Qui 22 Fev 2007
“CASTELHANO Ábrame, vuessa merced,
que estoy aquí a la verguença!
Esto úsasse en Siguença:
pues prometéis, mantened.
AMA Calai-vos, muitieramá
até que meu irmão se vá!
Dissimulai por i, entanto.
Ora vistes o quebranto?
Andar, muitieramá!
LEMOS Quem é aquele que falava?
AMA O Castelhano vinagreiro.
LEMOS Que quer?
AMA Vem polo dinheiro
do vinagre que me dava.
Vós queríeis cá cear
e eu não tenho que vos dar.
LEMOS Vá esta moça à Ribeira
e traga-a cá toda inteira,
que toda s’ há-de gastar
MOÇA Azevias trazerei?
LEMOS Dá ao demo as azevias:
não compres, já m’ enfastias.
MOÇA O que quiserdes comprarei.
LEMOS Traze uma quarta de cerejas
e um ceitil de bribigões.
MOÇA Cabrito?
LEMOS Tem mil varejas.
MOÇA E ostras trazerei delas?
LEMOS Se valerem caras, não:
antes traze mais um pão
e o vinho das Estrelas.
MOÇA Quanto trazerei de vinho?
LEMOS Três pichéis deste caminho.
MOÇA Dais-me um cinquinho, nô mais?
LEMOS Toma aí mais dous reais.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)