“Escarcéu – a crista da vaga, quando cheia de espuma e tumultuosa.

Escasso – tratando-se de medidas, significa que a medida anunciada ou registada peca ligeiramente por excesso. Assim, 10 graus escassos de latitude significa que esta não chega bem a 10 graus. Falando-se de vento escasso, significa que este sopra da proa ou proximidades, e não é favorável ao rumo desejado.

Escotas – cabos de laborar, fixos nos punhos das velas, que servem para as caçar e aguentar a sotavento. São duas nas velas redondas e uma nas latinas.

Espesso – mar de vagas grossas e com intervalos pequenos entre si.

Estibordo – o lado direito do navio quando se está voltado para a proa.

Estrampalhado – estrambalhado, mar com vagas muito desencontradas.

Feijão – ave do tamanho de pombos, com a cabeça preta e as asas malhadas de preto e branco.

Forcado – rabo forcado – ave palmípede de grande envergadura, mas de corpo relativamente pequeno, que habita principalmente os mares tropicais. Actualmente conhecido por “fragata”.

Francelho – ave de rapina de pequeno porte.

Gaivotão – ave grande com os cotos das asas pardos e o corpo branco.

Garajau – ave marítima de grande porte, com cabeça e asas acizentadas, barriga esbranquiçada, rabo cinzento com algumas penas pretas, e bico agudo, avermelhado.

Garajina – ave actualmente chamada “grazina”, da sub-ordem das gaivotas.

Gávea – qualquer das velas que envergam nas vergas da gávea, portanto as segundas a contar de baixo.

Governar – conduzir o navio no rumo desejado, manobrando o pano.

Grosso – referido ao vento, significa violento; ao ar – vaga alterosa; a nuvem – espessa.

Guinar – desviar-se a proa para qualquer dos bordos do navio, por acção do vento ou do mar.

Gurupez – mastro que saía para fora da proa das naus, com a inclinação de 30º, onde se arvorava a vela cevadeira.

Jilavento – julavento, sotavento.

Julavento – direcção em que sopra o vento. Sotavento.

Latina – vela triangular ou quadrangular que trabalhe no sentido de popa à proa, fiza em verga que cruza com o mastro, ou que fica no seu prolongamento.

Légua – antiga medida de comprimento portuguesa. A correspondência entre a légua e o grau meridiano era primeiramente de 16 2/3 por grau; em fins do século XV, 17 ½ por grau; Duarte Pacheco Pereira e Manuel Pimentel propuseram o valor de 18 léguas por grau. Como a légua portuguesa mede 5 920 m, ou seja, 4 milhas italianas de 1 480 m, e porque o valor do grau é 111,111 km, a que corresponde 18 ¾ léguas por grau, 17 ½ léguas por grau, valor atribuído no século XVI, traduzia um erro por defeito de 7 %.

Léguas boas – significa que a distância referida é maior que o número de léguas indicado.

Linha – Equador.”

in “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, pp. 461 a 464 (excertos)