Fevereiro 2008
Monthly Archive
Dom 24 Fev 2008
Daqui [Quelimane] partimos um sábado, que eram vinte e quatro dias do mês de Fevereiro; e fomos aquele dia na volta do mar e a noite seguinte em leste, para nos arredarmos da costa, a qual era mui graciosa da vista.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Relação da Primeira Viagem de Vasco da Gama (1497-1499)”, introd. e notas de Luís de Albuquerque, Lisboa, CNCDP/ME, 1989)
Sex 22 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Príncipe de Portugal (Saragoça, 1498 - Granada, 1500), era filho primogénito de D. Manuel I e de D. Isabel, filha dos reis católicos. Ao nascer, foi reconhecido como herdeiro das três coroas peninsulares: Portugal, Castela e Aragão. Pelas esperanças nele fundadas, era chamado D. Miguel da Paz.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Filho de D. Manuel I e da infanta D. Isabel (Saragoça, 24 de Agosto de 1498 - Granada, 19 de Julho de 1500). Príncipe herdeiro de Portugal, Castela, Aragão, Leão e Sicília, que um dia poderia vir a unir a Coroa de Portugal, Castela e Aragão. Foi aclamado infante no dia em que nasceu e um ano mais tarde era feito príncipe herdeiro em Saragoça, Toledo e Lisboa. Foi o símbolo da pacífica união ibérica, tendo as Cortes portuguesas a pretensão de que, não obstante a união, os cargos de Portugal e das colónias fossem atribuídos unicamente a nacionais. No entanto, todas estas expectativas saíram goradas, já que o príncipe faleceu muito novo.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 22 Fev 2008
Segunda Parte
Mar Português
I
O Infante
Deus quere, o homem sonha, a obra nasce,
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
(”Mensagem”, Fernando Pessoa - via http://nautilus.fis.uc.pt/personal/marques/old/pessoa/mensagem.html)
Qui 21 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
GeralComentários
Em mais uma excelente iniciativa de recuperação da memória, Gabriel Silva deu começo a novo projecto - que intitulou XIX -, recorrendo à publicação de textos de jornais e revistas do século XIX, de que são exemplo O Panorama, Correio Braziliense, Archivo Pittoresco, ou Espectro.
Autor integrante da equipa do Blasfémias, Gabriel Silva já antes desenvolvera um outro projecto de cariz análogo, com a transcrição da obra Diário da minha viagem para Filadélfia (1798-99), por Hipólito da Costa.
O XIX será, a partir de agora, uma página a visitar com regularidade, com a certeza de que por lá teremos sempre algo a aprender.
Qui 21 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
Protagonistas[2] Comentários
Vice-rei da Índia e do Brasil (1673-1743). Como vice-rei da Índia (1712-1717), submeteu os rajás de Canará e de Sundra, tendo obtido do Grão-Mogol o território de Pondá. Enquanto vice-rei do Brasil (1720-1735), desenvolveu um trabalho notável. Promoveu a cultura e fomentou a riqueza, patrocinando a agricultura. D. João V concedeu-lhe, em 1729, o título de conde de Sabugosa.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qui 21 Fev 2008
Primeira Parte
Brasão
V
O Timbre
A Cabeça do grifo
O Infante D. Henrique
Em seu trono entre o brilho das esferas,
Com seu manto de noite e solidão,
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras -
O único imperador que tem, deveras,
O globo mundo em sua mão.
Uma Asa do Grifo
D. João o Segundo
Braços cruzados, fita lém do mar.
Parece em promontório uma alta serra -
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra.
Seu formidável vulto solitário
Enche de estar presente o mar e o céu,
E parece tremer o mundo vário
Que ele abra os braços e lhe rasgue o véu.
A Outra Asa do Grifo
Afonso de Albuquerque
De pé, sobre os países conquistados
Desce os olhos cansados
De ver o mundo e a injustiça e a sorte.
Não pensa em vida ou morte,
Tão poderoso que não quere o quanto
Pode, que o querer tanto
Calcara mais do que o submisso mundo
Sob o seu passo fundo.
Três impérios do chão lhe a Sorte apanha.
Criou-os como quem desdenha.
(”Mensagem”, Fernando Pessoa - via http://nautilus.fis.uc.pt/personal/marques/old/pessoa/mensagem.html)
Qua 20 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Governador de Ceuta (século XV). Filho do primeiro conde de Viana do Alentejo, tomou parte na conquista de Ceuta, onde foi armado cavaleiro. Perante a escusa de outros fidalgos, ofereceu-se para governador desta praça, que defendeu dos sucessivos ataques dos Mouros, de 1415 a 1437. D. João I fê-lo segundo conde de Vila Real.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 20 Fev 2008
Primeira Parte
Brasão
III
As Quinas
Terceira
D. Pedro, Regente de Portugal
Claro em pensar, e claro no sentir,
É claro no querer;
Indeferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser -
Não me podia a Sorte dar guarida
Por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo mais é com Deus!
Quarta
D. João, Infante de Portugal
Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;
Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.
Quinta
D. Sebastião, Rei de Portugal
Louco, sim, louco, porque quis minha grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
(”Mensagem”, Fernando Pessoa - via http://nautilus.fis.uc.pt/personal/marques/old/pessoa/mensagem.html)
Ter 19 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Vice-rei da Índia (Lisboa, 1689 - Goa, 1742), era quinto conde da Ericeira e primeiro marquês do Louriçal. Teve uma educação primorosa, estudou línguas vivas e latim, matemática e geografia. Em 1711, libertou Campo Maior do cerco espanhol. Com 27 anos foi nomeado vice-rei da Índia, cargo que exerceu por duas vezes (1717-1720 e 1741-1742). Durante a permanência na Índia, foi acusado pelos inimigos de ser devasso, talvez por isso, quando regressou ao reino não foi recebido pelo monarca. Erudito em assuntos históricos e numismáticos, também se interessou pelas civilizações asiáticas.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 19 Fev 2008
Primeira Parte
Brasão
III
As Quinas
Primeira
D. Duarte, Rei de Portugal
Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.
Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri
Segunda
D. Fernando, Infante de Portugal
Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
A esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro de mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
(”Mensagem”, Fernando Pessoa - via http://nautilus.fis.uc.pt/personal/marques/old/pessoa/mensagem.html)
Seg 18 Fev 2008
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Militar (século XVI). Este fidalgo foi feito prisioneiro em Alcácer Quibir e foi um dos escolhidos para reconhecer o cadáver de D. Sebastião. Foi um dos primeiros cinco fidalgos a serem resgatados, em Novembro de 1578. Foi nomeado capitão-mor de mar e teve a seu cargo a defesa da barra de Lisboa, caiu em desgraça quando foi acusado de pactuar com os espanhóis.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Seg 18 Fev 2008
Primeira Parte
Brasão
II
Os Castelos
Sexto
D. Dinis
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
Sétimo (I)
D. João o Primeiro
O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.
Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.
Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.
Sétimo (II)
D. Filipa de Lencastre
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós o teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
(”Mensagem”, Fernando Pessoa - via http://nautilus.fis.uc.pt/personal/marques/old/pessoa/mensagem.html)
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