“Vai Moça e fica a Ama dizendo: 

AMA A Santo António rogo eu
que nunca mo cá depare:
não sinto quem não s’enfare
de um Diabo Zebedeu.
Dormirei, dormirei,
boas novas acharei.
São João no ermo estava,
e a passarinha cantava.
Deus me cumpra o que sonhei.
Cantando vem ela e leda. 

MOÇA Dai-m’ alvíssaras, Senhora,
já vai lá de foz em fora.  

AMA Dou-te üa touca de seda.

MOÇA Ou, quando ele vier,
dai-me do que vos trouxer.

AMA Ali muitieramá!
Agora há-de tornar cá?
Que chegada e que prazer!

MOÇA Virtuosa está minha ama!
Do triste dele hei dó.

AMA: E que falas tu lá só?

MOÇA: Falo cá co’esta cama.

AMA: E essa cama, bem, que há?
Mostra-m’essa roca cá:
siquer fiarei um fio.
Leixou-me aquele fastio
sem ceitil.

MOÇA: Ali eramá!
Todas ficassem assi.
Leixou-lhe pera três anos
trigo, azeite, mel e panos.

AMA: Mau pesar veja eu de ti!
Tu cuidas que não t’entendo?

MOÇA: Que entendeis? ando dizendo
que quem assi fica sem nada,
coma vós, que é obrigada…
Já me vós is entendendo.”

(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)