Sex 2 Mar 2007
“E com a memória da cruz
fiz-lhe dizer üa missa,
e prometi-vos em camisa
a Santa Maria da Luz.
E logo à quinta-feira
fui ao Spírito Santo
com outra missa também.
Chorei tanto que ninguém
nunca cuidou ver tal pranto.
Correstes aquela tromenta?
Andar…
MARIDO: Durou três dias.
AMA: As minhas três romarias
com outras mais de quarenta.
MARIDO: Fomos na volta do mar
quasi a quartelar:
a nossa Garça voava
que o mar se espedaçava.
Fomos ao rio de Meca,
pelejámos e roubámos
e mui risco passámos:
a vela, árvore seca.
AMA: E eu cá esmorecer,
fazendo mil devações,
mil choros, mil orações.
MARIDO: Assi havia de ser.
AMA: Juro-vos que de saudade
tanto de pão não comia
a triste de mi cada dia
doente, era üa piedade.
Já carne nunca a comi,
esta camisa que trago
em vossa dita a vesti
porque vinha bom mandado.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)