Qua 26 Set 2007
VOCABULÁRIO DOS TERMOS NÁUTICOS DOS DIÁRIOS DA NAVEGAÇÃO (I)
Publicado por Leonel Vicente em Diário navegação Nau São Martinho - Gaspar Reimão“Abatimento da agulha – variação da agulha, ângulo formado pela direcção do N-S geográfico com a do N-S magnético.
Afuzilar – fuzilar, relampejar.
Agulha fixa – variação nula da agulha, quando esta aponta directamente o norte verdadeiro.
Albacora – peixe semelhante ao atum mas mais pequeno. Apresentava dorso negro e ventre e flancos prateados.
Alcatraz – ave palmípede de grandes dimensões também conhecida por “entenal”. Entre as suas variedades figuram: o alcatraz domínico e o alcatraz manga de veludo.
Alijar – descarregar objectos no mar de forma a aliviar a carga do navio.
Almazem – armazém da Casa da Índia onde se guardavam cartas, diários de navegação, roteiros, instrumentos náuticos, etc..
Aloeste – a oeste.
Altura – altura do polo, latitude.
Amainar velas – arriar velas Andar pela bolina – ir a navegar recebendo o vento por vante do través.
Andar a bordejar – navegar recebendo o vento ora por um dos bordos ora por outro.
Arrepiado – diz-se do mar encrespado, mas sem ondas.
Arribar – guinar para sotavento, ficando assim a receber o vento mais largo, ou desviar-se da rota por acção do tempo ou das correntes marítimas.
Atravessado – diz-se de um navio que recebe o mar de través. Expor o costado do navio ao vento e ao mar, recebendo-de de través com todo o pano ferrado. Situação do navio quando ao pairo.
Bafagem – vento de intensidade muito fraca e inferior à da aragem.
Baixo – baixio – região marítima de fundos pequenos, onde a navegação pode ser perigosa.
Barlavento – balravento (grafia antiga) – lugar donde o vento sopra.
Bolina – cada um dos cabos que puxam para vante as testas das velas do lado donde sopra o vento para que este seja melhor aproveitado. Bolina é também o rumo mais perto da direcção a que o navio pode navegar sem que as velas grivem.
Bombordo – o bordo do navio que fica à esquerda quando se está voltado para a proa.
Bonança ou bonançoso – vento brando.
Borelho ou borrelho – segundo Vicente Rodrigues, era um pássaro pequeno, branco; segundo Aleixo Mota, um pássaro cinzento do tamanho de um pardal; segundo Mariz, na “Arte de Navegar”, uma ave aquática, da espécie de estorninho, parda, com barriga branca, de bico e pernas compridas.
Borrifos – chuva muito miúda e passageira.
Braça – antiga medida de comprimento de oito palmos, correspondendo a cerca de 1,76 m. Actualmente, a braça mede 1,83 m.
Bruega – chuva fraca, miúda e persistente, o mesmo que “molinha”.”
in “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, pp. 457 a 459 (excertos)