Qui 17 Mai 2007
“O velho marabuto tinha dito a Vasco da Gama que encontraria no porto de Melinde bons pilotos susceptíveis de conduzi-los directamente a Calecute, centro de especiarias, sem se perderem ao longo de uma costa indiana que ostentava de norte a sul, ao longo de milhares de léguas, territórios mais ou menos desertos e, oh, quão perigosos! Podia confiar-se neles? Como não imaginar, mais uma vez, uma armadilha fatal montada pelos chefes árabes para sua perdição? O emir de Melinde já devia estar a par da vinda das caravelas de Cristo, devia consequentemente ter mobilizado as suas milícias para os neutralizar, uma palavra que podia esconder o pior.
[…]
Melinde, que alcançaram sem empecilhos, apresentava todas as características de uma cidade meio africana, meio oriental, soalheira, voluptuosa, refinada, ao mesmo tempo indolente e exuberante, rica ou miserável segundo os bairros. Aninhada no côncavo de uma baía harmoniosa, a cidade espraiava-se à beira-mar, oferecendo à vista um palácio, belas casas com andares, à sombra de palmeiras, tamareiras e coqueiros. Em toda a volta da cidade, estendia-se um imenso palmeiral produtor de óleo de coco e, mais além, culturas de milho, alimentação de base dos negros. Os árabes e os indianos, mais bem providos, possuíam hortas e pomares regados em abundância por canais que distribuíam a água límpida do rio Galana; uma água que era tida como a mais pura do mundo, já que o Galana tinha a sua nascente no monte Kilimanjaro, o tecto de África!”
“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 193, 194