Maio 2007
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Qui 31 Mai 2007

D. Manuel I, o “Venturoso”, nasceu em Alcochete a 31 de Maio de 1469, falecendo em Lisboa a 13 de Dezembro de 1521, tendo sido o 14º Rei de Portugal, de 1495 a 1521, o único a subir ao trono sem ser descendente ou irmão do antecessor, beneficiando da morte de um primo e de cinco irmãos.
Foi o nono filho de D. Fernando, Duque de Viseu (irmão do Rei D. Afonso V), sendo primo e, posteriormente, cunhado do Rei D. João II (o qual casara com D. Leonor, irmã de D. Manuel), tendo sido educado na Corte.
Não obstante começar por ser um filho segundo da aristocracia, em 1484 era já o principal senhor privado do reino, concentrando os títulos de Duque de Beja e de Viseu, de governador da Ordem de Cristo e de condestável do reino.
Com o falecimento de D. João II, sem filhos legítimos (não obstante tenha procurado legitimar um bastardo, infante D. Jorge de Lencastre, que viria a ser Duque de Coimbra) nem irmãos sobrevivos - extinguindo-se assim, automaticamente, toda a descendência de D. Afonso V -, D. Manuel (neto de D. Duarte; tendo todos os seus cinco irmãos mais velhos falecido já até 1484) viria a herdar o trono, também por influência da irmã, obstando às pretensões do referido D. Jorge de Lencastre.
Prosseguiria a política de expansão marítima, enquanto procurava, paralelamente, a unidade ibérica, mediante uma estratégia matrimonial; o que viria a concretizar-se, mas com a união das coroas no soberano espanhol, com Filipe I (não obstante D. Manuel ter deixado 6 filhos varões legítimos).
Em 1497 casou com D. Isabel de Aragão, filha dos Reis Católicos espanhóis (entretanto já viúva do filho de D. João II, D. Afonso, falecido aos 16 anos, na sequência de uma queda de cavalo), vindo a ser jurados herdeiros dos tronos de Castela e Aragão. Porém, D. Isabel viria a falecer aquando do parto de D. Miguel da Paz, o qual, no dia do seu nascimento, seria aclamado rei de Portugal e dos referidos reinos; o herdeiro viria contudo a falecer com menos de 2 anos de idade.
D. Manuel viria a casar novamente, em 1500, com D. Maria de Castela (igualmente filha dos Reis Católicos), união de que viriam a nascer os futuros reis D. João III e Cardeal D. Henrique. De novo viúvo desde 1517, casaria ainda, em 1519, com D. Leonor de Castela.
O seu reinado fica marcado pelo apogeu dos Descobrimentos, de que foi um dos principais impulsionadores (desenvolvendo o plano da Índia, engendrado por D. João II) - de que decorre o seu cognome (tornando-se senhor de um Império marítimo abarcando dois oceanos e quatro continentes, ostentando o título de “Rei de Portugal e dos Algarves, de aquém e de além-mar, senhor da navegação e da conquista da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia”) -, tendo mandado erigir obras monumentais como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, retomando a construção do Mosteiro da Batalha, e intervindo ainda no Convento de Cristo, em Tomar, criando um estilo arquitectónico, designado “manuelino”.
Nesse período de 26 anos Vasco da Gama conseguiria finalmente descobrir o caminho marítimo para a Índia, tendo Pedro Álvares Cabral concretizado o “achamento” do Brasil, enquanto Afonso de Albuquerque dominava a Índia, assegurando para Portugal o monopólio do comércio das especiarias orientais.
A base económica de Portugal passara a repousar no ouro da Mina - a política imperial continuou a assentar, sobretudo, no controlo do Oceano Atlântico e na ocupação das suas ilhas - e na pimenta da Índia, alvo de monopólio régio.
Todavia, as riquezas de que beneficiou não seriam devidamente aplicadas, tendo sido utilizadas em fausto e luxo (próprio de um príncipe do Renascimento), preparação de novas frotas e investidas bélicas; logo a partir de 1512, Portugal começaria a atravessar uma conjuntura de crise.
D. Manuel teria também de lidar com a questão dos judeus, refugiados em Portugal na sequência da expulsão de Espanha, decretada pelos Reis Católicos. Influenciado pelos sogros, viria a impor aos judeus a conversão ao catolicismo, para evitar também a expulsão de Portugal, tornando-se muitos “cristãos-novos”. Em 1506, com o crescendo do sentimento anti-judaico, dar-se-ia o pogrom de Lisboa, com o massacre de cerca de 4 000 judeus.
Noutro domínio, a par de uma política centralizadora, lançou um amplo programa de reformas administrativas, publicando as “Ordenações Manuelinas”, revendo as leis fiscais, reformando a justiça e ordenando o aparelho público.
Quando parecia que D. Manuel poderia vir a liderar a Cristandade contra os muçulmanos, Lisboa seria atingida pela peste; vítima do flagelo, em 1521, encerrava-se o reinado do “Venturoso”, que viria a repousar no Mosteiro dos Jerónimos.
(Imagem via Wikipédia)
Bibliografia consultada
- “História de Portugal - Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004
- “D. Manuel I”, por João Paulo Oliveira e Costa, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005
Qui 31 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
AntecedentesComentários
“Cadamosto descobre algumas das ilhas de Cabo Verde. Diogo Gomes continua a exploração dos rios da Guiné”.
(in suplemento da Revista Visão nº 371 - Abril de 2000)
Qui 31 Mai 2007
Aos 31 do mes em sabbado não tomey o sol por estar doente. O vento foi leste, a proa ao sul e a quarta so sueste ora mais ora menos; esta menhã andou o vento sem ver sosego com alguns augaceiros de pouca agoa, e com elle se fez o vento hum pouco sueste e logo tornou a deixar ir ao sul, mandey tomar a vela da gavea por a não aribar com ella. Eu dey a nao o caminho 20 legoas ao susudueste, parte delle ao sul e quarta do sudueste, mas tanto por hum como pello outro dando a nao em todo este caminho duas quartas e meia de abatimento, huma d’agulha e o mais do seu abatimento, fico em 15 graos escasos leste e oeste com os Ilheos e Ençeada das Ostras pello ponto que trago 120 legoas da terra, e oje marquey o sol pela menhã e ontem a tarde ao por, achey que agulha me nordestea huma quarta larga, e a viagem passada de São Pantaleão nesta mesma altura achey a mesma deferença e asim, estando o mesmo da terra a que oje estou, querera Nosso Senhor que asim será. Agora o vento venta fresco, a noitte esteve boa, o mar mais chão que os dias atrás, o ventto anda ora a leste ora toma do sueste, sempre com a proa ao redor do sul. Levamos muitos doentes em cabo e com muitas necesidades, e não ha pera que escape de lhe não dar, eu ha fines dias ando da dieta com hua pouca de febre. Lembre se Nosso Senhor de nos e a Virgem do Rozairo Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qui 31 Mai 2007
Se chega novamente algum hóspede à casa dalgum seu amigo ou parente, se o dono da pousada não está vestido de festa, entrando o hóspede nenhuma menção nem conta faz dele até mandar trazer vestidos festivos e calçado. E depois de vestido e calçado vai-se ao hóspede e recebe-o com grandes gasalhados e cortesias, porque têm que não convém que novo hóspede e de obrigação se receba com vestidos e trajos comuns, senão que vestido de festa o agasalhem, porque nisto lhe mostra[m] que sua entrada em sua casa é dia de festa para ele[s].
Qualquer pessoa ou pessoas que chegam a qualquer casa de homem limpo, têm por costume oferecerem-lhe em uma bandeja galante uma porcelana, ou tantas quantas são as pessoas, com uma água morna a que chamam chá, que é tamalavez vermelha e mui medicinal, que eles costumam a beber, feita de um cozimento de ervas que amarga tamalavez. Com isto agasalham comummente todo género de pessoa[s] que têm algum respeito, quer conhecidos quer não, e a mim ma ofereceram muitas vezes.
São os chinas mui comedores e comem muitas iguarias. Comem a uma mesa peixe e carne, e a gente baixa às vezes guisa tudo junto. As iguarias que se hão-de comer a uma mesa todas juntas se põem à mesa, para que cada um coma do que mais lhe agradar. A gente limpa e nobre tem muita polícia em seu trato, conversação e trajo. Tem a gente comum algumas coisas grosseiras.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Tratado das Coisas da China”, Introd., modernização do texto e notas de Rui Manuel Loureiro, Lisboa, Edições Cotovia, 1997)
Qua 30 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Este navegador pertencia à casa do infante D. Henrique e participou nas primeiras viagens dos Descobrimentos.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 30 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
AntecedentesComentários
“Começa a ser construída a fortaleza de Arguim e é fundada, em Lagos, a Casa dos Tratos da Feitoria de Arguim. Ao serviço de D. Henrique, o italiano Cadamosto explora os rios da Guiné. O Papa Nicolau V confirma a posse pelos portugueses das terras descobertas ou a descobrir”.
(in suplemento da Revista Visão nº 371 - Abril de 2000)
Qua 30 Mai 2007
Aos 30 do mes em sesta feira thomey o sol e fiquey em 14 graos menos 1/6. O vento foi leste e lessueste, a proa foy sempre ao redor do sul, as veses tocava a coarta do sueste e ventou bem, e o mar muito forte e groso que dezinquieta a nao muito. Eu dey a não o caminho pello susudueste, porque ainda cuido que a nao abate. Andou 19 legoas que he o que podia andar porque toda a noite e oje não levamos vella da gavea de proa, asy porque a nao como como a damos arriba muito, como porque com os chuveiros não há gente pera acudir a tudo por irmos todos doentes. Eu fico pello ponto que trago da Baya de Todos os Santos, que he a altura d’oje 125 legoas, mas pella conta d’agulha que trago, posto que en toda esta voltta oje não posso fazer nenhuma demarcação por sempre aver muitos çeos grosos ou pella banda de leste ou pela d’aloeste, 95 legoas, e por este ponto me demora o baixo do Abroso ao sudueste e pello meo a quarta d’aloeste. Vou muito enfadado em nos o vento não querer largar, pello que vamos muito apertados. Lembre se Nosso Senhor de nos e a Virgem do Rozairo Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qua 30 Mai 2007
Usam de cabelo comprido como mulheres, o qual trazem bem pensado e o penteiam cada dia muitas vezes. Trazem-no atado no cume da cabeça e o nó atravessado com um prego de prata comprido e delgado. Os que não são casados, a saber, mancebos solteiros, trazem por divisa apartadura na fronte mui bem feita; o barrete ficalhe[s] por cima dela, para que fique descoberta. Têm idolatria no cabelo e por isso o cria[m] tão comprido, tendo que por ele hão-de ser levados ao céu.
Os sacerdotes comuns não criam cabelo, mas andam rapados, porque dizem que não hão mister ajuda que os leve ao céu. Todavia, entre eles alguns sacerdotes do templo de ídolos - que entre os chinas são mais reverenciados que os outros -, estes criam cabelo e trazem-no no cume da cabeça arrematado com um pau muito bem feito a modo de mão fechada, envernizado de muito bom verniz, que chamam acharão. E estes sacerdotes trazem pelote preto, trazendo os outros pelote branco.
São homens os chinas mui corteses. A cortesia comum é: cerrada a mão esquerda, fecham-na na direita e chegam e arredam amiúde as mãos ao peito, mostrando que têm um a outro fechado no coração. E a este movimento de mãos ajuntam palavras de cortesia, ainda que as palavras de gente comum é dizer um a outro, chifá mesão, que quer dizer “comestes ou não”, que todo seu bem nesta vida se resolve em comer. As cortesias particulares entre homens que tem algum primor e que há dias que se não viram são: arcados os braços, travados os dedos das mãos uns nos outros, se abaixam e estão com grandes palavras de cortesia, cada um trabalhando de dar a mão ao outro para que primeiro se alevante. E quanto mais honrados são, mais se detêm nestas cortesias. A gente honrada e nobre usa também à mesa de muitas cortesias, dando um de beber ao outro, e cada um trabalha de dar a mão ao outro no beber, porque à mesa não há outro serviço senão o do beber.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Tratado das Coisas da China”, Introd., modernização do texto e notas de Rui Manuel Loureiro, Lisboa, Edições Cotovia, 1997)
Ter 29 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Navegador (séculos XV e XVI). Piloto de carreira da Índia, em 1520 chegou a Calaiate, no comando de uma nau. Participou na expedição de Cristóvão de Mendonça que, saindo do Sul de Samatra, em 1522, partiu à descoberta das “ilhas do ouro”, para os lados da Austrália.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 29 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
AntecedentesComentários
“Constantinopla cai em poder dos turcos otomanos e termina a Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra. Zurara, cronista da corte, dá por concluída a Crónica dos Feitos da Guiné”.
(in suplemento da Revista Visão nº 371 - Abril de 2000)
Ter 29 Mai 2007
Aos 29 do mes em quinta feira não tomey o sol por estar doente. O vento foi leste e tomava do sueste as veses; a proa foi sempre esta noite athe oje ao meo dia ao sul e quarta do sueste e a sueste franco, ontem a tarde era ainda escaso e não chegava ao sul. Eu lhe dey o caminho hum per outro ao susudueste a nao 23 legoas. O vento ventou bem e a noite estava clara, oje de dia esta o tempo e muitos çeos grosos e de ma feição, e pello meo dia veyo o vento de lufada e berbosão ventando muito; o mar vem ainda feito de lessueste. Fico 13 graos menos 1/6. Vou enfadado deste vento nos não querer largar nem estes ceos grosos e parede que se nos arma de ceos ao sueste de contino não querer deixar largar o ventto; esta tarde a grandes salseiros de vento que nos vem de borbotão com çeos que se alevantão, e a proa com ella não pode ter mais que ao sul ora mais ora menos, e o mar anda muito feito e estrampalhado com que a nao trabalha muito, e o vento he pezado que nos faz amainar as vellas da gavea. Nosso Senhor dos de boa viagem e a Virgem do Rozairo Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Ter 29 Mai 2007
Capítulo XIII
Dos Trajos e usos dos homens.
Ainda que os chinas comummente sejam feios, tendo olhos pequenos e rostos e narizes esmagados, e sejam desbarbados, com uns cabelinhos nas maçãs da barba, todavia se acham alguns que têm os rostos mui bem feitos e proporcionados, com olhos grandes, barbas bem postas, narizes bem feitos. Mas destes são muito poucos, e pode ser que sejam de outras nações nos tempos antigos entremetidas nos chinas, em tempo que eles comunicavam diversas gentes.
Seu trajo comum é pelotes de pregas compridos ao nosso bom modo antigo; dão volta por cima do peito, atando-se na ilharga, e todos em geral usam nos pelotes mangas muito largas. Trazem comummente pelotes pretos de linho ou de sarja fina ou grossa de diversas cores; alguns trazem pelotes de seda, muitos os usam nas festas de seda; e os regedores comummente vestem sarja fina, e nas festas usam de sedas ricas, principalmente de carmesim, o qual na terra ninguém pode trazer senão eles. A gente pobre comummente traz pelote de linho branco, porque custa pouco. Na cabeça trazem um barrete alto e redondo feito de varinhas muito finas sobretecidas de seda preta mui bem feito.
Usam de meias[s] calça[s] de pear inteiro, as quais são mui bem feitas e pespontadas. E trazem botas ou sapatos segundo a curiosidade ou possibilidade de cada um, ou de seda ou de couro. No Inverno trazem meias calças de feltro, ou grossas ou delgadas, mas o pano é feito de feltro. Também usam no Inverno de vestidos forrados de martas, principalmente ao redor do pescoço. Usam também de cabaias acolchoadas, e alguns usam de cabaias de feltro no Inverno, debaixo do pelote.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Tratado das Coisas da China”, Introd., modernização do texto e notas de Rui Manuel Loureiro, Lisboa, Edições Cotovia, 1997)
Seg 28 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
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Protagonistas[2] Comentários

D. Afonso IV, o “Bravo”, nasceu em Coimbra (ou Lisboa) em 1291, vindo a falecer a 28 de Maio de 1357; foi o 7º Rei de Portugal, com um longo reinado, entre 1325 e 1357.
Filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão (a “Rainha Santa”), teve como mestre responsável pela sua educação D. Martinho (ou Martim) de Oliveira, arcebispo de Braga; desconhecendo-se contudo o conteúdo da sua formação, inclusivamente se saberia ler ou escrever.
A sua vida ficou marcada por disputas familiares, desde logo com o próprio pai, provocando uma guerra civil - que se prolongou de 1319 a 1324 - liderando a revolta dos nobres face à política centralizadora do Rei, ao mesmo tempo que procurava afirmar a sua posição face ao filho bastardo de D. Dinis, Afonso Sanches, alegadamente favorecido pelo Rei (então com a Rainha Santa a fazer a “mediação”).
Pouco depois de ascender ao trono, teria novo confronto, desta vez com um forte ataque desencadeado contra o referido meio-irmão, Afonso Sanches, obrigando a nova intervenção de D. Isabel. Em 1326, também outro seu meio-irmão, João Afonso, seria condenado à morte, por alegada traição.
Cerca de 1336, o conflito seria com Castela; a sua filha D. Maria havia casado com Afonso XI de Castela, mas este viria a desprezá-la, em desfavor de Leonor de Gusmão. D. Afonso IV viria a intervir na relação entre a filha e o genro, acabando por provocar uma guerra entre os dois países.
Em 1340 (a 30 de Outubro - já ultrapassado o anterior conflito) viria a enfrentar - a solicitação do Rei de Castela - os mouros, na Batalha do Salado (nas margens do Rio Salado, na região de Tarifa, Espanha, próximo do estreito de Gibraltar), defrontando (integrando uma coligação de exércitos cristãos composta por castelhanos, portugueses e aragoneses) o rei islâmico de Granada, batalha em que, assumindo um papel determinante na derrota da última grande tentativa de invasão muçulmana da península Ibérica, terá adquirido o cognome de “Bravo”.
O ciclo inaugurado pela vitória cristã na Batalha do Salado teria continuidade em 1341, com Afonso IV a enviar uma esquadra naval de 10 galés, comandadas pelo Almirante Manuel Pessanha (genovês contratado no reinado de D. Dinis), juntando-se à frota castelhana no Estreito de Gibraltar.
Viria ainda a ter desentendimentos com o filho, e príncipe herdeiro, D. Pedro, quando, em 1355, sentenciou a morte da sua apaixonada, a galega Inês de Castro, o que provocaria uma rebelião militar por parte do filho, neste caso com a rainha D. Beatriz a apaziguar o conflito.
Não obstante as inúmeras disputas, o seu reinado ficaria também marcado pelo impulsionar do desenvolvimento da Marinha - inicialmente como forma de fazer face ao perigo muçulmano, mas também com motivações comerciais, articulando duas grandes áreas do comércio internacional, a mediterrânica e a atlântica, com produções complementares -, com as primeiras viagens às ilhas Canárias, tornando-se precursor dos Descobrimentos.
Conseguiria implementar uma boa organização e administração interna, com reforço do poder régio nas áreas da justiça e administração, tendo também institucionalizado os corregedores ou juízes de fora (externos às terras onde tinham a missão de aplicar a justiça, visando assegurar maior imparcialidade).
Nos últimos anos do seu reinado, a peste negra (1348) viria a deixar o país numa profunda crise social e económica.
(Imagem via Wikipédia)
Bibliografia consultada
- “História de Portugal - Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004
- “D. Afonso IV”, por Bernardo Vasconcelos e Sousa, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005
Seg 28 Mai 2007
Publicado por Leonel Vicente em
AntecedentesComentários
“Diogo de Teive descobre as ilhas açorianas de Flores e Corvo”.
(in suplemento da Revista Visão nº 371 - Abril de 2000)
Seg 28 Mai 2007
Aos 28 do mes em quarta feira tomey o sol e fiquey em 11 graos e 2/3. O vento foi lessueste muito ventante e com muitos chuveiros de noite; a proa foi ao sul ora cardeando ora em cheo e as veses tocava a quartta do sueste, e o mar he muito groso e a nao ariba muito que com yr sem sevadeira nem vella da gavea de proa nem monetta do traquete ainda ariba. Eu dey a nao o caminho hum per outro a quarta do sul a metade e a outtra ametade ao susudueste. Andou a nao 24 legoas e de todo este caminho lhe vendo dando duas quarttas e mea e as veses tres d’abatimento, pello que muito que arola a não por ser muito curta, com que vou enfadado muito mais com este vento nos não querer largar, porque nesta paragem ha sempre leste e lesnordeste e elle não nos faz nunca de llessueste e com mar grosso e com muitos achuveiros e muito serados, como a lua say que não apareces senão nuvens serradas. Eu estou oje pello ponto que trago d’agulha da mais chegada terra de minha altura que he RioReal 95 legoas e pello ponto 125 legoas, mas eu estou com agulha e em me ser a nao a terra per muito que julaventaea. Lembre ce Nosso Senhor de nos e a Virgem do Remedio Madre de Deos.
(via “Uma Viagem Redonda da Carreira da Índia (1597-1598)”, de Joaquim Rebelo Vaz Monteiro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
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