Janeiro 2007


Christovão de Brito capitam-mór

Anno de 1514

Christovão de Brito capitão-moor de cinco naos partio a vinta sete de Março. Capitães: Francisco Pereira Rusticão, Manoel de Mello, Luis Dantas, João Serrão. E neste anno se fez a fortaleza de Coulão a que pos nome Sancthomé e foi primeiro capitão, e feitor Heitor Rodriguez.

E em dous de Julho do mesmo anno partio Sebastião de Sousa por capitão-moor de tres navios de que forão capitães Luis Figueira e Pedr’Alvares françes para fazerem feitoria na Ilha de São Lourenço que não teve efeito.


Luis Dantas chegando à India primeiro que os de sua companhia foi por mandado de Affonso de Albuquerque a Cambaia carregar de algumas mercadorias para ajuda da carga, aonde se perdeu, salvando-se a gente.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Capítulo CI

Da prática que o embaixador houve com o Preste sobre alcatifas e de como o Preste nos mandou ter serão e banquetear

Aos 17 dias de Janeiro nos mandou chamar o Preste João e todos fomos com o embaixador, portugueses e frangues e tanto que chegámos perto das tendas, mandou o Preste perguntar que alcatifas de vinte palmos, quanto custavam em Portugal. O embaixador lhe mandou dizer que ele não era mercador nem tão-pouco os que com ele vieram e que não sabia ao certo quanto custariam. E logo tornaram a mandar dizer que uma alcatifa de vinte côvados lhe trouxeram do Cairo por quatro onças de ouro. E o embaixador lhe respondeu que lhe parecia que custaria em Portugal vinte cruzados. E logo vieram com outra pergunta: se haveria em Portugal alcatifas de vinte ou trinta côvados. Mandou-lhe o embaixador dizer que sim. E logo tornaram dizendo que se ele mandasse ouro ao grão-capitão, se lhe mandariam estas alcatifas e se lhe mandariam tantas que alcatifassem toda aquela igreja. Mandou-lhe dizer o embaixador que lhe mandaria para mil igrejas tais como aquela. Ainda outra vez mandou perguntar se lhe mandariam aquelas alcatifas mandando ele o ouro. Responderam-lhe que tudo o que Sua Alteza mandasse pedir a El-Rei de Portugal ou a seu grão-capitão, que tudo lhe mandariam perfeitamente como Sua Alteza bem veria das coisas que dele tivesse necessidade. Cessou das alcatifas e mandou perguntar se haveria em Portugal quem lesse letra arábica e letra abexim. Responderam-lhe que todas as línguas se achavam em Portugal. E logo tornou a mandar dizer que bem cria ele que em Portugal haveria, mas que no mar, quem leria as ditas letras? Responderam-lhe que no mar havia muitos arábios e abexins que de contínuo andavam nas naus de El-Rei de Portugal e que os mouros levavam furtados os abexins de sua terra e os iam vender à Arábia e à Pérsia e a Egipto e à Índia aos portugueses. E os portugueses onde tomavam mouros acertavam tomar entre eles muito abexins e logo os forram e vestem e tratam muito bem, porque sabem que são cristãos e que aí trazíamos Jorge, língua, que sua Alteza bem conhecia, que fora tirado de cativo de poder de um mouro de Ormuz e que ele diria a Sua Alteza como lá fora ter. […]

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)

Selo Bartolomeu Dias

(via http://www.geocities.com/martinsbarata/selos/selos.htm)

Capitão do mar das Índias (séculos XV e XVI). Parente de Afonso de Albuquerque, serviu na Índia de 1512 a 1525. Capitão de Cochim e de Malaca, obteve retumbante vitória sobre o sultão de Pacém, depois de travada violenta batalha. Jorge Albuquerque construiu ainda a fortaleza de Pacém. Depois de ter incumbido dois cunhados de tomarem conta da capitania das Molucas e do comércio no reino balaio de Sunda, voltou para o reino.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

João de Sousa de Lima capitam-mór

Anno de 1513

João de Sousa de Lima capitão-moor de quatro naos partio a vinte de Março. Capitães: Henrique Nunes de Leão, João de Abreu, da Ilha da Madeira, Françisco Correa, que desappareçeo indo de Moçambique pera a India.


Francisco Correa se perdeo em hum baixo na Ilha de S. Lazaro, e salvando-se com toda a gente em jangadas foi ter a Melinde, onde achou as náos da Companhia, e hindo de terra para a náo de João de Sousa no batel della, soçobrou, e acabou alli afogado, escapando da náo em que se tinha perdido, salvando-se toda a gente assim na náo, como do batel.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

Personalidade polémica, reconhecido como um dos maiores historiadores em Portugal, grande especialista da História da Idade Média Portuguesa, faleceu ontem, aos 73 anos, Oliveira Marques - cuja obra mais conhecida é a “História de Portugal”, publicada em vários volumes e traduzida em diversas línguas.

Chegando, perguntou o cabeata ao embaixador que queria e donde vinha; respondeu o embaixador que vinha da Índia e trazia embaixada ao Preste João do capitão-mor e governador das Índias por El-Rei de Portugal. Com isto se tornou ao Preste e com estas perguntas e por estas continências veio três vezes. Às duas lhe respondeu o embaixador de maneira e à terceira disse: «Não sei que diga.» O cabeata disse: «Diz o que disseres, que eu o direi a el-rei.» Respondeu o embaixador que ele não daria a embaixada senão a Sua alteza e que outra coisa lhe não mandaria dizer senão que ele e sua companhia lhe mandava beijar as mãos e que muitos davam graças a Deus por lhes cumprir seus desejos em se juntarem cristãos e serem eles os primeiros. Com esta resposta se tornou o cabeata e logo veio com outro recado, ao qual os sobreditos o foram receber como dantes e, chegando a nós, disse que o Preste João mandava que lhe entregasse o que lhe mandava o grão-capitão. Então o embaixador perguntou-lhe o que devia fazer, que cada um dissesse o que lhe parecia. Todos dissemos que nos parecia que se lhe desse o que lhe mandava. Então o embaixador lhe entregou peça por peça e mais quatro fardos de pimenta que eram para nossa despesa. Recebido, tudo foi levado às tendas e tudo logo tornado aos arcos onde nós estávamos e vieram estender os panos de armar que lhe éramos sobre os arcos e assim as outras peças. Tendo tudo em vista da gente, fizeram fazer calada e a justiça-mor da corte fez fala em voz alta, declarando peça por peça as coisas que o capitão-mor mandava ao Preste João e que todos dessem graças ao Senhor Deus por se juntarem os cristãos e se aí havia alguns a que pesasse que chorassem, e os que folgassem que cantassem. E a gente muita que estava junta deram uma grande grita em modo de louvor de Deus e durou grande pedaço e com isto nos despediram e foram-nos aposentar grande tiro de espingarda das tendas do Preste onde já tinham assentado a tenda que nos tinham mandado onde estivéramos, e assim o fato que ela nos ficara.

(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)

Selo João Gonçalves Zarco

(via http://www.geocities.com/martinsbarata/selos/selos.htm)

Governador da Índia (Goa, 1549-Goa, 1623). Este militar exerceu altos cargos a partir de 1578. Destaca-se o facto de ter sido capitão de Malaca (1587) e governador de Colombo, Damão e Goa. Neste crescendo de responsabilidades políticas, veio a ser governador-geral da Índia (1619-1622). Durante este período, ocorreu, porém, a perda de Ormuz.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Jorge de Mello Pereira capitam-mór de outo naos, e Gracia de Sousa capitam-mór de quatro naos que saem as 12 em duas capitanias

Anno de 1512

Jorge de Mello Pereira capitão-moor de oito naos e capitão <mór> Graçia de Sousa das outras quatro partio a vinte e cinco de Março. Capitães: Jorge de Albuquerque, Gonçalo Pereira, Loppo Vaz de Sampaio, Gaspar Pereira, Dom João d’Eça, Jorge da Silveira, Simão de Miranda, Francisco Nogueira, Antonio Raposo de Beja, Pero de Albuquerque. A nao de Francisco Nogueira se perdeo nos baixos de Angoja, e salvou-se a gente.

Neste anno se fez a fortaleza de Calicut a que se pos nome N. S.ra da Conceição de que foi primeiro capitão Francisco Nogueira.


A náo S.to Antonio, capitam Francisco Nogueira, se perdeu nos baixos de Angoxa, onde morreo quazi toda a gente, e elle por nam saber nadar se deixou ficar com dous filhos seus sobre o que apparecia da náo, e na baxa-mar espraiou tanto, que a pé enxuto se recolheu a h~ua das ilha de Angoxa, onde os mouros o tomarão, e depois deram pelo seu Xeque, que Antonio de Saldanha cativou quando foi vingar as mortes, que os mouros daquellas ilhas tinham dado a alguns dos nossos, que a ellas forão buscar mantimentos.

No mesmo anno de 1512

A 13 de Julho partio hum cavaleiro por nome João Chanoca em hum navio a buscar a carga da náo Galega, que por nam estar para navegar, descarregou em Moçambique.

(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)

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