Janeiro 2007
Monthly Archive
Qui 25 Jan 2007
Christovão de Brito capitam-mór
Anno de 1514
Christovão de Brito capitão-moor de cinco naos partio a vinta sete de Março. Capitães: Francisco Pereira Rusticão, Manoel de Mello, Luis Dantas, João Serrão. E neste anno se fez a fortaleza de Coulão a que pos nome Sancthomé e foi primeiro capitão, e feitor Heitor Rodriguez.
E em dous de Julho do mesmo anno partio Sebastião de Sousa por capitão-moor de tres navios de que forão capitães Luis Figueira e Pedr’Alvares françes para fazerem feitoria na Ilha de São Lourenço que não teve efeito.
Luis Dantas chegando à India primeiro que os de sua companhia foi por mandado de Affonso de Albuquerque a Cambaia carregar de algumas mercadorias para ajuda da carga, aonde se perdeu, salvando-se a gente.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qui 25 Jan 2007
Capítulo CI
Da prática que o embaixador houve com o Preste sobre alcatifas e de como o Preste nos mandou ter serão e banquetear
Aos 17 dias de Janeiro nos mandou chamar o Preste João e todos fomos com o embaixador, portugueses e frangues e tanto que chegámos perto das tendas, mandou o Preste perguntar que alcatifas de vinte palmos, quanto custavam em Portugal. O embaixador lhe mandou dizer que ele não era mercador nem tão-pouco os que com ele vieram e que não sabia ao certo quanto custariam. E logo tornaram a mandar dizer que uma alcatifa de vinte côvados lhe trouxeram do Cairo por quatro onças de ouro. E o embaixador lhe respondeu que lhe parecia que custaria em Portugal vinte cruzados. E logo vieram com outra pergunta: se haveria em Portugal alcatifas de vinte ou trinta côvados. Mandou-lhe o embaixador dizer que sim. E logo tornaram dizendo que se ele mandasse ouro ao grão-capitão, se lhe mandariam estas alcatifas e se lhe mandariam tantas que alcatifassem toda aquela igreja. Mandou-lhe dizer o embaixador que lhe mandaria para mil igrejas tais como aquela. Ainda outra vez mandou perguntar se lhe mandariam aquelas alcatifas mandando ele o ouro. Responderam-lhe que tudo o que Sua Alteza mandasse pedir a El-Rei de Portugal ou a seu grão-capitão, que tudo lhe mandariam perfeitamente como Sua Alteza bem veria das coisas que dele tivesse necessidade. Cessou das alcatifas e mandou perguntar se haveria em Portugal quem lesse letra arábica e letra abexim. Responderam-lhe que todas as línguas se achavam em Portugal. E logo tornou a mandar dizer que bem cria ele que em Portugal haveria, mas que no mar, quem leria as ditas letras? Responderam-lhe que no mar havia muitos arábios e abexins que de contínuo andavam nas naus de El-Rei de Portugal e que os mouros levavam furtados os abexins de sua terra e os iam vender à Arábia e à Pérsia e a Egipto e à Índia aos portugueses. E os portugueses onde tomavam mouros acertavam tomar entre eles muito abexins e logo os forram e vestem e tratam muito bem, porque sabem que são cristãos e que aí trazíamos Jorge, língua, que sua Alteza bem conhecia, que fora tirado de cativo de poder de um mouro de Ormuz e que ele diria a Sua Alteza como lá fora ter. […]
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)
Qua 24 Jan 2007
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Qua 24 Jan 2007
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Capitão do mar das Índias (séculos XV e XVI). Parente de Afonso de Albuquerque, serviu na Índia de 1512 a 1525. Capitão de Cochim e de Malaca, obteve retumbante vitória sobre o sultão de Pacém, depois de travada violenta batalha. Jorge Albuquerque construiu ainda a fortaleza de Pacém. Depois de ter incumbido dois cunhados de tomarem conta da capitania das Molucas e do comércio no reino balaio de Sunda, voltou para o reino.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Qua 24 Jan 2007
João de Sousa de Lima capitam-mór
Anno de 1513
João de Sousa de Lima capitão-moor de quatro naos partio a vinte de Março. Capitães: Henrique Nunes de Leão, João de Abreu, da Ilha da Madeira, Françisco Correa, que desappareçeo indo de Moçambique pera a India.
Francisco Correa se perdeo em hum baixo na Ilha de S. Lazaro, e salvando-se com toda a gente em jangadas foi ter a Melinde, onde achou as náos da Companhia, e hindo de terra para a náo de João de Sousa no batel della, soçobrou, e acabou alli afogado, escapando da náo em que se tinha perdido, salvando-se toda a gente assim na náo, como do batel.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Qua 24 Jan 2007
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Geral[2] Comentários
Personalidade polémica, reconhecido como um dos maiores historiadores em Portugal, grande especialista da História da Idade Média Portuguesa, faleceu ontem, aos 73 anos, Oliveira Marques - cuja obra mais conhecida é a “História de Portugal”, publicada em vários volumes e traduzida em diversas línguas.
Qua 24 Jan 2007
Chegando, perguntou o cabeata ao embaixador que queria e donde vinha; respondeu o embaixador que vinha da Índia e trazia embaixada ao Preste João do capitão-mor e governador das Índias por El-Rei de Portugal. Com isto se tornou ao Preste e com estas perguntas e por estas continências veio três vezes. Às duas lhe respondeu o embaixador de maneira e à terceira disse: «Não sei que diga.» O cabeata disse: «Diz o que disseres, que eu o direi a el-rei.» Respondeu o embaixador que ele não daria a embaixada senão a Sua alteza e que outra coisa lhe não mandaria dizer senão que ele e sua companhia lhe mandava beijar as mãos e que muitos davam graças a Deus por lhes cumprir seus desejos em se juntarem cristãos e serem eles os primeiros. Com esta resposta se tornou o cabeata e logo veio com outro recado, ao qual os sobreditos o foram receber como dantes e, chegando a nós, disse que o Preste João mandava que lhe entregasse o que lhe mandava o grão-capitão. Então o embaixador perguntou-lhe o que devia fazer, que cada um dissesse o que lhe parecia. Todos dissemos que nos parecia que se lhe desse o que lhe mandava. Então o embaixador lhe entregou peça por peça e mais quatro fardos de pimenta que eram para nossa despesa. Recebido, tudo foi levado às tendas e tudo logo tornado aos arcos onde nós estávamos e vieram estender os panos de armar que lhe éramos sobre os arcos e assim as outras peças. Tendo tudo em vista da gente, fizeram fazer calada e a justiça-mor da corte fez fala em voz alta, declarando peça por peça as coisas que o capitão-mor mandava ao Preste João e que todos dessem graças ao Senhor Deus por se juntarem os cristãos e se aí havia alguns a que pesasse que chorassem, e os que folgassem que cantassem. E a gente muita que estava junta deram uma grande grita em modo de louvor de Deus e durou grande pedaço e com isto nos despediram e foram-nos aposentar grande tiro de espingarda das tendas do Preste onde já tinham assentado a tenda que nos tinham mandado onde estivéramos, e assim o fato que ela nos ficara.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)
Ter 23 Jan 2007
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Ter 23 Jan 2007
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ProtagonistasComentários
Governador da Índia (Goa, 1549-Goa, 1623). Este militar exerceu altos cargos a partir de 1578. Destaca-se o facto de ter sido capitão de Malaca (1587) e governador de Colombo, Damão e Goa. Neste crescendo de responsabilidades políticas, veio a ser governador-geral da Índia (1619-1622). Durante este período, ocorreu, porém, a perda de Ormuz.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Ter 23 Jan 2007
Jorge de Mello Pereira capitam-mór de outo naos, e Gracia de Sousa capitam-mór de quatro naos que saem as 12 em duas capitanias
Anno de 1512
Jorge de Mello Pereira capitão-moor de oito naos e capitão <mór> Graçia de Sousa das outras quatro partio a vinte e cinco de Março. Capitães: Jorge de Albuquerque, Gonçalo Pereira, Loppo Vaz de Sampaio, Gaspar Pereira, Dom João d’Eça, Jorge da Silveira, Simão de Miranda, Francisco Nogueira, Antonio Raposo de Beja, Pero de Albuquerque. A nao de Francisco Nogueira se perdeo nos baixos de Angoja, e salvou-se a gente.
Neste anno se fez a fortaleza de Calicut a que se pos nome N. S.ra da Conceição de que foi primeiro capitão Francisco Nogueira.
A náo S.to Antonio, capitam Francisco Nogueira, se perdeu nos baixos de Angoxa, onde morreo quazi toda a gente, e elle por nam saber nadar se deixou ficar com dous filhos seus sobre o que apparecia da náo, e na baxa-mar espraiou tanto, que a pé enxuto se recolheu a h~ua das ilha de Angoxa, onde os mouros o tomarão, e depois deram pelo seu Xeque, que Antonio de Saldanha cativou quando foi vingar as mortes, que os mouros daquellas ilhas tinham dado a alguns dos nossos, que a ellas forão buscar mantimentos.
No mesmo anno de 1512
A 13 de Julho partio hum cavaleiro por nome João Chanoca em hum navio a buscar a carga da náo Galega, que por nam estar para navegar, descarregou em Moçambique.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
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