“A 7 de Novembro, depois de oitenta e cinco dias de mar, um recorde, o vigia gritou da gávea:

– Terra! Terra mesmo em frente!

– Louvado seja Deus!

[…]

A terra da África do Sul estendia-se diante deles, baixa, verdejante, misteriosa, aparentemente deserta; mas a densa mata podia esconder mil perigos. Porém, aqueles que haviam julgado ter perdido tudo, acharam-na acolhedora. Vasco baptizou esta terra com o nome de Santa Helena.

[…]

Tinham acostado a menos de trinta léguas do Cabo da Boa Esperança, no ponto previsto pelo seu genial piloto. Um feito. Os homens amontoaram-se ao pé do castelo de popa, e aclamaram o capitão.

– Viva Vasco da Gama! Glória ao nosso capitão-mor!

E aqueles que gritavam mais alto eram os mesmos que mais o haviam vilipendiado.

Modestamente, Vasco da Gama designou o mestre piloto Pêro de Alenquer, seu amigo, que se lhe tinha juntado. Pegando-lhe na mão, ergueu-a e gritou com força:

– Eis o nosso guia e o nosso salvador!

As aclamações duplicaram! Num gesto espontâneo, que fizera com toda a sua alma, o piloto designou o céu.

– O nosso guia está lá em cima!”

“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 119, 120