Seg 25 Jun 2007
25
As de Europa trazem luvas preciosas e odoriferas;
as Japoas uns manguitos de seda até meio braço
com todos os dedos fora.
26
As de Europa trazem mantos muito compridos
e pretos;
As nobres japoas curtos e de seda branca.[...]
29
Em Europa vão os homens diante
e as mulheres detrás;
em Japão os homens detrás e as mulheres diante.
30
Em Europa a fazenda é comua entre os casados;
em Japão cada um tem a sua separada e às vezes
a mulher onzena com o marido.
31
Em Europa, além do pecado, é suma infâmia
repudiar a mulher;
em Japão dá um repúdio a quantas quer, e elas não
perdem por isso honra nem casamento.
32
Segundo a natureza corrupta, os homens são
os que repudiam as mulheres;
em Japão, muitas vezes, as mulheres são as que
repudiam os homens.
33
Em Europa pelo rapto de uma parenta se põe toda
a geração a perigo de morte;
em Japão os pais e as mães e irmãos dissimulam
e passam levemente por isso.
34
Em Europa, o encerramento das filhas e donzelas
é muito grande e rigoroso;
Em Japão as filhas vão sós por onde querem por um
dia e muitos, sem ter conta com os pais.
24
Os vestidos das de Europa são cerrados por diante
e cobrem-lhes os pés até o chão;
Os das Japoas são todos por diante abertos e chegam
até o peito do pé .
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Europa/Japão - Um Diálogo Civilizacional no Século XVI”, Apres. de José Manuel Garcia; Fixação de texto e notas por Raffaella D’Intino, Lisboa, CNCDP, 1993)