Janeiro 2007
Monthly Archive
Seg 29 Jan 2007
João da Silveira capitam-mór
Anno de 1516
João da Silveira trinchante d’ElRei capitão-moor de çinco naos partio a quatro de Abril. Capitães: Francisco de Sousa Mançias, Antonio de Lima, Afonso Lopes da Costa, Graçia da Costa <seu irmão>. A nao de Antonio de Lima se perdeu na viagem e a de Francisco de Sousa Mancias, ambas nos baixos de São Lasaro adiante de Moçambique e o capitão-moor invernou em Quiloa.
Em nove de Janeiro deste anno partio pera a India hum navio de aviso de que foi por capitão, e piloto Diogo d’Unhas e voltou ao reino brevemente em Abril do anno seguinte.
Outra relação diz que no mesmo anno, depois desta armada partida, a 24 de Abril partiu deste Reino outra náo, capitam e mestre Diogo de Unhos, com avizo de huma armada que o soldão do Cairo tinha feito no Porto de Soéz do Mar Roxo para hir à India, e posto que Loppo Soares quando deste Reino partiu levasse avizo desta armada, e por isso mandado d’ElRei, que entrasse ò Mar Roxo, nam se havia a nova por tam certa, nem se sabia o numero das vellas, e outras particularidades que este Diogo de Unhos levava.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Seg 29 Jan 2007
II Parte
Capítulo IX
De certas perguntas que o arcebispo de Braga fez a Francisco Álvares e respostas que a elas deu
[…] e o dito Francisco Álvares chegou a esta cidade de Braga aos 30 de Julho de 1529.
Disse que comummente não come toda a gente somente uma vez no dia; esta é à noite e jejum na Quaresma religiosos e clérigos estreitamente, de maneira que muitos na semana não comem mais de três vezes, a saber, terça, quinta, sábado, não bebem vinho de uvas nem de mel, bebem outras beberagens que se fazem de outros legumes.
Na Quaresma não se come carne nem leite nem ovos nem manteiga, ainda que estejam para morrer; comem legumes e algumas poucas frutas que aí há. E todas as quartas-feiras e sextas do ano jejuam todos os homens e mulheres, grandes e pequenos; isto se não entende do Natal até à Purificação de Nossa Senhora, nem da Páscoa da Ressurreição até à Trindade, que não há aí jejum. Frades, clérigos e homens fidalgos e nobres jejuam toda a semana, tirando sábado e domingo.
Disse que nenhuns homens morriam por justiça e que a muitos açoitavam e a alguns tiravam os olhos e a outros cortavam pé e mão, segundo a qualidade do crime; porém que ele vira queimar um homem porque fora achado em dois furtos na igreja.
Que o papa ou patriarca da terra do Preste João se chama abuna, que quer dizer padre, e não há aí outro nenhum em todos os reinos e senhorios do Preste que dê ordens senão aquele.
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)
Dom 28 Jan 2007
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Sáb 27 Jan 2007
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Sex 26 Jan 2007
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Sex 26 Jan 2007
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ProtagonistasComentários
Militar (?-1609?), vice-rei da Índia de 1591 a 1597, serviu naquela colónia durante mais de 30 anos. Excelente militar e administrador honesto, obteve grandes vitórias em Mangalore (1566) e, cinco anos depois, na defesa de Goa, que se encontrava cercada. As capitanias de Ormuz e Malaca estiveram a seu cargo. Enquanto vice-rei da Índia, conseguiu vitórias em Ceilão e Malabar. É considerado um dos mais respeitados governantes da Índia Portuguesa.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
Sex 26 Jan 2007
Loppo Soares <de Albergaria> governador da India
Anno de 1515
O governador Loppo Soares capitão-mor de quinze naos partio a sete de Abril. Capitão Dom Guterre de Monroy, castelhano, Simão da Silveira, Alvaro Telles, Diogo Mendes de Vasconsellos, Jorge de Brito copeiro-mór d’ElRei, Fernão Peres de Andrade, Dom Aleixo de Meneses, Christovão de Tavora, Dom João da Silveira, Alvaro Barreto, Francisco de Tavora, Simão d’Alcaçeva, Antonio Lobbo Falcão, Jorge Mascarenhas. Dom Aleixo foi por capitão-mór do mar, sobrinho do governador e nas absençias tinha poderes de governador.
(Leitura e anotações de Maria Hermínia Maldonado, obra publicada pela Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985)
Sex 26 Jan 2007
Capítulo CXV
Como o Preste nos mandou um mapa-múndi que lhe trouxéramos para lhe tornar as letras em abexim e do que mais passou e das cartas para o Papa
Estando nós no lugar de Dara, o Preste João nos mandou um mapa-múndi que havia quatro anos que lhe trouxéramos, que lho mandara Diogo Lopes de Sequeira, dizendo que as letras que estavam naquela carta se diziam as terras quais eram e se isto diziam, que logo ao pé lhes fizessem suas para saber quais eram as terras e logo nos pusemos, o frade embaixador que vai para Portugal e eu, ele escrevia e eu lia. E ao pé de todas nossas letras, pôs as suas. E porque o nosso Portugal é misto com Castela em pequeno espaço e Sevilha mui perto de Lisboa perto da Corunha, lhe pus Sevilha por Espanha e Lisboa por Portugal e a Corunha por Galiza. Todo o mapa-múndi acabado, que nada não ficou, o levaram. E no dia seguinte mandou chamar o embaixador e a todos os que estávamos com ele e logo nas primeiras razões nos mandou dizer que El-Rei de Portugal e El-Rei de Castela eram senhores de poucas terras e que não bastaria El-Rei de Portugal para defender o mar Roxo ao poder dos turcos e rumes e que seria bom escrever ele a El-Rei de Espanha para que mandasse fazer fortaleza em Zeila e El-Rei de Portugal mandaria fazer em Maçuá e El-Rei de França mandasse fazer em Suaquém e todos três com as gentes dele, Preste, poderiam guardar o mar Roxo e tomar Judá e Meca e o Cairo e a Casa santa e ir por todas as terras que quisessem. Respondeu a isto o embaixador que Sua Alteza está enganado ou mal informado, que se alguém isto lhe dissera, que não lhe disse a verdade e se o tomara bem o conhecimento das terras, porque Portugal e Espanha estão no mapa-múndi como coisas bem sabidas e não como necessárias de se saberem e que olhasse no mapa-múndi como estavam as cidades e castelos e mosteiros e assim estava Veneza, Jerusalém, Roma como coisas bem sabidas e em pequenos espaços e olhasse sua Etiópia como estava coisa não sabida, muito grande e muito espalhada, cheia de montanhas e de leões e de elefantes e doutras muito alimárias e assim de muitas serranias, sem ela mostrar o mapa-múndi cidade, vila nem castelo e que soubesse Sua Alteza que El-Rei de Portugal por seus capitães era poderoso para defender e guardar o mar Roxo a todo o poder do grão-sultão e do grão-turco e os guerrear até à Casa Santa e que outras maiores conquistas trazia nas partes de África com El-Rei de Fez e de Marrocos e outros muitos reis, subjugando todas as Índias e por força fazendo todos os reis delas seus sujeitos tributários como Sua Alteza bem sabia, por contrários de El-Rei de Portugal que eram os mesmos mouros da Índia tratantes na sua corte. A isto não veio resposta e salta em outra pergunta e nos despediu mandando-nos muito comer e beber e assim o fazia cada dia enquanto na corte andámos. Passando quatro ou cinco dias depois do mapa-múndi, nos mandou chamar o Preste e nos mandou dizer que ele queria escrever ao Papa de Roma a que eles chamavam Rumea Negus Lique Papaz, que quer dizer, o Rei de Roma e Cabeça dos Papas, e que lhe fizesse eu o princípio da carta, porquanto eles não tinham de costume escrever, que não sabiam como escreviam ao Papa e que estas cartas eu as havia de levar ao Papa. Respondeu D. Rodrigo embaixador, que nós não viéramos para escrever nem estava entre nós quem escrevesse ao Papa. Eu disse que lhe diria o princípio e daí adiante seguissem o que no coração tinham para lhe escrever ou requerer. […]
(via “História e Antologia da Literatura Portuguesa – Século XVI – Literatura de Viagens – II” – Fundação Calouste Gulbenkian, Boletim nº 23, Dezembro de 2002 - a partir de “Verdadeira Informação sobre a Terra do Preste João das Índias”, Dir. Luís de Albuquerque, Vols. I e II, Lisboa, Alfa, 1989)
Qui 25 Jan 2007
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Qui 25 Jan 2007
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Vice-rei da Índia (Lisboa, ?-Lisboa, 1771). Oriundo de uma família fidalga, em Soure e Guimarães veio a desempenhar as funções de alcaide-mor e, na Madeira, chegou a governador, entre 1754 e 1758. Neste último ano, recebeu o título de primeiro conde da Ega. Ascendendo na sua carreira, tornou-se vice-rei da Índia (1758-1765). Durante a sua governação, conseguiu a paz com os Maratas, conquistou a província de Canácona e mudou a sede do governo para Pangim. No Oriente, deu seguimento às ordens de submeter a prisão 221 jesuítas que viviam na Índia. No entanto, foi acusado de não ter encaminhado correctamente os bens que lhes pertenciam, pelo que foi demitido de funções e detido quando chegou a Lisboa. Acabou por ser ilibado, a título póstumo, em 1779.
(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)
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