Navegador (século XV). Cavaleiro e criado de D. Afonso V, em 1469 foi nomeado escrivão do tráfico de Arguim. Trabalhou para Fernão Gomes, concessionário do comércio da Mina, sabendo-se que comandou uma das últimas expedições organizada por este mercador. É-lhe atribuído o descobrimento do cabo Catarina (no extremo oriental do golfo da Guiné), assim baptizado por a descoberta se ter dado a 25 de Novembro, dia de celebração daquela santa. Não existem certezas relativamente ao ano em que o navegador efectuou a viagem, mas é provável que tenha sido em 1474 ou 1475.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Em Santa Helena, onde ancoram a 8 de Novembro, demoram-se uma semana, «limpando os navios e corregendo as velas e tomando lenha». Durante esta semana, têm os portugueses a sua primeira experiência de contacto intercivilizacional.

Na simplicidade do relato do «diário» de Álvaro Velho, sobressai aos olhos do leitor contemporâneo a inexperiência dos Europeus, a total ausência de coordenadas em função das quais devem organizar o relacionamento humano com as populações locais. Não se trata já do mouro ou do negro africano, com os quais os Portugueses há muito convivem. Tem-se a sensação de que Vasco da Gama e os seus companheiros não sabem como situar a baía à qual acabam de aportar. […]

O problema pode ser resumido nas seguintes perguntas: serão - cultural e civilizacionalmente - negros como os do continente africano já conhecidos pelos Portugueses? Nestes mares meridionais, a caminho da Índia, serão índios (no sentido do que a herança medieval lhes dizia serem os índios)? Se não são nem uns nem outros, como os classificar? […]

«E o capitão-mor foi em terra, e mostrou-lhes muitas mercadorias para saber se havia naquela terra alguma daquelas coisas. E as mercadorias eram canela, e cravo e aljôfar e ouro e assim outras coisas. E eles não entenderam naquelas mercadorias nada, como homens que nunca as viram, pelo qual o capitão-mor lhes deu cascavéis e anéis de estanho.»

Da decisão de Vasco da Gama torna-se evidente a conclusão a que os portugueses terão chegado. Em termos de cultura e de civilização, trata-se de africanos. […]

Segue-se o eposódio de Fernão Veloso, bem conhecido de muitos por ter sido incluído por Camões no canto V de Os Lusíadas. Tendo este repetidamente solicitado autorização de Vasco da Gama para ir visitar as casas das populações locais, e tendo-lhe sido tal autorização concedida, Fernão Veloso come com os indígenas um assado de lobo-marinho que estes tinham capturado. Depois da refeição, ao regressar à praia, quando uma barca se aproximava para o recolher, são todos atacados pelos negros «com umas zagaias que traziam, onde foi ferido o capitão-mor e três ou quatro homens». 

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp.126, 130 e 131

Militar (séculos XV e XVI). Teve um papel de relevo em Marrocos, onde já se encontrava em 1501. Fundou uma fortaleza em Mença (1502), conseguindo estabelecer a paz com os habitantes da região. Em 1505, fundou uma outra fortaleza, em Santa Cruz do Cabo da Gué, mas as dificuldades financeiras levaram-no a cedê-la a D. Manuel I, sendo então agraciado com vários privilégios e benesses.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Finalmente, a 3 de Agosto, partem de Cabo Verde. Duas semanas depois - a 18 -, surge um pequeno contratempo: parte-se a verga da nau do capitão-mor. Resolvido o problema ao fim de dois dias, retomam a navegação. Sucedem-se os dias monótonos, sem crónica, da navegação para sul. A acreditar em Damião de Góis, teriam sofrido algumas «tormentas e tempos contrários». Até que, a 4 de Novembro, Vasco da Gama chega à vista da baía de Santa Helena. Tendo partido de Santiago, em Cabo Verde, a 3 de Agosto, tinham decorrido 90 dias, na longa volta pelo oceano sudocidental, à procura dos ventos alísios meridionais. Tinham sido três meses de alto-mar, tendo apenas o céu como limite do horizonte… Podem-se aqui utilizar os dizeres de Camões: «Não vimos mais, enfim, que mar e céu.»

[…]

Comenta então Gago Coutinho, e as suas palavras ainda hoje, passados tantos anos, merecem ser ponderadas com atenção: «[Os barcos de Vasco da Gama, partindo das] ilhas de Cabo Verde, por ser em Agosto, época de monção de Sul, foram tomar barlavento a sueste, ao mar da Serra Leoa. Daqui meteram na <volta do mar>, indo cortar o equador pouco a nascente do Penedo de São Pedro, do qual só tiveram notícia vaga pelas <aves feitas como garções> que, à tarde, talvez para lá voassem. Seguindo na bordada de sudoeste, que o vento geral de sueste lhes permitia, foi atingida a latitude do cabo de Santo Agostinho. Assim conseguiram passar ao largo da costa brasileira, sem sequer dela ter havido sinais. Se Vasco da Gama tivesse rumado logo de Santiago para sul - como o vento ali lhe permitia, e como Cabral fez em 1500, mas em Março - Gama, depois de navegar assim uma centena de léguas, teria encontrado vento sul da monção. Já não poderia mais rumar a sul, e teria metido para sudoeste na <volta do mar>. Assim as suas naus teriam ido esbarrar na costa norte do Brasil, e a viagem para a Índia estaria comprometida, por se lhe tornar impossível, contra os ventos e correntes para oeste, que ali dominam, conseguir dobrar o conhecido cabo de São Roque.

»[Assim], este interessante detalhe da rota de Vasco da Gama […] prova materialmente que em 1497 já os pilotos dispunham de informações claras sobre os ventos e terras do quadrante sul-ocidental do Atlântico. Essas terras, previstas em 1494 no Tratado de Tordesilhas, já estavam pois localizadas, porque só assim se compreende que Vasco da Gama tivesse adoptdo uma rota indirecta em dupla bordada, que é a mesma praticada pelos veleiros modernos quando pretendem montar o Cabo de São Roque.»

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 122, 123 e 126

Piloto (séculos XV e XVI). É-lhe atribuído o descobrimento, por volta de 1525, do grupo de ilhas designadas pelo seu nome. Não há, porém, certezas da forma como efectuou a descoberta, existindo diversas teorias do acontecimento. Alguns historiadores têm defendido que o piloto teria visitado o arquipélago das Palaus e ilhas vizinhas, enquanto outros consideram que chegou à Austrália. Segundo uma versão do século XIX, o piloto integrava uma expedição saída de Maluco em direcção ao Norte e terá feito a descoberta em 1525.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Compreende-se a razão de ser da paragem. Em certa medida, até Cabo Verde, a viagem atlântica não levanta grandes problemas. Depois de quase meio século de navegações naquela região, seguindo uma rota que, a partir da Europa, acompanha a costa e as ilhas, pode-se dizer que os portugueses se encontram em latitudes familiares. A rota usual - a da exploração dos rios da Guiné e das viagens costeiras mais meridionais - inflectia depois para nascente, a caminho da Mina. Fora, anos antes, a caminho do Atlântico Sul, a rota descobridora de um Diogo Cão e de um Bartolomeu Dias.

Mas agora, o itinerário marítimo é outro. Trata-se de, partindo de Cabo Verde, proceder às delicadas manobras que, em pleno oceano, vão conduzir a armada directamente ao extremo meridional do continente africano. Vão ser longas semanas de mar alto, sem ver terra. Um erro naquelas cruciais manobras, nessa estreita faixa do Atlântico Central, pode ser fatal para a expedição. Podem ser obrigados pelos alísios a regressar ao Atlântico Norte…, ou podem entrar na zona das calmarias que tantos problemas criou a Cristóvão Colombo na sua terceira viagem americana… ou, finalmente, podem ser apertados para os mares do interior do golfo da Guiné. Em certa medida, o segredo da rota do Atlântico Meridional, a porta do cabo da Boa Esperança está ao largo de Cabo Verde.

Por isso, Bartolomeu Dias, que acompanha a armada de Gama até essas manobras, uma vez realizadas, pode abandonar a frota, dirigindo-se à Mina. Como escreve João de Barros, depois «da partida da qual ilha, Bartolomeu Dias os acompanhou até se pôr no caminho da derrota para a Mina, Vasco da Gama na sua». E Damião de Góis afirma que, à saída da ilha de Santiago, a frota, «seguindo seu regimento», se dirige ao cabo da Boa Esperança. Com efeito, na rota portuguesa a caminho do Atlântico Sul, o mais difícil parece estar feito…

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 112 e 113

Militar (Cochim,? - século XVI). Capitão na Índia, ficou conhecido como Malabar, graças aos conhecimentos que tinha daquela região. Foi um valoroso auxiliar dos portugueses na Índia, distinguindo-se na defesa de Cochim e Cananor. Os feitos valeram-lhe ser nomeado capitão-mor de uma armada e tornado fidalgo com direito a uma tença. Posteriormente, acompanhou D. João de Castro no segundo cerco de Diu.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

Uma semana depois, navegam ao largo das Canárias. Seguem a rota usual ao longo da costa ocidental africana. Na madrugada seguinte, passam a Terra Alta, tradicional ponto de referência para os barcos portugueses, onde pescam durante duas horas. Estão perto do Rio do Ouro, lugar muito frequentado desde o tempo das navegações henriquinas, onde surge o primeiro contratempo: sendo «de noite tamanha a cerração», lê-se no relato de Álvaro Velho, certamente no decorrer das manobras, perde-se a nau de Paulo da Gama e, logo a seguir, a do próprio Vasco da Gama. Felizmente que as instruções são claras: numa situação dessas, devem reunir-se todos em Cabo Verde.

Assim, no domingo seguinte, encontram-se na ilha do Sal. Estão a 23 de Julho. Estão todos, menos a nau de Vasco da Gama, que só será encontrada três dias depois, entre o Sal e a ilha de Santiago. Escreve o autor do mesmo texto que «sobre a tarde nos viemos a falar com muita alegria, onde tirámos muitas bombardas e tangemos trompetas, e tudo com muito prazer pelo termos achado». Nesta última ilha, a armada mantém-se alguns dias; reabastece-se de carne, água e lenha, e levam-se a cabo pequenos arranjos nos navios.

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, p. 112

Total de 01.01.07 a 30.06.08 - 109 960 visitas, por 63 405 visitantes
Junho de 2008 - 8 810 visitas, por 5 500 visitantes
Maio de 2008 - 11 105 visitas, por 6 620 visitantes
Abril de 2008 - 9 510 visitas, por 5 840 visitantes
Março de 2008 - 8 435 visitas, por 5 255 visitantes
Fevereiro de 2008 - 8 080 visitas, por 4 920 visitantes
Janeiro de 2008 - 8 570 visitas, por 4 820 visitantes
Dezembro de 2007 - 4 260 visitas, por 2 320 visitantes
Novembro de 2007 - 5 110 visitas, por 3 010 visitantes
Outubro de 2007 - 9 640 visitas, por 5 770 visitantes
Setembro de 2007 - 6 005 visitas, por 3 690 visitantes
Agosto de 2007 - 3 610 visitas, por 2 155 visitantes
Julho de 2007 - 3 275 visitas, por 1 535 visitantes
Junho de 2007 - 4 310 visitas, por 2 010 visitantes
Maio de 2007 - 4 420 visitas, por 2 300 visitantes
Abril de 2007 - 3 805 visitas, por 2 005 visitantes
Março de 2007 - 3 355 visitas, por 1 770 visitantes
Fevereiro de 2007 - 2 560 visitas, por 1 345 visitantes
Janeiro de 2007 - 5 100 visitas, por 2 540 visitantes

Governador da Índia (séculos XV e XVI). Fidalgo da Casa de D. Manuel e oficial da Armada, em 1509 foi enviado para Malaca, para ali estabelecer relações comerciais e políticas. Porém, as negociações não correram da melhor forma com o rei local e o comandante português viu-se obrigado a voltar ao continente, deixando cativos cerca de três dezenas de homens – que seriam libertados por Afonso de Albuquerque. Chegado ao reino em 1510, serviu na armada do Norte de África, entre 1511 e 1518, sendo então nomeado quarto governador da Índia. Chegou ao Oriente em Março desse ano, levando por tarefa entrar no Mar Vermelho e seguir para o porto de Maçuá, a fim de fazer embarcar diversas personalidades que deveria levar junto do rei etíope. Cumpriu a missão eficazmente, levando ao seu destino a embaixada em que participou o padre Francisco Álvares, autor de um interessante relato sobre as terras abissínias. Lopes de Sequeira manteve-se no cargo até 1521, regressando ao reino no ano seguinte. Em 1524, testemunhou no processo das ilhas Molucas, que opôs D. João III ao imperador Carlos V.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

A armada parte do rio Tejo em 8 de Julho de 1497. Embora escreva muitos anos depois deste evento, talvez porque terá assistido a muitas partidas das naus da carreira da Índia, João de Barros logra transmitir o ambiente psicológico em que tem lugar a primeira de todas elas: «E quando veio ao desfraldar das velas, que os mareantes, segundo seu uso, deram aquele alegre princípio de caminho, dizendo: <Boa viagem!>, todos os que estavam prontos na vista deles, com uma piedosa humanidade, dobraram estas lágrimas e começaram de os encomendar a Deus e lançar juízos, segundo o que cada um sentia daquela partida.

»Os navegantes, dado que com o fervor da obra e alvoroço daquela empresa embarcaram contentes, também passado o termo no desferir das velas, vendo ficar em terra seus parentes e amigos, e lembrando-lhes que sua viagem estava posta em esperança, e não em tempo certo nem lugar sabido, assim os acompanhavam em lágrimas como em o pensamento das coisas que em tão novos casos se representam na memória dos homens. Assim que, uns olhando para a terra e outros para o mar, e juntamente todos ocupados em lágrimas e pensamento daquela incerta viagem, tanto estiveram prontos nisso, até que os navios se alongaram do porto.»

“Vasco da Gama - O Homem, A Viagem, A Época”, Luís Adão da Fonseca, Edição do Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 e da Comissão de Coordenação da Região do Alentejo, 1997, pp. 109 e 112

Militar (1505? - 1552). De origem fidalga, foi destinado à vida eclesiástica, que ainda iniciou, mas para fugir a um casamento não desejado embarcou para a Índia, enveredando pela carreira das armas. Serviu sob o comando de Martim Afonso de Sousa, que acompanhou na tomada de Dão e na ida a Diu, onde os portugueses obtiveram permissão para edificar uma fortaleza. Distinguiu-se no socorro ao soberano de Cota, no Ceilão, servindo, mais tarde, na armada de D. Estêvão da Gama. Nomeado capitão de Diu em 1544, ainda nesse ano obteve uma vitória sobre os cambaicos e, em 1546, combateu na Batalha de Diu. Posteriormente, em 1551, defendeu heroicamente Cochim e participou na perigosa expedição contra o rei de Chembé. Em Junho de 1552, comandava o Galeão São João, que, batido pela tempestade, naufragou junto às costas do Natal com mais de 500 pessoas a bordo. Os sobreviventes, entre os quais se encontrava o capitão, a sua mulher e dois filhos, acabaram por morrer, vítimas da fome, dos animais selvagens e dos ataques dos indígenas. O episódio foi relatado na colectânea História Trágico-Marítima (1735).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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