Ter 15 Mai 2007
“Depois da escala de Natal, a lenta subida da costa oriental de África começava. Lenta, porque os ventos continuavam obstinadamente contrários. As tripulações, que não tinham completamente ultrapassado a fadiga, manifestavam novamente a sua angústia. O facto de acompanhar uma costa selvagem que nenhum ocidental cristão abordara alimentava um sentimento de insegurança, que apenas alguns podiam compensar ao sentir a exaltação dos descobridores. Por sorte, nessa costa sul de Natal, os indígenas, os bantus, de grande envergadura, não se comportavam como os hotentotes do Cabo. Pacíficos e calorosos, partilharam voluntariamente com estes visitantes extraordinários a água, o peixe, a caça e os frutos de que se alimentavam.
A 4 de Janeiro de 1498, abordaram um estuário que baptizaram Rio do Cobre, porque os indígenas não usavam nenhuma roupagem além de jóias em cobre. O seu acolhimento foi tão amigável que Vasco da Gama resolveu fazer aqui uma longa escala para permitir que os seus homens mais atacados pelo escorbuto se pudessem refazer.
[…]
Depois desta paragem benéfica, prosseguiram a longa subida da costa, que se cobria de florestas sombrias enquanto o mar ia ganhando encantadores tons de esmeralda. Por causa de perigosos fundos de coral, a pequena Bérrio precedia as caravelas, sondando regularmente.
A 22 de Janeiro, descobriram um novo estuário, desta vez um verdadeiro rio, que os indígenas chamavam Zambeze.
“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 147, 148