“Vai e vem muito improviso
«Quem vos anojou, meu bem,
«bem anojado me tem.»
AMA Vós cantais em vosso siso?

LEMOS Deixai-me cantar, senhora.

AMA A vizinhança que dirá,
se meu marido aqui não’ stá,
e vos ouvirem cantar?
Que rezão lhe posso eu dar,
que não seja muito má?
Reniego de Marenilla:
esto es burla, o es burleta?
Queríeis que me haga trompeta,
qué me oiga toda la villa?

AMA Entrai vós, ali, senhor,
que ouço o corregedor;
temo tanto esta devassa!
Entrai vós ness’ outra casa
que sinto grande rumor.

Chega à janela.

Falai vós passo, micer.

CASTELHANO Pesar ora de San Palo,
esto es burla o es diablo?

AMA E eu posso vos mais fazer?

CASTELHANO Y aún en esso está ahora
la vida de Juan de Çamora?
Son noches de Navidá,
quiere amanecer ya,
que no tardará media hora.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)