construções, como o Palácio do Governo, em Minas Gerais, por onde passou grande parte da riqueza do Brasil, pois ali funcionava a Casa da Fundição e a Intendência do Ouro. Mas foi a nível militar que demonstrou maiores dotes: dominou a rebelião dos índios de 1750, ordenou a prisão dos chefes nativos e a execução de Manuel Bequimão (líder da revolta dos Colonos). Após a morte de D. João V, o marquês de Pombal incumbiu-o de estabelecimento da fronteira meridional do Brasil, desde Castilhos Grandes à Foz do Jururu, missão que o obrigou a deixar o governo do Rio de Janeiro a seu irmão José António Freire de Andrade. Face ao seu empenho e por toda a obra erguida no Brasil foi apelidado de “Pai da Pátria”. Feito conde de Bobadela, a 8 de Outubro de 1758, apenas gozou o título durante cinco anos.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Depois de comer, Cabral mandou chamar à nau capitânia todos os capitães com os quais se reuniu em conselho na sua câmara para onde convocara já Pêro Vaz de Caminha.

– Senhores – disse o Capitão-mor sem delongas nem rodeios –, parece-vos bem que enviemos a nova do achamento desta terra a el-Rei Nosso Senhor? Podíamos dispensar o navio dos mantimentos…

– Sem dúvida! – concordou Bartolomeu Dias. – Por certo, Sua Alteza quererá mandar descobrir melhor esta terra e saber dela mais do que nós agora o podemos fazer, por irmos de viagem para a Índia.

Todos os capitães das naus e caravelas deram o seu acordo à proposta de Cabral que perguntou ainda:

– E que vos parece tomarmos por força um par destes homens, para os mandar a Sua Alteza, deixando aqui por eles dois dos nossos degredados?

– Desculpai, meu Capitão, mas isso parece-me escusado – disse Nicolau Coelho com firmeza. – Se os tomarmos por força e os levarmos, tal feito não servirá de nada a el-Rei, pois esta gente fala uma barbaria que ninguém entende e não haverá tempo de a aprender durante a viagem, nem de lhes ensinar a nossa.

– E mesmo que falassem a nossa língua ou nós falássemos a deles – acrescentou o escrivão Caminha, dominando a sua timidez –, quando são levados à força, os gentios costumam dizer que na sua terra há tudo o que lhe perguntamos, mesmo que não seja verdade, para nos deixarem satisfeitos e de bem com eles.

– Também o creio – apoiou Diogo Dias. – Muito melhor informação poderão dar dois ou três degredados que cá ficarem a aprender a língua e os usos da terra.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, pp. 76, 77

Militar (1752-1808). Filho de Gomes Freire de Andrade, patrocinou a conspiração de Tiradentes, enquanto exercia o cargo de tenente-coronel do Regimento dos Dragões, em Minas Gerais. Depois de descoberta a conspiração, foi preso e desterrado em Moçambique.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

No dia 20 de Janeiro de 1554, exactamente há 455 anos, nascia uma criança que iria mudar os destinos de Portugal. Era um rapaz. Órfão de pai. Viria a ser chamado de D. Sebastião e sob os seus ombros carregou as esperanças, as frustrações e os anseios de toda uma nação em crise. [...]

(Paulo Pinto, no Caminhos da Memória)

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