CASTELHANO Ábrame, vuessa merced,
que estoy aquí a la verguença!
Esto úsasse en Siguença:
pues prometéis, mantened.
AMA Calai-vos, muitieramá

até que meu irmão se vá!
Dissimulai por i, entanto.
Ora vistes o quebranto?
Andar, muitieramá!
LEMOS Quem é aquele que falava?

AMA O Castelhano vinagreiro.

LEMOS Que quer?

AMA Vem polo dinheiro

do vinagre que me dava.
Vós queríeis cá cear
e eu não tenho que vos dar.
LEMOS Vá esta moça à Ribeira

e traga-a cá toda inteira,
que toda s’ há-de gastar
MOÇA Azevias trazerei?

LEMOS Dá ao demo as azevias:

não compres, já m’ enfastias.
MOÇA O que quiserdes comprarei.

LEMOS Traze uma quarta de cerejas

e um ceitil de bribigões.
MOÇA Cabrito?

LEMOS Tem mil varejas.

MOÇA E ostras trazerei delas?

LEMOS Se valerem caras, não:

antes traze mais um pão
e o vinho das Estrelas.
MOÇA Quanto trazerei de vinho?

LEMOS Três pichéis deste caminho.

MOÇA Dais-me um cinquinho, nô mais?

LEMOS Toma aí mais dous reais.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)