“Lobo – lobo marinho, foca.

Loeste – oeste.

Manga de veludo – alcatraz branco com as pontas das asas pretas, frequente em águas geralmente pouco profundas.

Mar atravessado – mar cujas vagas têm a direcção aproximadamente normal ao rumo do navio, o qual é assim apanhado pelo través.

Mar banzeiro – mar remexido, com pequena vaga.

Mar chão – mar cujas ondas não vão além de meio metro.

Mar grande – mar de vagas muito alterosas.

Mar grosso – mar cavado.

Mar lançado – mar de vagas espaçadas e pouco alterosas.

Mar pequeno – mar de pequena ondulação.

Marcação da agulha – declinação, variação da agulha.

Meio-dia – a expressão “fazer meio-dia” indicava que a posição do sol tinha parado de subir, de forma que a sombra do estilo do relógio de sol caía na linha das XII horas.

Molinha – vide Bruega.

Montrepicar – multiplicar.

Multiplicar – ganhar caminho em latitude quando, a navegar entre o Equador e determinado polo, o navio seguia o rumo que deste o aproximava, ou para a banda dele era desviado.

Nau – as naus eram grandes navios à vela, de quilha muito bojuda, acastelados à popa e à proa, servindo especialmente para o transporte de mercadorias e de pessoal e alongo curso. Arvoravam 3 mastros – traquete, grande e mezena – nos quais armava pano redondo: papafigos e gáveas nos dois primeiros, e bastardos no último. Além destes mastros, as naus apresentavam ordinariamente um outro – o gurupés – que sobressaía da proa com a inclinação de 30º, no qual se armava uma vela denominada cevadeira.

Nordestear – declinação ou variação da agulha para nordeste.

Pairar – suster a marcha do navio ferrando todo o pano, deixando o navio receber o mar de través.

Pairo – o acto ou o efeito de pairar.

Papafigos – qualquer das velas – a grande e a do traquete – dos navios redondos, que são as primeiras a contar de baixo em qualquer desses mastros.

Prumar – achar a altura da água e, quando necessário, a natureza do fundo, utilizando o prumo. A altura de prumagem era avaliada em braças.

Punho – cada um dos cantos de uma vela, formados pela intercepção de dois lados consecutivos.

Quarta – cada uma das 32 partes em que se considera dividida a rosa-dos-ventos, correspondendo portanto a 11º15’.

Quartos – os quartos de serviço de vigília duma nau eram repartidos por 6 quartos, de 4 horas cada, a saber: quarto da modorra, das 0 às 4 horas da madrugada; quarto de alva, das 4 às 8 horas; quarto da manhã (ou das emendas), das 8 às 12 horas; quarto da tarde, das 12 às 16 horas; quartinho, das 16 às 20 horas. O quartinho é ainda dividido em dois períodos de 2 horas cada, denominados de primeiro e segundo quartinho, das 16 às 18, e das 18 às 20 horas, respectivamente.”

in “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, pp. 464 a 467 (excertos)