Ter 6 Fev 2007
Trato da Persia.
Á nesta terra da Pérsia gram soma de mercadorias, e a terra é em si de grande trato, por que ho tem des[de] ho Cairo ate Armenia, em que se contem muitas provimçias mui nobres e ricas. E de Torquia, pela /Suria, vem grande trato à Pérsia. Tem ha terra riqueza e outras muitas seedas, de que se fazem os panos e outras sortes de chamalotes de cores finos; tem tutia em garnde camtidade, muita pedra hume, caparoza, allcofor, que os mouros muito usam; tem muitos cavalos e mantimentos, tem muitas torquezas, que nasem na terra de Cues, tem muita sera, mell, manteiga. E tudo isto hé naturall da terra. Pela bamda do reino de Deli, detras da serra, parese vir pela via de Siam, de reino em reino, allmisquere, ruibarbo, agila, lenho aloes de botica e cânfora. Todas estas cousas, e outras muitas, vem d’Ormuz: tapetes grandes e alcatifas, e panos de lam, muitos e de muitas cores, chapeos, barretes à sua gisa, armarias sem numero. Retornão gram soma de mercadorias, d’espeçearias e drogas, prinçipallmente pimenta, que se gasta muito na Perçia, por que sam humens de mais potageens que Alemais.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 – a partir de “O Manuscrito de Lisboa da Suma Oriental” de Tomé Pires; Rui Manuel Loureiro, Lisboa, Instituto Português do Oriente, 1996)