Dom 7 Jan 2007


Quem melhor do que D. Dinis para primeiro “protagonista”, inaugurando esta série de grandes figuras da História dos Descobrimentos?
D. Dinis, o Lavrador – 6º Rei de Portugal (Lisboa, 9 de Outubro de 1261 - Santarém, 7 de Janeiro de 1325), entre 1279 e 1325.
Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Guillén (filha bastarda de Afonso X de Castela), casou em 1282 com Isabel de Aragão (filha de Pedro III de Aragão) – que viria a entrar na História como “Rainha Santa” – de quem viria a ter dois filhos: D. Constança e o futuro D. Afonso IV. D. Dinis teve ainda outros 6 filhos fora do casamento.
Viria a ter sérias disputas com o filho D. Afonso (que, tomando o partido da nobreza, contestava a forma como D. Dinis dirigia o poder judicial, reprimindo os abusos senhoriais) – que conduziram mesmo o país a uma guerra civil –, as quais seriam intermediadas pela Rainha Santa Isabel.
Foi um dos mais destacados monarcas da I Dinastia, com um reinado decisivo para o futuro da nação, tendo assinado, em 1297, o Tratado de Alcanices que fixaria até hoje – praticamente sem alterações – as fronteiras de Portugal.
Em 1317, contratando o genovês Manuel Pessagno, nomeado almirante-mor do reino, com a função de organizar e comandar a frota portuguesa, fundou as bases da marinha lusitana. Desenvolveria também a actividade das pescas.
Não ignorando a importância das ordens religiosas, nacionalizou a Ordem de Sant’Iago, tendo ainda evitado a extinção da Ordem dos Templários, propiciando a sua sucessão pela Ordem de Cristo, que viria a assumir papel preponderante nas Descobertas.
A nível comercial – num reinado caracterizado pelo progresso económico –, instituiu mercados e feiras francas, tendo ainda concedido privilégios e isenções a várias povoações, também com a finalidade de estimular o povoamento.
Teria como cognome “O Lavrador” pela atenção que dedicou à distribuição e exploração das terras agrícolas, sendo uma das suas medidas mais conhecidas a decisão de plantar o pinhal de Leiria - protegendo as terras agrícolas do avanço das areias costeiras -, de que proviria a madeira das naus dos Descobrimentos.
Por fim, no plano cultural, ficou também célebre pelas suas trovas e cantigas de amor, de amigo, de escárnio e maldizer, numa época de ouro da poesia medieval. Em 1290, criaria mesmo o “Estudo Geral”, em Lisboa, instituição que, após a sua transferência para Coimbra, viria a dar origem à primeira Universidade em Portugal. Seria ainda o responsável pela deliberação da adopção do português como língua oficial em documentos escritos (em detrimento do latim).
(Imagem via Wikipédia)
Bibliografia consultada
- “História de Portugal - Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004
- “D. Dinis”, por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, colecção Reis de Portugal, edição do Círculo de Leitores, em colaboração com o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, 2005
- “O Palácio Nacional de Sintra”, de José Custódio Vieira da Silva, edição Scala / Ministério da Cultura / Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), 2003
- “Nova História de Portugal”, Direcção de Joel Serrão e A. H. de Oliveira Marques, Vol. III - “Portugal em Definição de Fronteiras (1096-1325) - Do Condado Portucalense à Crise do Século XIV”, Coordenação de Maria Helena da Cruz Coelho e Armando Luís de Carvalho Homem, Editorial Presença, 1996
Janeiro 7th, 2007 at 21:13
Boa noite, Leonel. Já vi que temos conversa, não tarda nada! O tema das viagens interessa-me muito. Acho que te vou encomendar algumas pesquisas! Um abraço.
Janeiro 7th, 2007 at 21:53
Obrigado.
Beijinho.
Junho 15th, 2007 at 0:09
[...] Filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão (a “Rainha Santa”), teve como mestre responsável pela sua educação D. Martinho (ou Martim) de Oliveira, arcebispo de Braga; desconhecendo-se contudo o conteúdo da sua formação, inclusivamente se saberia ler ou escrever. [...]
Dezembro 4th, 2008 at 23:56
[...] Com provas dadas, já que era mestre da Ordem de Avis, foi recomendado ao papa João XXII pelo rei D. Dinis. A Gil Martins coube a tarefa da criação das primeiras constituições da ordem, em 1321. A nova [...]