Ter 8 Mai 2007
“Três caravelas e um abastecedor repleto de mantimentos para um ano: carnes e peixes salgados e fumados; vinho – Dão e Bairrada –, azeite virgem, manteiga salgada, mel das montanhas; muitos cereais, legumes secos, ervilhas e favas. Osso de choco em quantidade. Algumas barricas de vinagre, para nos preservar da peste, e um bidão de água benta da fonte sagrada da Nossa Senhora da Rocha, contra os feitiços.
– A São Gabriel é a nau capitania?
– Sim. Este três mastros tem uma arqueação de cento e vinte tonéis, do melhor que se faz na arte naval; um segredo bem guardado que nos invejam os espanhóis. Esta caravela recentemente lançada à água é comandada pelo capitão-mor da expedição, Vasco da Gama, que deves ter visto no tombadilho. É secundado por um marinheiro aguerrido, mestre Pêro de Alenquer, o melhor piloto de Portugal. Conhece a rota até ao Cabo da Boa Esperança, já que era o mestre-piloto de Bartolomeu Dias. A segunda caravela, a São Rafael, pauta-se por cem tonéis. Paulo da Gama, o irmão do capitão-mor, comanda-a. O seu piloto é João de Coimbra. A terceira nau, a Bérrio, do nome do seu antigo armador, fica-se pelos cinquenta tonéis, mas é a mais ligeira, a mais rápida, capaz de navegar sobre fundos baixos e de explorar costas e estuários. Capitão Nicolau Coelho. O abastecedor, o Camelo, com duzentos tonéis, é comandado por Gonçalo Nunes, um pirata arrependido. As quatro tripulações, todas intermutáveis, totalizam cento e cinquenta homens, incluindo os soldados. Não embarcamos nenhum passageiro.”
“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 40, 41