Julho 2007
Monthly Archive
Sex 27 Jul 2007
Aos 27 em domingo não tomey o sol por estar doente. Estavamos ao pairo, algum ar do vento que avia hera norte; ontem a noite se rompeo a vella grande, amainou a verga, e o vento leste e lesnordeste veo ventando mas durou pouco porque logo foi acalmando; e pella menhã ameasou o vento de muitas partes, arejando sen tomar nenhum asento, mas nem hum açento. Andamos enfadados de ver o tempo trazer tão mal connosquo, e nos com tantas doenças e necesidades esperamos em Nosso Senhor que amenhã, lua chea, dar nos tempo para podermos fazer nosa viagem. O mar esta oje mais lançado, o ceo anda toldado, as aves alguns gaivotois, hum sobre o branco, alguns borelhos, corvas de bico branco, outras pretas. De nos Nosso Senhor boa viagem e a Virgem do Remedio Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Sex 27 Jul 2007
Capítulo VII
Em que se descreve o sítio da terra a que propriamente chamamos Índia dentro do Gange; na qual só contém a província chamada Malabar, um dos reinos da qual é o em que está a cidade Calecut, onde Vasco da Gama aportou
A região a que os geógrafos propriamente chamam Índia, é a terra que jaz entre os dois ilustres e celebrados rios Indo e Gange, do qual Indo ela tomou o nome, e os povos do antiquíssimo reino Deli, cabeça por sítio e poder de toda esta região, e assim a gente Pársea a ela vezinha, ao presente por nome próprio lhe chamam Indostão. E segundo a delineação da tábua que Ptolomeu faz dela, e mais verdadeiramente pela notícia que ora com o nosso descobrimento temos, por excelência bem lhe podemos chamar grão Mesopotâmia. Porque, se os gregos deram este nome que quer dizer “entre os rios” àquela pequena parte da região Babilónica que abraçam os dois rios Eufrates e Tigres; assim pela situação desta entre as correntes dos notáveis Indo e Gange, que descarregam e vazam suas águas em o grande oceano oriental, por fazermos diferença dela mais notável do que se faz em dizer Índia dentro do Gange, e Índia além do Gange, bem lhe podemos chamar a grão Mesopotâmia, ou Indostão, que é o próprio nome que lhe dão os povos que a habitam e vizinham, por nos conformarmos com eles.
A qual região, as correntes destes dois rios por uma parte, e o grande Oceano Índico por outra, a cercam de maneira, que quase fica uma chersoneso entre terras de figura de lisonja, a que os geómetras chamam rombos, que é de iguais lados e não de anglos retos: Cujos ângulos opostos em maior distância, jazem norte sul, o ângulo desta parte do sul, faz o cabo Comori, e o da parte do norte, as fontes dos mesmos rios. As quais, pero que sobre a terra arrebentem distintas em os montes a que Ptolomeu chama Imão, e os habitadores deles Dalanguer e Nangracot, são estes tão conjuntos uns aos outros, que quase querem esconder as fontes destes dois rios. E, segundo fama do gentio comarcão, parece que ambos nascem de uma veia comum, donde nasceu a fábula dos dois irmãos que anda entre eles, a qual recitamos em a nossa “Geografia”. A distancia destas fontes ao cabo Comori a elas oposto, será pouco mais ou menos por linha directa, quatrocentas léguas, e, os outros dois ângulos, que por contrária linha jazem de levante a poente por distância de trezentos léguas, fazem as bocas dos mesmos rios Indo e Gange, ambos mui soberbos com as águas do grande número dos outros que se neles meterem. E quase tanta é a parte da terra que eles abraçam, quanta a que por os outros dois lados cerca o mar oceano, que ambos se ajuntam no cabo Comori a fazer aquele agudo canto que ele tem, com que fica a figura da lisonja que dissemos.
(via http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/livros/pdf/DecadasdaAsia.pdf)
Qui 26 Jul 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Nobre (séculos XVI e XVII). Quarto conde da Vidigueira foi, por duas vezes, vice-rei da Índia. Oriundo de uma família de passado notável, era bisneto de Vasco da Gama e genro do ex-vice-rei D. Duarte de Meneses. A sua chegada à Índia, em 1597, como 22º vice-rei, reavivou o antigo cerimonial atribuído aos vice-reis. Com este evento, pretendia-se celebrar o centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia e tentar promover uma maior prosperidade no território, o que não aconteceu. Em 1622, deu início ao segundo vice-reinado da Índia, numa época de grande crise no Oriente – para alguns, a mais difícil da presença portuguesa na Índia -, fruto da penetração holandesa. Por outro lado, quando foi indicado para este cargo, Francisco Gama tinha perto de 60 anos e já não gozava do antigo prestígio que usufruíra. Depois de ter sido substituído por Francisco Mascarenhas, foi acusado de peculato e incúria, caindo em desgraça perante Filipe IV.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qui 26 Jul 2007
Aos 26 do mes em sábado, dia de Beata Santa Ana, não tomey o sol por estar doente, mas alguns marinheiros que observarão acharão 34 graos. O vento esta noite foi nornoroeste oeste noroeste calmão, e o mar muito banzeiro e groço com que a nao trabalha muito, e com mandar governar com esa bafagem de vento que tira ao nordeste parece que não que foi fazendo la o caminho todo a leste. Oje o vento muito calma, o mar muito groço estrampalhado com que as vellas se ronpem todas, tem nos seguido muito mal o tempo com huma conjunção de lua muito boa que se nos vai gastando; o tempo esta claro sem aver seos, e o mar como digo muito tropesado, a nao muito enferma e cada ves pior, que não ha gente com que se maree. Lembre çe Nosso Senhor de nos e a Virgem do Rosario Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qui 26 Jul 2007
E porque da figura e uso delas tratámos em a nossa “Geografia” em o capítulo dos instrumentos da navegação, baste aqui saber que servem a eles naquela operação que ora acerca de nós serve o instrumento a que os mareantes chamam balhestilha, de que também no capítulo que dissemos se dará razão dele é dos seus inventores.
Vasco da Gama, com esta e outras práticas que por vezes teve este piloto, parecia-lhe ter nele um grão tesouro, e por o não perder, o mais em breve que pôde depois que meteu, por consentimento de el-rei, um padrão por nome Espírito Santo na povoação dizendo ser em testemunho da paz e amizade que com ele assentara se fez à vela caminho da Índia, a vinte quatro dias de Abril.
E atravessando aquele grande golfão de setecentas léguas que há de uma à outra costa, por espaço de vinte dois dias sem achar cousa que o impedisse, a primeira terra que tomou foi abaixo da cidade Calecut, obra de duas léguas, e daqui por pescadores da terra, que logo acudiram aos navios, foi levado a ela.
A qual, como era o termo de sua navegação, e na instrução que levava nenhuma outra cousa lhe era mais encomendada, e para o rei de ela nomeadamente levava cartas e embaixada, como ao mais poderoso príncipe daquelas partes e senhor de todas as especiarias, segundo a notícia que naquele tempo neste reino de Portugal tínhamos dele, pareceu aos nossos vendo-se diante dela que tinham acabado o fim de seus trabalhos.
E posto que, adiante particularmente descrevemos o sítio desta cidade Calecut e da região Malabar em que ela está, a qual região é uma parte da província da Índia, aqui, por ser a primeira entrada em que os nossos tomaram posse deste descobrimento por tantos anos continuado e requerido, faremos uma universal relação da província da Índia para melhor entendimento desta chegada de Vasco da Gama.
(via http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/livros/pdf/DecadasdaAsia.pdf)
Qua 25 Jul 2007
Publicado por Leonel Vicente em
Protagonistas[3] Comentários
Governador da Índia (1505-1575). Filho segundo de Vasco da Gama, em 1524 acompanhou o pai à Índia, regressando ao continente após a morte do navegador. Em 1530 comandou a armada que fez o cruzeiro do Estreito e mais tarde, entre 1534 e 1539, serviu em Malaca, onde sucedeu a seu irmão Paulo da Gama no cargo de capitão. Nomeado governador da Índia em 1541, tornou-se o primeiro comandante europeu a navegar o Mar Vermelho até ao Suez, em perseguição das naus turcas, que, contudo, não conseguiu vencer, apesar de possuir uma poderosa armada de 75 embarcações. Regressado a Portugal em 1542, desentendeu-se com D. João III, que queria casá-lo contra sua vontade, acabando por exilar-se em Veneza, de onde regressou anos mais tarde, já idoso, para ocupar o cargo de governador de Lisboa.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 25 Jul 2007
Aos 25 do mes em sexta feira não tomey o sol por estar doente. Estevemos ao pairo toda a noite com vento norte calma, pella menhã se fez oesnoroeste calmão, derão os papafigos, e tanto que o sol sahio se tornou a fazer norte e nornoroeste, e oje a tarde se tornou a fazer oesnoroeste calmão, tempo claro, mar banseiro que vem de loesnoroeste com que a nao desgoverna muito. Vou governando com este ar de vento ao nornordeste por desfazer altura, porque estes dias foi a nao muito pera leste, deve estar a nao larga da costa por os ventos nortes porseguirem muito e com a minha doença aver pouco cuidado no governo; esta boqua de noite se rompeo a vella grande e veo a verga grande abaixo. De nos Nosso Senhor boa viagem e a Virgem do Rosario Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qua 25 Jul 2007
E desta prática e modo que Vasco da Gama teve com el-rei, ficou ele tão seguro contente de sua amizade, que logo quis ir ver os nossos navios rodeando a todos, e por honra de sua ida lhe mandou Vasco da Gama entregar todos os mouros que tomou no zambuco, os quais guardou para lhe dar naquele dia das vistas. O que el-rei muito estimou, e muito mais dizer-lhe Vasco da Gama como el-rei seu senhor tinha tanta artilharia e tantas maiores naus que aquelas, que poderiam cobrir os mares da Índia, com as quais o poderia ajudar contra seus imigos, porque fazia el-rei conta que a pouco custo por aquela via tinha ganhado um rei poderoso para suas necessidades. Espedido Vasco da Gama dele depois que o deixou desembarcado tornou-se aos navios, e os dias que ali esteve, sempre foi visitado dele com muitos refrescos, que deu causa a ser também visitado de uns mouros que ali estavam do reino de Cambaia, em as naus que lhe tinham dito os mouros que tomou no zambuco.
Entre os quais vieram certos homens a que chamam Baneanes do mesmo gentio do reino de Cambaia, gente tão religiosa na seita de Pitágoras, que até a imundícia, que criam em si, não matam, nem comem cousa viva, dos quais copiosamente tratámos em a nossa “Geografia”. Estes, entrando em o navio de Vasco da Gama, e vendo na sua câmara uma imagem de Nossa Senhora em um retábulo de pincel, e que os nossos lhe faziam reverência, fizeram eles adoração com muito maior acatamento, e, como gente que se deleitava na vista daquela imagem, logo ao outro dia tomaram a ela, oferecendo-lhe cravo, pimenta, e outras mostras de especiaria das que vieram ali vender. E se foram contentes dos nossos pelo gasalhado que receberam e maneira de sua adoração, também eles ficaram satisfeitos do seu modo, parecendo-lhe ser aquela gente mostra de alguma Cristandade, que haveria na Índia do tempo de São Tomé, entre os quais vinham um mouro Guzarate de nação chamada Malemo Caná; o qual, assim pelo contentamento que teve da conversação dos nossos, como por comprazer a el-rei que buscava piloto para lhe dar, aceitou querer ir com eles.
Do saber do qual, Vasco da Gama depois que praticou com ele ficou muito contente, principalmente quando lhe mostrou uma carta de toda a costa da Índia arrumada ao modo dos mouros, que era em meridianos e paralelos mui miúdos sem outro rumo dos ventos. Porque, como o quadrado daqueles meridianos e paralelos era mui pequeno, ficava a costa por aqueles dois rumos de norte sul e leste oeste mui certa, sem ter aquela multiplicação de ventos, de agulha comum da nossa carta, que serve de raiz das outras. E amostrando-lhe Vasco da Gama o grande astrolábio de pau que levava, e outros de metal com que tomava a altura do sol, não se espantou o mouro disso; dizendo que alguns pilotos do Mar Roxo usavam de instrumentos de latão de figura triangular e quadrantes com que tomavam a altura do Sol, e principalmente da estrela de que se mais serviam em a navegação. Mas que ele e os mareantes de Cambaia e de toda a Índia, pero que a sua navegação era por certas estrelas assim do norte como do sul, e outras notáveis que cursavam por meio do céu de oriente a poente, não tomavam à sua distância por instrumentos semelháveis àqueles mas por outro de que se ele servia, o qual instrumento lhe trouxe logo amostrar, que era de três tábuas.
(via http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/livros/pdf/DecadasdaAsia.pdf)
Ter 24 Jul 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Militar (século XV), era pai de Vasco da Gama. Vedor da casa de D. Afonso V e alcaide-mor de Sines e de Silves, em 1468 foi enviado pelo infante D. Fernando à vila Mourisca de Anafe (actual Casablanca) para recolher informações. Para o efeito ter-se-á vestido de marinheiro, deambulando pelas ruas a vender figos do Algarve. Depois da morte do infante, ficou ao serviço da viúva, a infanta D. Beatriz, e tudo indica que teria sido o escolhido para chefiar a expedição que iria descobrir o caminho marítimo para a Índia, missão que não chegou a cumprir por ter entretanto falecido.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 24 Jul 2007
Ao domingo seguinte, em amanhecendo, houvemos vista da Ilha do Sal, e logo daí a uma hora houvemos vista de três navios, os quais fomos demandar; e achámos a nau dos mantimentos, Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias, que ia em nossa companhia até à Mina, os quais também tinham perdido o Capitão-mor.
(via http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/velho.htm)
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