Qua 21 Fev 2007
“LEMOS Ou da casa!
AMA Quem é lá?
LEMOS Subirei?
Suba quem é.
LEMOS Vosso cativo, Senhora.
Jesu! Tamanha mesura!
AMA Sou rainha porventura?
Mas sois minha emperadora.
LEMOS Que foi do vosso passear,
com luar e sem luar,
AMA toda a noite nesta rua?
LEMOS Achei-vos sempre tão crua,
que vos não pude aturar.
Mas agora como estais?
Foi-se à Índia meu marido,
e depois homem nascido
não veio onde vós cuidais;
e por vida de Constança,
que se não fosse a lembrança…
MOÇA Dizei já essa mentira.
Que eu vos não consentira
entrar em tanta privança.
LEMOS Pois agora estais singela,
que lei me dais vós, Senhora?
AMA Digo que venhais embora.
LEMOS Quem tira àquela janela?
AMA Meninos que andam brincando,
e tiram de quando em quando.
LEMOS Que dizeis, Senhora minha?
AMA Metei-vos nessa cozinha,
que me estão ali chamando.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial – Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)