Julho 2008


Fidalgo (?-Alcácer Quibir, 1578). Era uma figura influente da corte de D. Sebastião. Membro do conselho de Estado, defendia o povoamento de África de uma forma mais sistemática. Homem letrado, também soube dar a protecção devida à população de Lisboa, aquando da peste de Lisboa, em 1569. Aconselhou D. Sebastião a partir para Alcácer Quibir, onde Jorge da Silva encontrou a morte.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Rico-homem (?-26 de Março de 1445), senhor de Vagos, São Marcos e de Unhão, era filho de Gonçalo Gomes da Silva e de D. Leonor Gonçalves Coutinho. Nomeado copeiro-mor em 1385, ascendeu a alferes-mor do reino, qualidade em que recebeu diversas missões diplomáticas e acompanhou D. João I na conquista de Ceuta (1415).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Franciscano (século XVI), foi confessor de D. João III e nomeado para o cargo de inquisidor-mor no reino de Portugal e no Ultramar, por Clemente VII, mas não chegou a assumir o posto. Foi bispo de Ceuta (1534-1539) e bispo de Braga (1540-1541).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

E chegamos assim ao que se pode considerar a quarta escala-tipo de referenciação no itinerário da Índia, depois do ilhéu da Cruz, do Zambeze e da ilha de Moçambique. [...]

Em Melinde, no que considero ser a quarta escala-tipo, a alteridade - que se sabe existir e que no texto aflora enquanto realidade pressuposta - é secundarizada pelo esforço de identificação pela via do poder. Ou seja, por outras palavras, nas escalas anteriores, encontramos duas culturas, duas civilizações, e, partir da ilha de Moçambique - duas religiões.

[…]

No dia 22 de Abril, conta Álvaro Velho, Vasco da Gama manda dizer ao sultão «que lhe mandasse os pilotos que lhe tinha prometido. E, como foi o recado, el-rei lhe mandou logo um piloto cristão… E folgámos muito com o piloto cristão que el-rei nos mandou». […]

Seja quem tenha sido este piloto, a sua intervenção foi fundamental para o êxito da última rota de Gama, desde Melinde a Calecute. Na realidade, os Portugueses, apesar de todas as iniciativas anteriores (nomeadamente a de Pêro da Covilhã), têm um conhecimento extremamente deficiente da geografia e das características desta região.

[…]

Foram 23 dias de viagem. Lê-se no roteiro que a 29 de Abril «houvemos vista do Norte, o qual havia muito que deixáramos de ver. E uma sexta-feira, que foram 18 de Maio, vimos uma terra alta, a qual havia vinte e três dias que não víramos terra». Finalmente avistam terra indostânica.

[…]

Tendo chegado às costas ocidentais da Índia, Vasco da Gama situa-se nas proximidades de Calecute, no dia 20 de Maio.

[...]

Dias depois, Vasco da Gama, acompanhado de doze homens, vai visitar o samorim.

[...]

Calecute constitui, assim, a quinta e última escala-tipo de referenciação no itinerário da Índia. Objectivo de toda a viagem, nesta cidade se assumem os contornos finais da aventura. Começam por ser os contornos do fracasso da negociação política: aqui já não é possível manter a encenação ensaiada em Melinde. E terminam por ser os contornos das motivações mercantis, a condicionarem tudo o que aí se passa: são estas motivações que estão na mente dos muçulmanos que intrigam junto do samorim, são elas que acabam por aflorar no comportamento dos portugueses e no próprio texto de Álvaro Velho.

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 164, 165, 167, 171, 172 e 181

Fidalgo (séculos XV e XVI). Foi camareiro-mor do rei D. João II e conselheiro de D. Manuel I. D. João II incumbiu-o de missões importantes em Marrocos e em Inglaterra. Em 1489, firmou um tratado com o rei de Fez pelo qual era permitido aos portugueses, cercados na Graciosa, retirarem com armas, artilharia e cavalos. Com D. Manuel I, foi regedor das justiças da Casa da Suplicação. Evidenciou-se por conseguir pôr cobro à chacina de cristãos-novos que a população lisboeta levava a cabo.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Retomando a viagem de Vasco da Gama, recordo que, como disse, a 4 de Abril, a armada parte para Mombaça, onde chega três dias depois. Pelas informações dos pilotos mouros, os portugueses pensam ser essa a cidade onde existe uma população cristã. Embora com muita gente doente a bordo, os portugueses vivem a esperança de que - como se lê no texto do roteiro - «ao outro dia iríamos ouvir missa em terra com os cristãos, que nos diziam que aqui havia». Total desilusão. O relato das idas e vindas, entre os barcos e a cidade, revela o mundo de desconfianças que separa a população de Mombaça dos navegadores recém-chegados.

Assim, a 13 de Abril, partem de novo, desta vez a caminho de Melinde, onde chegam no dia seguinte, ao pôr do Sol. O bom acolhimento aí encontrado pelos portugueses contrasta com o que se passara na ilha de Moçambique e em Mombaça. É uma vila que se parece com Alcochete, escreve Álvaro Velho. O roteiro espraia-se, assim, em prolixas descrições, relatando o que aconteceu até ao dia 24, data da partida para a derradeira etapa que conduzirá Vasco da Gama até à costa ocidental da Índia.

Certamente que a forma positiva como os portugueses foram recebidos se deve fundamentalmente a dois tipos de circunstâncias.

Em primeiro lugar, os efeitos da própria forma como, nesse momento, está organizado o equilíbrio de poderes no Índico, nomeadamente na costa oriental africana. Aí, Melinde tem todo o interesse em, apoiando-se nos portugueses, se destacar das outras cidades-estados suaílis da região (Quíloa, Mombaça e Pate).

Em segundo lugar, depois do que se tinha passado na ilha de Moçambique e em Mombaça, certamente já se teria divulgado o poder de fogo da armada portuguesa. Como se lê no roteiro, os de Melinde «nunca ousaram de vir aos navios, porque estavam já avisados e sabiam que tomáramos uma barca com os mouros».

Vasco da Gama deve ter, nesse momento, uma única e fundamental preocupação: dada a fuga dos pilotos em Mombaça, o seu grande objectivo é o de arranjar localmente quem os substitua. Assim, no dia 16, através de um mouro velho que tinha sido capturado logo à chegada, é tal propósito transmitido ao sultão de Melinde. Durante dois dias, sucedem-se as trocas protocolares de presentes, com a correspondente manifestação de propósitos de um pacífico relacionamento, até que, finalmente, ocorre o encontro entre Vasco da Gama e o dito sultão.

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 156, 157 e 160

Militar (?-1591), sucedeu a Paulo Dias de Novais como capitão-mor de Angola. Tal como o seu antecessor, empenhou-se no projecto da conquista de Cambambe, onde supunha existirem grandes riquezas em prata. Após a sua morte, a chefia da capitania passou a efectuar-se por nomeação do rei.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

A segunda escala-tipo - como atrás indiquei - está representada no rio dos Bons Sinais, no Zambeze. Aí, é o começo da outra experiência do Índico: a experiência da dor da viagem, materializada nas maleitas do escorbuto, e da primeira referência à navegação e ao comércio muçulmano, sinal do que pouco tempo depois será o grande inimigo da presença portuguesa nesses mares.

A armada parte do rio dos Bons Sinais a finais de Fevereiro e, poucos dias depois, no início de Março, chega à ilha de Moçambique. Inicialmente, o acolhimento do sultanato muçulmano local é bastante bom, muito provavelmente porque tomam os portugueses por turcos. Mas, quando descobrem que são cristãos, preparam-se para os aprisionar e matar. Sucedem-se as escaramuças, os ataques, os bombardeamentos, até que a 4 de Abril partem para Mombaça. Tinham estado trinta e três dias na ilha. […]

No itinerário da Índia, depois do ilhéu da Cruz e do rio dos Bons Sinais, a ilha de Moçambique representa a terceira escala-tipo de referenciação. Para Vasco da Gama, acaba a África negra, que os Portugueses conhecem desde a Guiné. Estamos na outra fronteira meridional do comércio muçulmano [...]

Quer dizer: para Vasco da Gama, o outro lado da África negra, o Índico, começa em Moçambique; aí, perante os mouros e as suas maldades, impõe-se estar atento. E o que acontece em Mombaça, ver-se-á a seguir, só servirá para reforçar a convicção de que, no Índico, domina a desconfiança. Não estamos longe das cautelas de Melinde e de Calecute.

Mas, apesar desta experiência, os velhos mitos não desaparecem. Os portugueses julgam estar próximos dos cristãos orientais [...]

Não falta a presença do Preste João, indiciadora da permanência de um modelo do passado que, apesar disso, continua vivo nos espíritos: «Mais nos disseram que [o] Preste João estava dali perto; e que tinha muitas cidades ao longo do mar, e que os moradores deslas eram grandes mercadores e tinham grandes naus, mas que o Preste João estava muito dentro pelo sertão, e que não podiam lá ir senão em camelos, os quais mouros traziam aqui uns dois cristãos índios cativos. [...]

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 149, 150 e 151

O investigador Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa, Porto, lançou ontem o romance “O Cavaleiro da Ilha do Corvo”, onde defende - tendo por base factos reais - que a descoberta do arquipélago dos Açores ocorreu muito antes da chegada dos portugueses.

(via Expresso)

Navegador (séculos XV e XVI). Participou na expedição (1505) de D. Francisco de Almeida e, em 1519, acompanhou o seu amigo Fernão de Magalhães na célebre viagem de circum-navegação. Depois da morte de Fernão de Magalhães (1521), no combate da ilha de Mactan (Filipinas), assumiu a chefia das debilitadas forças lusas, mas veio a morrer pouco depois.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Quatro dias depois, a 7 de Dezembro (Barros e Góis dizem ter sido no dia 8), regressam ao mar. [...]

Navegando ao longo da costa, depois de algum contratempo (no meio de uma tormenta, perdera-se temporariamente a caravela de Nicolau Coelho), chegam a 15 de Dezembro a Birds Island, que Álvaro Velho chama de ilhéu da Cruz. Estão perto do derradeiro local onde Bartolomeu Dias chegara, e onde em 1488 colocara um padrão (de São Gregório). 

No dia de Natal - lê-se no texto - «tínhamos descoberto por costa setenta léguas». Navegando entre o dia 28 de Dezembro e 10 do mês seguinte, praticando-se já o rateio do fornecimento de água («daqui andámos tanto pelo mar, sem tomarmos porto, que não tínhamos já água que bebêssemos nem fazíamos já de comer senão com água salgada e para nosso beber não nos davam senão um quartilho que era necessário de tomarmos porto»), chegam finalmente a um local - rio Inharrime - onde se abastecem e são cordialmente acolhidos pela população local. Vasco da Gama chama-lhe Terra da Boa Gente. Idêntica recepção encontrariam os navegantes poucos dias depois no chamado rio dos Bons Sinais, onde retemperaram as forças durante cerca de um mês. Estão já no Zambeze. [...]

Aí, teriam tido notícias da navegação árabe, como se depreende da seguinte informação: «E, depois de haver dois ou três dias, que aqui estávamos, vieram dois senhores desta terra a ver-nos, os quais eram tão alterados que não prezavam coisa que lhes dessem. E um deles trazia uma touca posta na cabeça com vivos lavrados de seda, e o outro trazia uma carapuça de cetim verde. Isso mesmo vinha em sua companhia um mancebo que, segundo eles acenavam, era de outra terra daí longe e dizia que já vira navios grandes, como aqueles que nós levávamos, com os quais sinais nós folgávamos muito porque nos parecia que nos íamos chegando para onde desejávamos.»

Segundo o texto de Castanheda, esta informação «acrescentou muito o prazer de Vasco da Gama e de todos, parecendo-lhes que chegavam à Índia».

[...]

De certo modo, pode dizer-se que, no desbravar da rota do Índico, o Zambeze representa, na sequência das escalas, a segunda escala-tipo verdadeiramente significativa.

A primeira escala-tipo está representada no ilhéu da Cruz, derradeiro local onde Bartolomeu Dias chegou em 12 de Março de 1488.

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 135, 138 e 139

No dia em que se comemoram 511 anos da partida da expedição inaugural de Vasco da Gama, à descoberta do caminho marítimo para a Índia, Malaca - uma antiga fortaleza portuguesa no sudeste asiático, conquistada por Afonso de Albuquerque em 1511 e posteriormente ocupada pelos holandeses - passou a integrar a lista de Património da Humanidade da UNESCO.

Malaca

(Planta de Malaca de Pedro Barreto Resende, 1635)

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