Ter 20 Fev 2007
“Bésoos las manos, Señora,
voyme con vuessa licencia
más ufano que Florencia.
AMA Ide e vinde muit’ embora.
MOÇA Jesu! Como é rebolão!
Dai, dai ao demo o ladrão.
AMA Muito bem me parece ele.
MOÇA Não vos fieis vós naquele,
porque aquilo é refião.
AMA Já lh’eu tenho prometido.
MOÇA Muito embora, seja assi.
AMA Um Lemos andava aqui
meu namorado perdido.
MOÇA Quem? O rascão do sombreiro?
AMA Mas antes era escudeiro.
MOÇA Seria, mas bem safado;
não suspirava o coitado
senão por algum dinheiro.
AMA Não é ele homem dessa arte.
MOÇA Pois inda ele não esquece?
Há muito que não parece.
AMA Quant’ eu não sei dele parte.
MOÇA Como ele souber à fé.
Que nosso amo aqui não é,
Lemos vos visitará.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)