18

As de Europa trazem jóias e cadeas d’ouro ao
pescoço;
as gentias de Japão nada, e as cristãs relicárias,
ou rosários de contas.

19

As de Europa chegam-lhes as mangas até o colo
da mão;
As Japoas, chegam-lhe até meio braço e não têm
por desonestidade descobrir os braços e peitos.

20

Antre nós andar uma mulher descalça ter-se-ia
por douda ou desavergonhada;
as Japoas altas e baxas a maior parte do ano andam
sempre descalças.

21

As de Europa trazem seu cingidouro muito
apertado;
as Japoas nobres tão largo que lhe anda sempre
caindo.

22

As de Europa trazem aneis com pedraria
e outras jóias;
As Japoas nenhuma peça nem jóia feita de ouro nem
prata usam.

23

As de Europa trazem bolsas ou chaves em seus
cordões e cingidouros;
as Japoas cingem umas tiras de seda delgada
pintadas
com folhas d’ouro, mas não lhe penduram nada.

24

Os vestidos das de Europa são cerrados por diante
e cobrem-lhes os pés até o chão;
Os das Japoas são todos por diante abertos e chegam
até o peito do pé.

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Europa/Japão - Um Diálogo Civilizacional no Século XVI”, Apres. de José Manuel Garcia; Fixação de texto e notas por Raffaella D’Intino, Lisboa, CNCDP, 1993)