Seg 16 Jul 2007
Vasco da Gama pero que se não fiava deles pelos sinais que já tinha visto, levemente o fez, assentando que quando um fosse em terra ficasse outro em o navio; pelo haver mister para a prática da navegação.
Passados dois dias que Vasco da Gama tinha feito este concerto com eles, acertou mandar a manhã seguinte dois batéis buscar lenha e água, que os negros da terra soíam a pôr na praia com prémio que lhe davam, no recolher da qual, de súbito saíram a eles sete zambucos cheios de gente armada a seu modo, e com uma grande grita começaram de os flechar, de que houveram seu retorno com bestas e espingardas que os nossos levavam por resguardo. Com o qual rompimento de paz ficaram em tal estado que nunca mais apareceu barco e tudo se recolheu diante da vista dos nossos para detrás da ilha.
Vasco da Gama, temendo que por algum modo lhe impedissem seu caminho, havido conselho com os capitães e pilotos, um domingo, onze de março, saiu dante a povoação e foi tomar o pouso na ilha de São Jorge, e, depois que ouviu uma missa, se fez à vela, caminho da Índia, levando consiga um dos pilotos, porque ao tempo do rompimento estava o outro em terra.
E parece que os trabalhos que ali haviam de passar ainda não se acabavam com sua partida, porque como ela foi mais por evitar outro maior desastre, quatro dias da sua partida acharam-se quatro ou cinco léguas a quem do cabo de Moçambique, pelas águas correrem tão tesas a ele que lhe abateram todo aquele caminho.
E vendo Vasco da Gama que lhe convinha esperar vento de mais força para romper esta das correntes, a qual mudança seria com a lua nova (segundo o mouro piloto lhe dizia) foi surgir à Ilha de São Jorge donde partira, sem querer ter comunicação com os de Moçambique.
(via http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/livros/pdf/DecadasdaAsia.pdf)