Comemorando 500 anos de relações entre Portugal e o Irão - após a chegada da armada de Afonso de Albuquerque em 1507 - a Torre do Tombo tem patente exposição, abrangendo 42 peças (mapas, cartas, crónicas, tratados, contratos, discursos), aberta ao público até ao próximo dia 11 de Julho, diariamente (excepto domingos) das 10h às 19h30 (sábados, das 10h às 12h).
Junho 2008
Sex 20 Jun 2008
500 anos de relações entre Portugal e o Irão - Exposição
Publicado por Leonel Vicente em GeralComentários
Sex 20 Jun 2008
Jurisconsulto e diplomata (séculos XVI e XVII). Provavelmente nascido em Santarém, fixou-se em Itália, actuando como agente de seguros de D. Manuel I em Florença, Pisa e Livorno. É por essa razão que as suas obras abordam sobretudo o Direito, enquanto ligado à actividade económica e, particularmente, ao comércio. É de sua autoria o Tractatus perutilis et Quotidianus de assecurationibus et sponsionibus mercatorum (1552), um importante tratado de seguros e de promessas entre mercadores. Desde a primeira publicação até 1669, a obra conheceu cerca de 20 edições, vindo a ser traduzida em Portugal em 1958.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 20 Jun 2008
Estava posto o problema, que devia resolver parcialmente Bartolomeu Dias, totalmente Vasco da Gama. Compreende-se, pois, todo o interesse que havia, em obter informações sobre este ponto especial e capital. Julgava-se então, que a Etiópia se estendia – como diz Barrsos – “té o mar do Sul”. Os naturais da terra deviam conhecer o modo por que terminava a África. Ali na Etiópia, ou talvez na Índia, devia saber-se alguma coisa sobre a tão importante passagem – essa passagem, dada a qual os planos de D. João II podiam ser uma realidade, sem a qual seriam sempre um sonho. Nada mais natural, portanto, di que a recomendação, feita – segundo Ramusio – aos exploradores: indagar se havia alguma notícia che si possa passare ne mari di ponente. […]
Tais seriam, segundo todas as probabilidades, as instruções dadas aos dois escudeiros: que um deles se dirigisse directamente ao rei cristão da Etiópia; que o outro procurasse passar à Índia, e estudasse as condições do comércio oriental; que ambos colhessem por onde podessem informações sobre o modo e sítio de comunicação dos mares do levante com os mares do ocidente.
Pelos primeiros dias do mês de Maio todos os preparativos estavam terminados, e os dois escudeiros munidos da sua carta de marear e das suas instruções secretas. No dia 7 daquele mês de Maio do ano de 1487, D. João II deu-lhes a última audiência em Santarém, à qual assistia o duque de Beja. O rei entregou aos viajantes quatrocentos cruzados, tirados do cofre das suas propriedades de Almeirim, e também uma carta de crédito “pera todas as terras e províncias do mundo”. Ao despedir-se deitou-lhes a sua bênção.
“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004
Qui 19 Jun 2008
Navegador (século XV). É-lhe atribuída a descoberta da região da Mina, durante uma viagem que terá feito com Pêro Escobar, ao serviço de Fernão Gomes, arrendatário do comércio da Guiné. Supõe-se que na altura os dois pilotos tenham atingido o rio Lago, não indo além da região da Mina. Com base numa carta anónima da época, foi colocada a hipótese de no ano seguinte os navegadores terem feito uma nova expedição, alcançando as ilhas de São Tomé e Príncipe e de Ano Bom. Foram porém colocadas várias objecções a esta teoria e de certo apenas se sabe que João Santarém andou realmente pelas águas do golfo da Guiné.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qui 19 Jun 2008
Pondo de parte a questão das problemáticas e antiquíssimas circum-navegações de África, admitindo – e admitindo sem inspiração de falso patriotismo, simplesmente porque nos parece exacto – que a parte austral do continente foi desconhecida até à viagem de Bartolomeu Dias, fica, no entanto, o facto incontestável de que se acreditava na possibilidade da circum-navegação. A geografia sistemática dos antigos, e depois a dos árabes e da Idade Média, admitia em geral a hipótese de um mar envolvente, e portanto a de uma comunicação do oceano Atlântico com o oceano Índico. A dúvida estava no modo porque se estabelecia essa comunicação; que podia fazer-se pelo mar livre e desembaraçado, ou talvez por canais estreitos de difícil ou impossível navegação, como dizia, por exemplo, o geógrafo árabe Albyruny.
Não havia pois a certeza, mas havia a esperança de poder passar. Havia esta esperança em Portugal já no tempo do infante D. Henrique, e com mais razão no de D. João II. Quando, a partir do cabo das Palmas, a costa africana começou a correr no rumo de leste, imaginou-se ser ali a passagem, o que estava de acordo com as opiniões de alguns antigos cosmógrafos, os quais limitavam a África pelo sul logo nas proximidades do equador. Depois, passado o golfo de Guiné, a costa voltou a correr norte sul, e ficou-se na dúvida acerca da sua terminação.
“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004
Qua 18 Jun 2008
Governador da Índia (? - Ansiães, 1534), era filho de Diogo de Sampaio, senhor de Ansiães, Vilarinhos, Castanheira e Linhares. Foi tornado cavaleiro pelo rei, após a conquista de Arzila, e participou nas batalhas de Toro, Alcácer Ceguer e Tânger. Em 1512, partiu para a Índia, onde participou na tomada de Goa e de Adém, tornando-se governador de Cochim em 1524. Dois anos mais tarde, por morte do quinto governador (D. Henrique de Meneses), Lopo Vaz de Sampaio assumiu a governação da Índia, mantendo-se no cargo até à chegada do vice-rei Nuno da Cunha (1528). Foi eficaz na sua administração, devendo-se-lhe a conquista de Tidore, Mangalore e Bombaim, bem como a construção de diversas fortalezas. Apesar dos feitos, foi vítima de intrigas, acabando por regressar preso ao continente, sob a acusação de ter tido uma má gestão da colónia. Do cárcere enviou uma carta a D. João III, conseguindo obter o perdão real.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 18 Jun 2008
Restava o outro lado da missão – procurar o caminho por onde vinham as especiarias a Veneza, Génova e outros portos da Europa, e remontar até à origem dessas especiarias. Para isso era necessário dirigir-se a um dos portos do Mediterrâneo oriental, onde as especiarias embarcavam para Veneza, por exemplo, Alexandria, penetrar ali nas terras sujeitas aos mouros ou muçulmanos, e subir depois pelo trilho dos comércio, até onde esse trilho levasse. Talvez à Índia, talvez mais longe. Tratava-se unicamente por todo esse caminho, de saber ver, e de saber fixar na memória ou nas notas o que se havia visto. Era impossível nesta parte formular um plano, ou marcar um itinerário. Tudo por ali devia ser novo e imprevisto, pelo menos para os portugueses; e o êxito dependia da prontidão das resoluções, tomadas à medida e feição dos acontecimentos. Esta parte da missão ia mais especialmente, segundo julgamos, confiada a Pêro da Covilhã; e depois veremos com quanta perspicácia e persistência dela se desempenhou.
“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004
Ter 17 Jun 2008
Militar e poeta (séculos XV e XVI), viveu na corte durante os reinados de D. João II e D. Manuel I. Destacou-se em várias batalhas no Norte de África, vindo a ocupar os cargos de alcaide-mor de Sanfim e adail-mor de Portugal.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 17 Jun 2008
De tudo isto, podemos, me parece, concluir com segurança, contra a opinião de Damião de Góis, do padre Teles, de Ludolf, do padre Kircher e de vários outros, que Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva não encontraram casualmente na África o que deviam procurar na Ásia; mas pelo contrário saíram já de Portugal – pelo menos um deles – expressamente enviados à Etiópia.
Não quero com isto dizer, que em Portugal se soubesse então muito nitidamente o que era a Etiópia, ou se conhecessem os seus limites. Aquele nome fora sempre – como dissemos já – e conservava-se ainda muito vago. Podia pois facilmente imaginar-se, que o rei da Etiópia ou Preste João exercesse algum domínio, ou pelo menos alguma influência na Índia. Sobre todos estes pontos se deviam ter ideias confusas, e em grande parte erradas; mas, em todo o caso, admitia-se, que o Preste João era um rei da África oriental, soberano dos conhecidos padres abexins.
A este rei da Abissínia ia directamente dirigido um dos escudeiros de D. João II, segundo parece Afonso de Paiva.
“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004
Seg 16 Jun 2008
Foi primeiro conde D. Duarte de Castelo Branco, que viveu no século XVI e na primeira vintena do século XVII. Foi meirinho-mor do Reino, sucedendo a seu pai, e embaixador em Espanha. Preso na Batalha de Alcácer-Quibir (1578), foi um dos cinco fidalgos que o xerife de Fez libertou para regressarem ao campo de batalha a fim de procurarem o corpo de D. Sebastião e negociarem o resgate de todos os prisioneiros. No ano seguinte, fez parte da embaixada que o cardeal D. Henrique enviou a Roma, no sentido de obter junto do Papa Gregório XIII a bula que lhe permitisse casar, de forma a garantir a sucessão no reino. Tomou partido dos espanhóis em 1580 e, ao saber que o povo aclamara D. António, Prior do Crato, após a morte do cardeal D. Henrique, fugiu com muitos outros nobres para Espanha. Em 1593 foi um dos cinco governadores do Reino de Portugal nomeados por Filipe I. O mesmo rei concedeu-lhe o título, por carta de 20 de Fevereiro de 1582.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Seg 16 Jun 2008
As terras do Oriente haviam sido um dos sonhos constantes de D. João II, que pensou incessantemente no engrandecimento do seu país; e, se não foi um bom homem, foi inquestionavelmente um grande rei. Penetrar na Índia, dominar ali se tanto fosse possível, atrair para Portugal o comércio, que enriquecia Génova, Veneza e todo o litoral mediterrânico, tudo o que depois se realizou, ou quase realizou, o seu sucessor, estava já mais ou menos nitidamente formulado no seu alto espírito, mais ou menos preparado pela sua acção persistente e hábil. D. João II havia semeado o que D. Manuel colheu; e a felicidade do felicíssimo sucessor representa simplesmente em muitos pontos a habilidade de quem o precedeu, e lhe abriu, ou pelo menos indicou os caminhos a seguir.
A este plano geral correspondiam as duas faces da missão, confiada agora aos seus exploradores – procurar os países donde vinham as especiarias a Veneza pela terra dos mouros, procurar o Preste, o grande rei cristão do Oriente. E no Preste, queria ele encontrar, não já, como na Idade Média, um aliado salvador contra o islamismo; mas simplesmente uma porta aberta para a expansão de Portugal, um meio de penetrar na Índia, tão desejada e ainda tão misteriosa. […]
“Viagens de Pêro da Covilhã”, Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004
Sex 13 Jun 2008
Cosmógrafo (séculos XVI e XVII). Prestigiado matemático, foi nomeado para o cargo de cosmógrafo-mor do Reino em Janeiro de 1623. Foi nesta qualidade que, no ano seguinte, mandou imprimir em Lisboa um Regimento de Navegação, contendo tábuas solares, regras de astronomia e dados sobre o calendário. Segundo documentação da época, ainda estava vivo em 1635.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)