Qui 21 Jun 2007
9
As da Europa lavam em suas casas os cabelos
e cabeça;
as Japoas em banhos públicos onde há particulares
lavatórios para os cabelos.[…]
11
As da Europa prezam-se das sobrancelhas bem feitas
e concertadas;
as Japoas as tiram todas com tenaz sem lhe ficar
um só cabelo.
12
As de Europa põem posturas na testa pera a fazer
alva;
as Japoas nobres lhe põem per festa umas pinturas
de tinta preta.
13
As de Europa, em breves anos, se lhe fazem
os cabelos brancos;
as Japoas são de sessenta e não têm cabelo branco
polos untarem com azeite.
14
As de Europa furam as orelhas e enchem-nas
de arrecadas;
as Japoas nem furam orelhas nem trazem arrecadas.
15
Nas de Europa é defeito parecerem-lhe muito
as posturas e afeites do rosto;
as Japoas, quanto mais alvaiade põem, tanto o têm
por maior gentileza.
16
As de Europa trabalham com artefício e confeições
por fazer os dentes alvos;
as Japoas com ferro e vinagre trabalham por fazerem
a boca e os dentes pretos como [carvão (?)].
17
As de Europa trazem maninhas d’ouro e prata
nos braços;
as Japoas nobres de Ximo
umas linhas delgadas em cinco ou seis voltas.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Europa/Japão - Um Diálogo Civilizacional no Século XVI”, Apres. de José Manuel Garcia; Fixação de texto e notas por Raffaella D’Intino, Lisboa, CNCDP, 1993)