Fevereiro 2007
Monthly Archive
Qua 28 Fev 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Piloto (século XV). Tomou parte da expedição à Costa da Mina, em 1481, e acompanhou Diogo Cão na viagem em que descobriu o rio Zaire (1484-1485). Em 1486 explorou a região de Gató, no Benim, donde trouxe a pimenta-de-rabo. Regressou novamente a Benim com os missionários que o rei desse território havia solicitado a Portugal e fundou a feitoria no porto de Gató.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 28 Fev 2007
Dom Garcia de Noronha vizo-rei
Anno de 1538
Dom Garçia de Noronha partio a seis de Abril. Capitães: dom João d’Eça, Rui Lourenço de Tavora, Dom Christovão da Gama, Luis Falcão, Francisco Pereira de Berredo, Dom Garcia de Castro, João de Sepulveda, Dom João de Castro, Dom Francisco de Menezes e Bernardim da Silveira que se perdeo.
Dom Garçia de Noronha foi por vizo-rei e na nao em que elle foi se embarcou o governador Nuno da Cunha que faleçeo de doença na viagem.
Por morte do vizo-rei Dom Garçia suçcedeo no governo Dom Estevão da Gama.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qua 28 Fev 2007
“MOÇA Ai, senhora! Venho morta!
Noss’ amo é hoje aqui.
AMA Má nova venha por ti
perra, excomungada, torta.
MOÇA A Garça, em que ele ia,
vem com mui grande alegria;
per Restelo entra agora.
Por vida minha, senhora,
que não falo zombaria.
E vi pessoa que o viu
gordo, que é pera espantar.
AMA Pois, casa, se t’ eu caiar,
mate-me quem me partiu!
Quebra-me aquelas tigelas
e três ou quatro panelas,
que não ache em que comer.
Que chegada e que prazer!
Fecha-me aquelas janelas,
deita essa carne a esses gatos;
desfaze toda essa cama.
MOÇA De mercês está minha ama;
desfeitos estão os tratos.
AMA Porque não matas o fogo?
MOÇA Raivar, qu’ este é outro jogo.
AMA Perra, cadela, tinhosa,
que rosmeias, aleivosa?
MOÇA Digo que o matarei logo.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)
Ter 27 Fev 2007

Uma das maiores figuras da expansão portuguesa, nasceu em Lisboa a 27 de Fevereiro de 1500, tendo falecido em Goa a 6 de Junho de 1548. Filho de D. Álvaro de Castro, começou por ser moço-fidalgo de D. Manuel I, sendo também discípulo do conceituado matemático Pedro Nunes.
Com 18 anos, decidido a seguir a carreira das armas, partiu para Tânger (onde serviu durante 9 anos), tendo regressado várias vezes a África, numa das ocasiões integrando (em 1535) a expedição enviada por D. João III para auxiliar Carlos V na tomada de Tunes.
Depois de se ter retirado em Sintra, em 1538 faria a primeira viagem à Índia, acompanhando o vice-rei D. Garcia de Noronha.
Regressado a Portugal, viria entretanto a ser nomeado como 13º Governador da Índia, em 1545. Enfrentaria um conflito militar com o soberano de Bijapor e, de seguida, com o rei de Cambaia, tendo, numa difícil batalha, perdido um filho, em 1546, conquistando não obstante a praça de Diu.
Já próximo do termo da sua vida, no final de 1547, seria nomeado vice-rei da Índia, numa altura em que estava já gravemente enfermo, vindo a expirar nos braços de S. Francisco Xavier.
Seria ainda o autor de três Roteiros, narrando as suas viagens: “Roteiro de Lisboa a Goa” (1538), “Roteiro de Goa a Diu” (1538-39) e “Roteiro do Mar Roxo” (1540-41), com anotações geográficas, astronómicas e magnéticas.
Bibliografia consultada
- “História de Portugal - Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004
- Dicionário Histórico
(Imagem via Instituto Camões)
Ter 27 Fev 2007
Dom Pedro da Silva capitam-mór
Anno de 1537
Dom Pedro da Silva da Gama capitão-moor partio a doze de Março. Capitães Dom Fernando de Lima, Martim de Freitas, Jorge de Lima, Loppo Vaz Vogado e Dom Françisco de Lima que arribou ao Reino.
E depois de partidas as náos partirão cinco caravellas de que forão por capitães Diogo Lopez de Sousa, Ferão de Moraes, Aleixo de Souza, Henrrique de Sousa, Fernando de Castro.
Outra relação diz o seguinte:
1537
Diogo Lopes de Souza capitam-mór partiu em diversos tempos, com seis náos, e segundo a ementa com cinco de que eram capitães =
O capitam-mór - em S. Paulo. Fernão de Moraes - em S. Dinis. Aleixo de Sousa - em S.ta Clara. Anrique de Sousa Chichorro - em Cicião. Fernão de Crasto - em S. João. Antonio de Lima.
Quatro vellas desta armada partirão em 3, e 4 de Novembro, e duas em 3 de Dezembro do mesmo anno de 1537.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Ter 27 Fev 2007
“AMA I-vos embora, senhor
que isto quer amanhecer.
Tudo está a vosso prazer,
com muito dobrado amor.
Oh, que mesuras tamanhas!
MOÇA Quantas artes, quantas manhas,
que sabe fazer minha ama!
Um na rua, outro na cama!
AMA Que falas? Que t’ arreganhas?
MOÇA Ando dizendo entre mi
que agora vai em dous anos
que eu fui lavar os panos
além do chão d’ Alcami;
e logo partiu a armada,
domingo de madrugada.
Não pode muito tardar
nova, se há-de tornar
noss’ amo pera a pousada.
AMA Asinha.
MOÇA Três anos há
que partiu Tristão da Cunha.
AMA Cant’ eu ano e meio punha.
MOÇA Mas três e mais haverá.
AMA Vai tu comprar de comer.
Tens muito pera fazer,
não tardes.
MOÇA Não, senhora;
eu virei logo nessora,
se m’ eu lá não detiver.
AMA Mas que graça, que seria,
se este negro meu marido,
tornasse a Lisboa vivo
pera a minha companhia!
Mas isto não pode ser,
que ele havia de morrer
somente de ver o mar.
Quero fiar e cantar,
segura de o nunca ver.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)
Seg 26 Fev 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Vice-rei da Índia (1517-1580). Assumiu funções na Índia de 1568 a 1572 e de 1577 a 1580. Readquiriu o total domínio do Índico e conquistou Onor e Bracelor. Em 1571, com apenas 700 portugueses e 1500 autóctones, defendeu Goa contra os 100 000 homens e 1000 elefantes do Idalcão. Tornou-se terceiro conde de Atouguia, a 4 de Setembro de 1577.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Seg 26 Fev 2007
Jorge Cabral capitam-mór
Anno de 1536
Jorge Cabral capitão-moor partio a dez de Março. Capitães: Ambrosio do Rego, Duarte Barreto, Gaspar de Azevedo, Vicente Gil armador.
Neste anno se fez o castello de Cranganor, o primeiro capitão Diogo Pereira, e chamou-se Sanctiago.
O capitam-mór foi - na náo Grifo. Ambrosio do Rego - em S.to Antonio. Duarte Barreto - em S. Miguel. Gaspar de Azevedo - em S.ta Maria da Graça. Vicente Gil armador - em S.ta Cruz.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Seg 26 Fev 2007
“AMA Meu irmão cuidei que se ia.
CASTELHANO Ah, señora, y reísvos vós!
Ábrame, cuerpo de Dios!
AMA Tornareis cá outro dia.
CASTELHANO Assossiega, coraçón,
adormiéntate, león,
no eches la casa en tierra
ni hagas tan cruda guerra,
que mueras como Sansón.
Esta burla es de verdad,
por los ossos de Medea,
si no que arrastrado sea
mañana por la ciudad;
por la sangre soverana
se la batalla troyana,
y juro a la casa sancta…
AMA Pera qu’ é essa jura tanta?
CASTELHANO Y aún vos estáis ufana?
Quiero destruir el mundo,
quemar la casa, es la verdad,
despucs quemar la ciudad;
señora, en esto me fundo.
Después, si Dios me dixere,
cuando allá con él me viere
que sola por una mujer…
Bien sabré que responder,
cuando a esso veniere.
AMA Isso são rebolarias!
CASTELHANO Séame Dios testigo,
que vos veréis lo que digo,
antes que passen tres días.
AMA Má viagem faças tu
caminho de Calecu,
praza à Virgem consagrada.
LEMOS Que é isso?
Não é nada.
LEMOS Assi viva Belzebu.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)
Sex 23 Fev 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Piloto e intérprete (século XVI). A 3 de Dezembro de 1530, partiu de Lisboa na Armada de Martim Afonso, dirigida ao Rio de Prata, vindo a ter um papel importante na interpretação de línguas nativas.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 23 Fev 2007
Fernão Perez de Andrade capitam-mór
Anno de 1535
Fernão Perez de Andrade capitam-moor partio a oito de Março. Capitães: Thomé de Sousa, Fernão de Moraes, Jorge Mascarenhas, Martim de Freitas, Fernão Camello, Luis Alvares de Paiva.
Neste anno se fez a fortaleza de Dio de que foi o primeiro capitão Manoel de Souza e pos-lhe nome Sanctomé.
O capitam-mór foi - na náo Espera. Thome de Sousa - na Galega - Fernão de Moraes - em S.ta Barbora - Jorge Mascarenhas - em S.ta Clara - Martim de Freitas - em S. Roque - Fernão Camello - em S. Bertolameu - Luis Alvares de Paiva - no Cirne -
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Sex 23 Fev 2007
“Vai e vem muito improviso
«Quem vos anojou, meu bem,
«bem anojado me tem.»
AMA Vós cantais em vosso siso?
LEMOS Deixai-me cantar, senhora.
AMA A vizinhança que dirá,
se meu marido aqui não’ stá,
e vos ouvirem cantar?
Que rezão lhe posso eu dar,
que não seja muito má?
Reniego de Marenilla:
esto es burla, o es burleta?
Queríeis que me haga trompeta,
qué me oiga toda la villa?
AMA Entrai vós, ali, senhor,
que ouço o corregedor;
temo tanto esta devassa!
Entrai vós ness’ outra casa
que sinto grande rumor.
Chega à janela.
Falai vós passo, micer.
CASTELHANO Pesar ora de San Palo,
esto es burla o es diablo?
AMA E eu posso vos mais fazer?
CASTELHANO Y aún en esso está ahora
la vida de Juan de Çamora?
Son noches de Navidá,
quiere amanecer ya,
que no tardará media hora.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)
Qui 22 Fev 2007
Publicado por Leonel Vicente em
ProtagonistasComentários
Pedro Anes – Piloto (?-1508). Piloto-mor na Armada do primeiro vice-rei da Índia, em 1505. É apontado como o principal autor do Regimento do Cruzeiro do Sul, que permite a determinação da latitude no hemisfério austral.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qui 22 Fev 2007
Martim Affonso de Sousa capitam-mór
Anno de 1534
Martim Affonso de Sousa capitam-moor que tambem foi do mar, feito por ElRei, partio a doze de Março. Capitães: Diogo Lopez de Sousa, Tristão Gomez da Mina, Simão Guedes e Antonio de Brito.
Neste anno entregou Soltão Badur, rei de Cambaia, Baçaim ao governador com o rendimento de todas as suas terras que valia mais de çem mil pardaos de ouro.
O capitão-mór Martim Affonso de Sousa foi - na náo Rainha. Diogo Lopes de Sousa - em S.ta Cruz - Tristam Gomes da Mina - em S.to Antonio - Simão Guedes - na Graça - Antonio de Brito - em S. Miguel -
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qui 22 Fev 2007
“CASTELHANO Ábrame, vuessa merced,
que estoy aquí a la verguença!
Esto úsasse en Siguença:
pues prometéis, mantened.
AMA Calai-vos, muitieramá
até que meu irmão se vá!
Dissimulai por i, entanto.
Ora vistes o quebranto?
Andar, muitieramá!
LEMOS Quem é aquele que falava?
AMA O Castelhano vinagreiro.
LEMOS Que quer?
AMA Vem polo dinheiro
do vinagre que me dava.
Vós queríeis cá cear
e eu não tenho que vos dar.
LEMOS Vá esta moça à Ribeira
e traga-a cá toda inteira,
que toda s’ há-de gastar
MOÇA Azevias trazerei?
LEMOS Dá ao demo as azevias:
não compres, já m’ enfastias.
MOÇA O que quiserdes comprarei.
LEMOS Traze uma quarta de cerejas
e um ceitil de bribigões.
MOÇA Cabrito?
LEMOS Tem mil varejas.
MOÇA E ostras trazerei delas?
LEMOS Se valerem caras, não:
antes traze mais um pão
e o vinho das Estrelas.
MOÇA Quanto trazerei de vinho?
LEMOS Três pichéis deste caminho.
MOÇA Dais-me um cinquinho, nô mais?
LEMOS Toma aí mais dous reais.”
(Texto em formato electrónico proveniente de Projecto Vercial - Literatura Portuguesa, via http://www.bibvirt.futuro.usp.br/content/view/full/1813)
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