Fevereiro 2007


Fernão Perez de Andrade capitam-mór

Anno de 1535

Fernão Perez de Andrade capitam-moor partio a oito de Março. Capitães: Thomé de Sousa, Fernão de Moraes, Jorge Mascarenhas, Martim de Freitas, Fernão Camello, Luis Alvares de Paiva.

Neste anno se fez a fortaleza de Dio de que foi o primeiro capitão Manoel de Souza e pos-lhe nome Sanctomé 


O capitam-mór foi - na náo Espera. Thome de Sousa - na Galega - Fernão de Moraes - em S.ta Barbora - Jorge Mascarenhas - em S.ta Clara - Martim de Freitas - em S. Roque - Fernão Camello - em S. Bertolameu - Luis Alvares de Paiva - no Cirne -

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

“Vai e vem muito improviso
«Quem vos anojou, meu bem,
«bem anojado me tem.»
AMA Vós cantais em vosso siso?

LEMOS Deixai-me cantar, senhora.

AMA A vizinhança que dirá,
se meu marido aqui não’ stá,
e vos ouvirem cantar?
Que rezão lhe posso eu dar,
que não seja muito má?
Reniego de Marenilla:
esto es burla, o es burleta?
Queríeis que me haga trompeta,
qué me oiga toda la villa?

AMA Entrai vós, ali, senhor,
que ouço o corregedor;
temo tanto esta devassa!
Entrai vós ness’ outra casa
que sinto grande rumor.

Chega à janela.

Falai vós passo, micer.

CASTELHANO Pesar ora de San Palo,
esto es burla o es diablo?

AMA E eu posso vos mais fazer?

CASTELHANO Y aún en esso está ahora
la vida de Juan de Çamora?
Son noches de Navidá,
quiere amanecer ya,
que no tardará media hora.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Pedro Anes – Piloto (?-1508). Piloto-mor na Armada do primeiro vice-rei da Índia, em 1505. É apontado como o principal autor do Regimento do Cruzeiro do Sul, que permite a determinação da latitude no hemisfério austral.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Martim Affonso de Sousa capitam-mór

Anno de 1534

Martim Affonso de Sousa capitam-moor que tambem foi do mar, feito por ElRei, partio a doze de Março. Capitães: Diogo Lopez de Sousa, Tristão Gomez da Mina, Simão Guedes e Antonio de Brito.

Neste anno entregou Soltão Badur, rei de Cambaia, Baçaim ao governador com o rendimento de todas as suas terras que valia mais de çem mil pardaos de ouro 


O capitão-mór Martim Affonso de Sousa foi - na náo Rainha. Diogo Lopes de Sousa - em S.ta Cruz - Tristam Gomes da Mina - em S.to Antonio - Simão Guedes - na Graça - Antonio de Brito - em S. Miguel - 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

CASTELHANO Ábrame, vuessa merced,
que estoy aquí a la verguença!
Esto úsasse en Siguença:
pues prometéis, mantened.
AMA Calai-vos, muitieramá

até que meu irmão se vá!
Dissimulai por i, entanto.
Ora vistes o quebranto?
Andar, muitieramá!
LEMOS Quem é aquele que falava?

AMA O Castelhano vinagreiro.

LEMOS Que quer?

AMA Vem polo dinheiro

do vinagre que me dava.
Vós queríeis cá cear
e eu não tenho que vos dar.
LEMOS Vá esta moça à Ribeira

e traga-a cá toda inteira,
que toda s’ há-de gastar
MOÇA Azevias trazerei?

LEMOS Dá ao demo as azevias:

não compres, já m’ enfastias.
MOÇA O que quiserdes comprarei.

LEMOS Traze uma quarta de cerejas

e um ceitil de bribigões.
MOÇA Cabrito?

LEMOS Tem mil varejas.

MOÇA E ostras trazerei delas?

LEMOS Se valerem caras, não:

antes traze mais um pão
e o vinho das Estrelas.
MOÇA Quanto trazerei de vinho?

LEMOS Três pichéis deste caminho.

MOÇA Dais-me um cinquinho, nô mais?

LEMOS Toma aí mais dous reais.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Militar português (?-Mascate, 1633). Capitão do mar Arábico, de 1623 até morrer em combate, tornou-se o pavor dos ingleses e dos persas, que se haviam apoderado de Ormuz em 1622.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Dom João Pereira capitam-mór

Anno de 1533

Dom João Pereira capitam-moor. Capitães: L<o>urenço de Paiva, Diogo Brandão, Dom Gonçalo Coutinho, Simão da Veiga, Nuno Furtado de Mendoça, Dom Françisco de Noronha o qual desapareçeo na volta do Cabo de Boa Esperança.

<Dom Pedro de Castello Branco capitam-mór>.

Neste mesmo anno foi por capitão-moor Dom Pedro de Castel Branco que partio a tres de Outubro com dez caravellas. <h~ua nao, e hum navio redondo>. Capitães Andre Casco, Nicolao Zuzarte, Antonio Lobbo, Balthazar Gonçalves, Leonel de Lima, Heitor de Sousa, Francisco Ferreira, Gonçalo Fernandes de Sousa, Antonio de Sousa, Francisco Fernandes Leme, João de Sousa.  


O capitão-mór foi - na náo Salvador. Noculáo Zuzarte - na caravella S.to Espírito. Balthezar Gonçalves - na Conceição. - António Lobo - em S.ta Marta. Lionel de Lima - em S. Sebastião. Heitor de Sousa - na Espera - Francisco Ferreira - na Aguia - Gonçalo Fernandes de Sousa - em S. João - João de Sousa - na Rosa - Francisco Fernandes Leme - na Graça - António de Sousa - Andre Casco - em hum navio redondo. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

LEMOS Ou da casa!

AMA Quem é lá?

LEMOS Subirei?
Suba quem é.

LEMOS Vosso cativo, Senhora.
Jesu! Tamanha mesura!

AMA Sou rainha porventura?
Mas sois minha emperadora.

LEMOS Que foi do vosso passear,
com luar e sem luar,

AMA toda a noite nesta rua?

LEMOS Achei-vos sempre tão crua,
que vos não pude aturar.

Mas agora como estais?
Foi-se à Índia meu marido,
e depois homem nascido
não veio onde vós cuidais;
e por vida de Constança,
que se não fosse a lembrança…

MOÇA Dizei já essa mentira.
Que eu vos não consentira
entrar em tanta privança.

LEMOS Pois agora estais singela,
que lei me dais vós, Senhora?

AMA Digo que venhais embora.

LEMOS Quem tira àquela janela?

AMA Meninos que andam brincando,
e tiram de quando em quando.

LEMOS Que dizeis, Senhora minha?

AMA Metei-vos nessa cozinha,
que me estão ali chamando.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)

Cronista-mor (Lisboa, 1540-Lisboa, 1614). Oriundo de uma das mais importantes famílias do século XVI, era filho de um tesoureiro-mor de D. João III. Estudou na Universidade de Coimbra, foi guarda-mor da Torre do Tombo e, enquanto historiador, cronista-mor do reino e poeta, deixou uma obra assinalável. Escreveu o Primeiro Cerco de Diu (1589), a Crónica de D. João III (1613), na qual as façanhas de Marrocos e do Oriente são o principal centro de interesse e Comentários da Vida de Chaul.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Dom Estevão da Gama capitam-mór de 5 náos

Anno de 1532

Dom Estevão da Gama capitam-moor partio a dez de Abril. Capitão Pero Vaz do Amaral, Antonio Carvalho, Vicente Gil armador, Dom Paulo da Gama.

A nao do capitão-mor invernou em Moçambique, as mais forão e vierão a salvamento.


Dom Paulo da Gama era irmão do capitam-mór, Vicente Gil armador foi na náo Graça - Antonio Carvalho foi nos Reis Magos - Pero Vaz foi na náo S. Miguel. 

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

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