Fevereiro 2007


“Bésoos las manos, Señora,
voyme con vuessa licencia
más ufano que Florencia.
AMA Ide e vinde muit’ embora.

MOÇA Jesu! Como é rebolão!

Dai, dai ao demo o ladrão.
AMA Muito bem me parece ele.

MOÇA Não vos fieis vós naquele,

porque aquilo é refião.
AMA Já lh’eu tenho prometido.

MOÇA Muito embora, seja assi.

AMA Um Lemos andava aqui

meu namorado perdido.
MOÇA Quem? O rascão do sombreiro?

AMA Mas antes era escudeiro.

MOÇA Seria, mas bem safado;

não suspirava o coitado
senão por algum dinheiro.
AMA Não é ele homem dessa arte.

MOÇA Pois inda ele não esquece?

Há muito que não parece.
AMA Quant’ eu não sei dele parte.

MOÇA Como ele souber à fé.

Que nosso amo aqui não é,
Lemos vos visitará.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Guerreiro e diplomata (séculos XV e XVI). Contava com 16 anos, quando foi armado cavaleiro e, em 1505, rumou ao Oriente na Armada de D. Francisco de Almeida. Participou na conquista de Mombaça (1505), nos combates de Chaul (1506) e Calecute, onde foi ferido, e na tomada de Goa (1510). Teve ainda parte activa na conquista de Malaca (1511), onde ficou como capitão-mor. Também lhe estava reservada outra missão, pois foi escolhido para encetar as trocas comerciais com a China, o que veio a fazer entre 1517 e 1518. Foi precisamente na China que criou fortuna. Não se sabe, contudo, se terá morrido nas Molucas, em combate, se terá regressado definitivamente a Portugal.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Anno de 1531

Esta armada partio a 20 de Abril sem capitão-moor. Capitães: Achiles Godinho, Diogo Botelho, Janim, homem genovez, Manoel de Macedo, o corregedor Pero Vaz Amaral, que arribou ao Reino, e Manoel de Maçedo se perdeo detraz do Cabo do Comorim em h~ua ilha rasa defronte de Calicaré.

Neste anno se fundou a fortaleza de Galle a que se pos nome Sancta Maria do Castello, o primeiro capitão Diogo Pereira.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

“CASTELHANO No me hagáis derreñegar
o hazer un desatino.
Vós pensáis que soy devino?
Soy hombre y siento el pesar.
Trayo de dentro un léon,
metido en el coraçón:
tiéneme el alma dañada
de ensangrentar esta espada
en hombres, que es perdición.
Ya Dios es importunado
de las ánimas que le embío;
y no es en poder mío
dexar uno acuchilado.
Dexé bivo allá en el puerto
un hombrazo anto y tuerto
y después fuilo a encontrar;
pcnsó que lo iva a matar,
y de miedo cayó muerto.
AMA Vós queríeis ficar cá?
Agora é cedo ainda;
tornareis vós outra vinda,
e tudo se bem fará.
CASTELHANO A qué hora me mandáis?

AMA Às nove horas e nô mais.

E tirai üa pedrinha,
pedra muito pequenina,
à janela dos quintais.Entonces vos abrirei
de muito boa vontade:
pois sois homem de verdade
nunca vos falecerei.
CASTELHANO Sabéis qué ganáis en esso?

El mundo todo por vuesso!
Que aunque tal capa me veis,
tengo más que pensaréis:
y no lo toméis em gruesso.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Selo Ilha Tristão da Cunha
(via http://www.tristandc.com/history1506-1817.php)
Selo Ilha Tristão da Cunha
(via http://www.tristandc.com/history1506-1817.php)

Escritor (Pedrógão Grande, 1553-Lisboa, 1630). Partiu com D. Sebastião na expedição africana a Alcácer Quibir. Foi feito prisioneiro, tendo passado pelo cativeiro em Fez. Conseguiu escapar e chegar a Lisboa em 1580. Antes de fugir, terá escrito uma carta ao seu irmão, que terá constituído a primeira notícia recebida em Portugal relativa ao desastre. Foi poeta e prosador, tendo escrito Miscelânia do Sítio de Nossa Senhora de Pedrógão Grande (1692), obra de diálogos, um dos quais referente à Batalha de Alcácer Quibir.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Anno de 1530

Neste anno não ouve capitão-moor. Capitães: de naos que partirão em differentes tempos sc. em quinze de Março, em tres e seis de Abril, em treze de Maio e tres de Junho. Capitães Fernão Camello, Manoel de Brito, Luis Alvarez de Paiva, Francisco de Sousa Tavares, e Pero Lopez de Sampaio.

Neste anno forão duas caravellas. Capitães Duarte da Fonseca, Diogo d’Afonsequa e partio Vicente Pegado, e Balthazar Gonçalves arribou ao Reino.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

“Supe que vuesso marido
era ido.
AMA Ant’ ontem se foi.

CASTELHANO Al diablo que lo doy
el desestrado perdido.
Qué más India que vos,
qué más piedras preciosas,
qué más alindadas cosas,
qué estardes juntos los dos?
No fue él Juan de Çamora.
Que arrastrado muera yo,
si por cuanto Dios crió
os dexara media hora.
Y aunque la mar se humillara
y la tormenta cessara,
y el viento me obedcciera
y el cuarto cielo se abriera,
un momento no os dexara.
Mas como evangelio es esto
que la India hizo Dios,
solo porque yo con vos
pudiesse passar aquesto.
Y solo por dicha mía,
por gozar esta alegria,
la hizo Dios descobrir:
y no ha más que dezir,
por la sagrada María!

AMA Moça, vai àquele cão,
que anda naquelas tigelas.

MOÇA Mas os gatos andam nelas.

CASTELHANO Cuerpo del cielo con vos!
Hablo en las tripas de Dios,
y vos hablaisme en los gatos!

AMA Se vós falais desbaratos,
em que falaremos nós?”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Selo Ilha Tristão da Cunha
(via http://www.tristandc.com/history1506-1817.php)

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