AMA: Ha ah ah ah ah ah!
Est’era bem graciosa,
quem se vê moça e fermosa
esperar pola irá má.
I se vai ele a pescar
meia légua polo mar,
isto bem o sabes tu,
quanto mais a Calecu:
quem há tanto d’esperar?
Melhor, Senhor, sé tu comigo.
À hora de minha morte,
qu’eu faça tão peca sorte.
Guarde-me Deus de tal p’rigo.
O certo é dar a prazer.
Pera que é envelhecer
esperando polo vento?
Quant’eu por mui nécia sento
a que o contrário fizer.
Partem em Maio daqui,
quando o sangue novo atiça:
parece-te que é justiça?
Melhor vivas tu amém,
e eu contigo também.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)