Qua 11 Abr 2007

D. João I, o de “Boa Memória”, filho ilegítimo de D. Pedro I, nasceu em Lisboa a 11 de Abril de 1357 (pouco mais de um mês antes de o pai herdar o trono, por morte de D. Afonso IV), vindo a falecer, também em Lisboa, a 14 de Agosto de 1433; foi Rei de Portugal (10º rei) a partir de 1385, sendo o fundador da Segunda Dinastia, de Aviz. Havia sido nomeado Mestre de Avis pelo rei, seu pai, com apenas 7 anos de idade.
A sua educação começou por ficar a cargo do alegado avô materno, Lourenço Martins (pai de Teresa Lourenço); a partir de 1363 teria como instrutor D. Nuno Freire de Andrade, mestre da Ordem de Cristo; posteriormente, seria ainda Fernão Rodrigues Sequeira a ocupar-se da sua instrução.
Com a morte de D. Fernando (seu “meio-irmão”), em 1383, iniciava-se um período de grave crise (passando mesmo por um período de “guerra civil”), que perduraria até 1385; não existindo filho varão (e tendo em consideração que a filha D. Fernando, D. Beatriz, havia casado com o rei de Castela), colocava-se o problema da sucessão, estando mesmo em causa a independência de Portugal.
A rainha viúva, D. Leonor Teles, assumira a regência do reino, sendo acompanhada pelo conde João Fernandes Andeiro, seu conselheiro, de próximo relacionamento. Perante a ameaça de um possível rei estrangeiro - em paralelo com uma conjuntura de sequenciais pobres anos agrícolas e carências alimentares, a par do espectro de epidemias, com o decréscimo de mão-de-obra, num cenário de crise económica e social -, organizou-se em Lisboa (ainda em 1383) um movimento popular (com apoio da burguesia e de parte da nobreza), que acabaria por se traduzir no assassinato do conde Andeiro, com o mestre de Aviz, futuro D. João I, apoiado por Álvaro Pais, a ser proclamado Regedor e Defensor do Reino.
D. João I - entretanto designado rei nas Cortes de Coimbra, a 6 de Abril de 1385, beneficiando do apoio do especialista em leis, João das Regras - prepararia a defesa face à invasão de Portugal por João de Castela (solicitada por D. Leonor Teles, visando impor os direitos de sua filha, D. Beatriz - esposa do monarca espanhol - ao trono de Portugal). Assumiria então preponderância a acção do futuro Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, culminando na vitória na batalha de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, que viria a dar origem à construção do Mosteiro da Batalha (Mosteiro de Santa Maria da Vitória).
A 9 de Maio de 1386, D. João I celebrava a mais antiga aliança da Europa, com a assinatura do Tratado de Windsor (com Ricardo II de Inglaterra), um tratado com vertentes militares, comerciais, políticas e diplomáticas, ficando também acordado o seu casamento com D. Filipa de Lencastre (que seria concretizado a 2 de Fevereiro de 1387); deste matrimónio descenderia a “Ínclita Geração”: o futuro rei D. Duarte e os Infantes D. Pedro, D. Henrique, D. Fernando e D. João e a Infanta D. Isabel.
Já em idade avançada, em Agosto de 1415, D. João I, partiria com os filhos para o Norte de África, para conquistar Ceuta (sendo então D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique armados cavaleiros por feito de guerra), no que consubstanciaria o início da expansão portuguesa.
Poucos anos depois, eram descobertas as ilhas de Porto Santo ((1418), da Madeira (1419) e dos Açores (1427), sendo também efectuadas diversas expedições às Canárias, por iniciativa do Infante D. Henrique.
D. João I preparava entretanto D. Duarte para lhe suceder no trono, ao mesmo tempo que escrevia o Livro da Montaria, uma das mais importantes obras literárias portuguesas do século XV. O seu interesse por questões culturais levaria também a que mandasse redigir a Crónica Breve do Arquivo Nacional e à tradução do Novo Testamento. Foi também responsável pela adopção da era de Cristo, em substituição da era de César.
Já enfermo e viúvo, o seu último acto de importância - de um longo reinado, de 48 anos - consistiria na assinatura do tratado de paz com o rei de Castela, em 1431, em que este declarava ceder todos os eventuais direitos sobre os Reinos de Portugal e dos Algarves. Viria a ser sepultado, tal como expressamente solicitara, no Mosteiro da Batalha.
(Imagem via Wikipédia)
Bibliografia consultada
- “História de Portugal - Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004
- “D. João I”, por Maria Helena da Cruz Coelho, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005
Junho 14th, 2007 at 22:06
[...] Fidalgo (?-Alfarrobeira, 20 de Maio de 1449). Conde de Abranches, na Normandia, conquistou o título devido a “gloriosas façanhas” ao serviço de sua majestade, o rei Henrique VI de Inglaterra, durante a Guerra dos Cem Anos. Do monarca inglês também recebeu a honra de se tornar cavaleiro da Ordem da Jarreteira. Esteve presente na conquista de Ceuta, tendo sido armado cavaleiro pelo seu amigo íntimo, o infante D. Pedro, filho de D. João I. Esteve sempre ao lado do infante, durante as lutas pela regência e acabou por falecer com ele na Batalha de Alfarrobeira, em 1449. [...]
Junho 14th, 2007 at 22:27
[...] Nascido no Porto a 4 de Março de 1394, “o Navegador” (apesar de nunca ter sulcado as ondas do Oceano para além das suas expedições de conquista em Marrocos, na costa do Norte de África) foi o quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, fazendo parte da “Ínclita Geração”. [...]
Junho 14th, 2007 at 23:58
[...] Navegador (século XV). Escudeiro de D. João I, em 1442, participou na exploração do golfo de Arguim, e dois anos mais tarde descobriu o Cabo Verde e a ilha de Palma. Foi o primeiro navegador português a trazer negros, quatro no total, no regresso a Portugal. [...]
Junho 15th, 2007 at 0:15
[...] Infante de Portugal (Santarém, 29 de Setembro de 1402-Fez, 5 de Junho de 1443). Oitavo e último filho de D. João I e da rainha D. Filipa de Lencastre, ficou conhecido como o Infante Santo. Ainda em jovem, foi um valioso colaborador do infante D. Pedro, que lhe entregou o governo das suas terras, quando, em 1425, partiu em viagem pela Europa. Em 1428, D. Fernando foi uma das testemunhas do contrato de casamento de D. Duarte com D. Leonor de Aragão e, após o regresso do seu irmão D. Pedro, interveio como mediador num grave conflito entre este e o rei. Letrado e de grande integridade moral, foi protector de Fernão Lopes e de frei João Álvares, seu fiel secretário que mais tarde o acompanharia no cativeiro em África e escreveu a seu pedido a Crónica do Infante Santo D. Fernando. Em 1433, aquando da subida de D. Duarte ao trono, D. Fernando tornou-se senhor de Atouguia da Baleia e Salvaterra do Campo e recebeu o mestrado e governo da Ordem de Avis, vindo, em 1436, a recusar o chapéu cardinalício, que lhe foi oferecido por D. Gomes Ferreira, enviado do papa Eugénio IV. Foi nessa altura que surgiu como firme partidário da conquista de Marrocos. Para o seu desejo de levar avante esta aventura, terá contado o descontentamento que servia relativamente à divisão de bens entre os irmãos, chegando mesmo a ameaçar sair do reino. Com efeito, vários historiadores defendem que, tal como tantos cavaleiros da época, D. Fernando seria movido pelas riquezas que poderia obter no estrangeiro. Assim, em 1437 surgiu ao comando da expedição a Tânger, na companhia do seu irmão infante D. Henrique. Porém, a missão fracassou, seguindo-se a prisão de D. Fernando, que se ofereceu para ficar como refém, sendo condição para a sua libertação a entrega de Ceuta por parte dos portugueses. Perante a recusa dos seus irmãos em entregar a praça marroquina, D. Fernando ficou abandonado à sua sorte: levado para Arzila e, posteriormente, para Fez, acabou por morrer nas piores condições, enquanto em Portugal continuava a discussão sobre o cumprimento do que fora pactuado. Nascia assim a lendária figura do príncipe martirizado em benefício da nação. D. Fernando foi sepultado no Mosteiro da Batalha, depois dos seus restos mortais terem sido resgatados e trazidos para Portugal, em 1471. [...]
Junho 15th, 2007 at 0:21
[...] Cronista (século XVI). Companheiro do infante D. Pedro, filho de D. João I, que levou a cabo várias viagens pelo mundo. Destas resultou o minucioso relato escrito por Gomes de Santo Estêvão, o Auto do Infante D. Pedro de Portugal, também conhecido como Livro das Sete Partidas do Infante D. Pedro de Portugal. [...]
Junho 15th, 2007 at 9:48
[...] Vedor da Fazenda (?-1435?). Foi figura destacada no fim da Dinastia de Borgonha e, especialmente, no início da de Avis. Esteve ao lado do mestre de Avis, durante a crise de 1383-1385 e foi contador de D. Nuno Álvares Pereira. Foi igualmente um dos impulsionadores da expedição a Ceuta. Aconselhou e incentivou os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique a apresentarem ao rei D. João I um projecto de expedição ao Norte de África. Homem experiente nos negócios públicos, queria possibilitar a abertura de novos mercados que dessem um novo rumo à economia nacional. Várias foram as confusões geradas à volta de João Afonso, que era um nome vulgar na época. Mas, entretanto, surgiu o consenso de que João Afonso e João Afonso de Alenquer são a mesma pessoa, até porque num mesmo documento é usado indiscriminadamente um ou outro nome. Deixou filhos legítimos e ilegítimos e julga-se que foi avô do navegador João Gonçalves Zarco. [...]
Setembro 9th, 2007 at 19:17
[...] em Viseu a 31 de Outubro de 1391, vindo a falecer em Tomar, a 9 de Setembro de 1438), filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, foi o 11º Rei de Portugal, de 1433 a 1438 (enquanto segundo filho [...]
Setembro 20th, 2007 at 18:15
[...] de Portugal (Santarém, 13 de Janeiro de 1400 - Alcácer do Sal, 1442), filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, foi administrador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. E em 1419 [...]
Outubro 22nd, 2007 at 13:52
[...] irmãos mais novos. Seria, aliás, a filha dilecta do pai. A 2 de Fevereiro de 1387, casou-se com D. João I, durante uma cerimónia que se realizou no Porto. Entre 1387 e 1402, teve oito filhos. Mãe [...]
Abril 8th, 2008 at 23:17
isto ajudou-me imenso para o meu trabalho de historia.
mas podia ter mais coisas.
esta muito bem expliclado.
esta bue fixe.
Junho 2nd, 2008 at 12:52
ESTE DOCUMENTO E MUITO BOM TEM UMA PARTE DA HISTORIA DELE QUE ME AJUDOU A FAZER UM BOM TRABALHO…MUITO OBRIGADO