Sáb 29 Set 2007
VOCABULÁRIO DOS TERMOS NÁUTICOS DOS DIÁRIOS DA NAVEGAÇÃO (IV)
Publicado por Leonel Vicente em Diário navegação Nau São Martinho - Gaspar Reimão“Lobo – lobo marinho, foca.
Loeste – oeste.
Manga de veludo – alcatraz branco com as pontas das asas pretas, frequente em águas geralmente pouco profundas.
Mar atravessado – mar cujas vagas têm a direcção aproximadamente normal ao rumo do navio, o qual é assim apanhado pelo través.
Mar banzeiro – mar remexido, com pequena vaga.
Mar chão – mar cujas ondas não vão além de meio metro.
Mar grande – mar de vagas muito alterosas.
Mar grosso – mar cavado.
Mar lançado – mar de vagas espaçadas e pouco alterosas.
Mar pequeno – mar de pequena ondulação.
Marcação da agulha – declinação, variação da agulha.
Meio-dia – a expressão “fazer meio-dia” indicava que a posição do sol tinha parado de subir, de forma que a sombra do estilo do relógio de sol caía na linha das XII horas.
Molinha – vide Bruega.
Montrepicar – multiplicar.
Multiplicar – ganhar caminho em latitude quando, a navegar entre o Equador e determinado polo, o navio seguia o rumo que deste o aproximava, ou para a banda dele era desviado.
Nau – as naus eram grandes navios à vela, de quilha muito bojuda, acastelados à popa e à proa, servindo especialmente para o transporte de mercadorias e de pessoal e alongo curso. Arvoravam 3 mastros – traquete, grande e mezena – nos quais armava pano redondo: papafigos e gáveas nos dois primeiros, e bastardos no último. Além destes mastros, as naus apresentavam ordinariamente um outro – o gurupés – que sobressaía da proa com a inclinação de 30º, no qual se armava uma vela denominada cevadeira.
Nordestear – declinação ou variação da agulha para nordeste.
Pairar – suster a marcha do navio ferrando todo o pano, deixando o navio receber o mar de través.
Pairo – o acto ou o efeito de pairar.
Papafigos – qualquer das velas – a grande e a do traquete – dos navios redondos, que são as primeiras a contar de baixo em qualquer desses mastros.
Prumar – achar a altura da água e, quando necessário, a natureza do fundo, utilizando o prumo. A altura de prumagem era avaliada em braças.
Punho – cada um dos cantos de uma vela, formados pela intercepção de dois lados consecutivos.
Quarta – cada uma das 32 partes em que se considera dividida a rosa-dos-ventos, correspondendo portanto a 11º15’.
Quartos – os quartos de serviço de vigília duma nau eram repartidos por 6 quartos, de 4 horas cada, a saber: quarto da modorra, das 0 às 4 horas da madrugada; quarto de alva, das 4 às 8 horas; quarto da manhã (ou das emendas), das 8 às 12 horas; quarto da tarde, das 12 às 16 horas; quartinho, das 16 às 20 horas. O quartinho é ainda dividido em dois períodos de 2 horas cada, denominados de primeiro e segundo quartinho, das 16 às 18, e das 18 às 20 horas, respectivamente.”
in “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, pp. 464 a 467 (excertos)